Samba X Pagode

Anteriormente visto como um sub-gênero do samba, o pagode poderia ser considerado, na verdade, um sub-produto, visto seu interesse essencialmente comercial. O pagode pode até ser considerado uma ramificação do samba, mas não é exatamente um estilo de fazer samba.

Para começar direto ao assunto, o pagode nem é – ou não deveria ser, na minha humilde opinião – uma designação a um (sub-)gênero musical. Pagode é uma palavra que vem de séculos atrás designando, na idéia geral, sempre festas populares animadas com música, bebida e comida. Ou seja, pagode é festa popular. Se você fazia seus “hi-fi” na adolescência (que antigo,hein), chegou bem perto de ter promovido um pagode – mesmo que não tenha sido samba, percebeu a diferença? E é com essa temática que o pagode se popularizou como festa popular. Um genuíno componente da cultura popular. Feita pelo povo e para o povo.

Samba é uma outra palavra que tem significados relacionados a alegria, festa, além – é claro – do sentido musical. Para se ter uma idéia, o samba, pelo país, tem diferentes nomes, complementos, instrumentos básicos e características musicais, assim como pagode. Mas, mesmo com todas as diferenças regionais, samba ainda é uma coisa e pagode é outra. Samba é a coisa musical e pagode é um tipo de festa. Você não fala que vai a um funk ou a um rock. Frequentar um lugar, não faz seu nome se tornar um gênero musical. Talvez, um estilo musical, mas aí, a coisa fica completamente diferente, pois, entra a parte comercial.

Samba e pagode não são a mesma coisa. Roda de samba e pagode, sim, tem a ver.

No Rio de Janeiro, com a popularização das rodas de partido alto dos anos de 1970 até os de 1980, tudo que era feito e dito a respeito do samba, ganhou projeção nacional – e até internacional. Sendo assim, era lógico que o retorno financeiro iria despertar o interesse comercial. Algo popular dificilmente não se torna rentável. Mas, a popularização do termo pagode, acabou por confundir os desatentos, mas nada que não possa ser manobrado de modo a atrair capital. Logo, samba ou pagode, a coisa começou a vender bem e se o termo difundido para designar festas animadas de samba tivesse sido, sei lá, “pararatimbum”, hoje, você chamaria várias pessoas de “pararatimbunzeiros”. Ficaria legal? Engraçado, com certeza (e eu que não ia querer isso pra mim). O bizarro era ouvir de um monte de gente – por interesse ou desconhecimento – que samba e pagode era tudo a mesma coisa. E ainda lançavam coisas como a coletânea “samba & pagode” no melhor estilo “junta tudo no mesmo pacote e vende de uma vez pra um monte de gente”.

Então, o basicão – não tentando definir uma vasta cultura em apenas algumas palavras – fica assim:

Samba: É o gênero musical que, mesmo com todas transformações pelas quais passou, ainda existe e é admirado. A diferença é só a questão do gosto. Tem gente antiga que não vê problema em agregar novos elementos (por exemplo, o famigerado clichê de enfiar um rapper no meio da música pra dar um ar de “garotada papo firme”, por exemplo) sem perder a direção dos elementos básicos que construíram o samba como cultura, e não só um amontoado de músicas pra se ouvir em festinhas.

Pagode: Esse termo é onde ocorre a confusão, pois, inicialmente, era o nome de festas, reuniões animadas com bebida, comida e samba, ou outros gêneros populares, mais da terra, rurais. Também há uma versão de que pagode era esse tipo de festa, só que realizado pelos negros nas senzalas.  Ele designa, também, música – como produto comercial (desde os pitorescos anos de 1990, quando o estilo mela-cueca romântico proliferou,). Ainda temos a convivência com o termo “pagode” que aponta para música de forma individual “Vou mandar um pagode”. É um modo de dizer, se referindo à uma música que se canta e toca neste tipo de festa. Já estava incorporando de pagode como música, o que levou só um pulo até a arte ser industrializada. Mas a postura pop em relação à raiz, eu falo depois.

O curioso é que com um significado ou outro, sempre tem um sentido pejorativo, por fazer referência a uma atitude popular. E, por incrível que pareça, muita gente acaba se afastando para não “queimar o filme”. Como diria o sábio poeta: “Arte popular do nosso chão: É o povo quem produz o show w assina a direção”.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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10 respostas para Samba X Pagode

  1. SAMBOU! KKK
    Delicia de texto. muito compreensivel e ajudou muito

  2. Gabriela cANDIDO disse:

    Quais suas bases historiográficas? E qual a literatura especializada está usando?

    • Eu andava lendo muita coisa em livros e em internet. Tenho a biografia de Sinhô, por Edigar de Alencar, a biografia de Zeca Pagodinho por Luís Fernando Vianna, entre outros que comprei e/ou peguei emprestado na época da faculdade.

  3. Pingback: Is Pagode different from Samba? | Rio Then

  4. Thais Leão disse:

    Gostei!! Foi uma das claras definições que li..
    Obrigada.

  5. Paulo Duquesne disse:

    Do meu humilde ponto de vista, e pelo pouco conhecimento no assunto,entendo que pagode é a música feita por moda de viola, música caipira. Já o samba tem outra letra e melodia.Pagode e samba, são tocados por instrumentos diferentes. Ex: pagode Tião Carreiro, samba Martinho da Vila, Jorge Aragão.

  6. Eu adorei essa matéria, e eu estou montando uma revista a qual em uma parte eu falarei a diferença entre samba e pagode.

  7. João Rezende disse:

    PAGODE NÃO E SAMBA
    AUTORES: JOAO REZENDE

    Não compre gato por lebre meu Brasil preste atenção
    Cada coisa em seu lugar vai aqui minha opinião
    Dizer que samba e pagode e destorcer a tradição
    E a grande diferença se da entre a marcação
    Vou cutucar a ferida responde bem direitinho
    A pergunta que o jô fez para o Zeca pagodinho
    O samba marca compasso na cuíca e tamborim
    Pagode e na viola pagode e assim ( bis)
    (refrão)
    Se quiserem estilizar que invente o samba godê
    Não precisa sacrificar o samba e o pagode
    Onde e que já se viu como e que pode
    A escola de samba vira escola de pagode
    No samba pagode e festa no ritmo e caipira
    São dois ritmos distintos não e da mesma família/nasceu No som da viola e parente da catira
    O primeiro pagode foi o pagode em Brasília
    Vou encerrar este tema não posso correr perigo
    Peço desculpas aos sambistas não quero ter inimigo
    O meu recado foi dado falo por todo violeiro
    Samba e Martinho da vila pagode e Tião carreiro( bis)
    Se quiserem estilizar que invente o samba godê
    Não precisa sacrificar o samba e o pagode
    Refrão

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