A raiz do samba

O samba há tempos se distanciou de suas raízes por uma questão comercial de quem controla o meio musical e cultural, transformando-o num produto a ser “vendido” ao grande público.

 

O que é a tal raiz do samba que nomeia este blog? Garanto que não é uma comida típica dos negros nos primórdios deste sub-gênero da Musica Popular Brasileira (tanto quanto esta piadinha safada também não é lá muito boa, mas é preciso seguir em frente). Essa raiz do samba supracitada, amada – e pouco entendida pra ser valorizada – é aquela com sabor (calma, não é a piada gastronômica denovo) do samba quanto manifestação cultural de um povo (primeiro dos negros, depois dos brasileiros).

 

O samba se modificou. Fato (ou seria fatídico?) que proporcionou muitas vitórias alcançadas – como a movimentação de grandes massas populares a shows e rodas de samba no lugar de perseguição só por alguém ter uma viola em bandoleira andando por aí afora. Como é de praxe, muita coisa também se perdeu no processo. E – já dizia saudoso Candeia há décadas – continua perdendo justamente por que se esqueceu de sua raiz. Esquecer a raiz é se afastar dos elementos básicos que contruíram o gênero para adaptá-lo e aumentar o acesso de muita gente que não se interessa por cultura., só quer se chacoalhar com o instinto visceral de seguir um poderoso som percussivo. Sem falar nos que só querem pegação.

 

O principal fator é o comercial, pois, tudo que atrai público e gera uma renda, nossa sociedade capitalista faz de tudo para explorar ao máximo e – adivinhem só – capitalizar tudo o que conseguir daquela fonte. Com o samba aconteceu isso. Principalmente depois do boom dos grupos mela-cueca românticos nos anos de 1990. A massa resolveu curtir o que as rádios jovens (e, depois, praticamente todas) promoviam. Se de um lado estavam as músicas eletrônicas robotivamente sensuais, do outro, trocentos grupos – principalmente do estado de São Paulo – nos assolava com seus cabelinhos bem curtinhos, roupinhas em conjunto combinando no terno (ou um de cada cor, no melhor estilo PowerRangers) e suas coreografias somente comparáveis a aluninhos pré-escolares dançando axé (outra explosão comercial e defasada da época).

 

O negócio é que o que se chamava pagode até então era culturalmente uma coisa, a partir dali, continuou com seu sentido pejorativo, mas de uma forma abrangente (é, o preconceito também se desenvolveu e modificou com o tempo). Dissertarei mais sobre o termo “pagode” mais à frente neste mesmo bat-blog (ou seria pagode-blog…), mas, por enquanto, fico com a concepção de que o samba de raiz foi deixado de lado das mídias de massa e esse sub-gênero do sub-gênero foi alavancado ao status pop até ser esgotado. Pra onde se olhava na TV, na rua ou embaixo d’água, eram os apaixonadinhos cantando coisas limitadas como a volta de alguém que se foi, ou como o sexo é gostoso só com aquela pessoa que o chifrou/abandonou, enfim… quem viveu, viu e chorou – por gosto ou desgosto.

o banjo

Banjo: Instrumento do samba comercialmente banalizado nos anos de 1990

Transformar algo popular em popularesco é uma lástima e, fazer isso com algo que já não era o puro suco da coisa, só fez quem trabalhava – direta ou indiretamente – nisso encher as burras – e as marias-pandeiro – de dinheiro (ou de bebês pagodeirinhos) e nossa cabeça com um estilo marcado justamente por não ter marcação nenhuma dos instrumentos característicos e um calhamaço de letras sem poesia. Mas, que rendeu bastante. Isso é esquecer a raiz, e, pra justificar o nome do blog, vou discorrer a respeito ao longo dos tempos.

 

Axé.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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Uma resposta para A raiz do samba

  1. Mr WordPress disse:

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