Na apuração perdi você

A apuração dos desfiles de escola s de samba do Rio de Janeiro é uma coisa estranha. Talvez a maioria não conteste por conveniência, por achar que tudo nasceu assim e não precisa mudar ou sei lá. O fato é que seja por décimos ou meio ponto, parece que cada um apura de um jeito. Isso ficou evidente este ano. Cada escola tinha uma característica própria. Agogôs no Império Serrano, a bateria da Mocidade, o surdo de terceira da Portela… Tudo ficou muito homogeneizado com a super aceleração do andamento do samba (depois falo mais sobre o “trance-samba”). Mesmo com sua característica própria,

Os critérios de apuração precisam ser apurados urgentemente.

acho que deveria haver critérios para se julgar algo bom, ruim ou “poderia ser melhor”. A Mangueira viu isso este ano. Beija-Flor foi campeã porque levou Roberto Carlos para a avenida. Ninguém tem coragem de contestar uma vitória porque confundiram o enredo com o artista e parece que não querem tirar a vitória do rei. Mas, homenagem por homenagem, a Mangueira levou Nelson Cavaquinho para a Sapucaí. Diferenças entre a popularidade de cada um? Não! Sambas de homenagem geralmente são bem “mais ou menos”, e a Beija-Flor não foi nada de mais para ganhar quase que de ponta a ponta. Já a escola de Cartola inovou com uma tremenda paradinh… paradona de bateria! E perdeu décimos ali. A justificativa? Inovação que não foi condizente. Mas se a principal crítica à Mangueira era a bateria que nunca mudava a marcação… então, mantém a tradição, é ultrapassado, inova, ficou muito “prafrentex”?! É isso que dá, põe médico pra julgar quesito de carnaval, entre outros profissionais de fora do carnaval… Se um achar que deve julgar o carisma do homenageado e outro resolver julgar a simpatia do presidente da escola ou a personalidade forte de algum diretor da escola, como vai ser? Já sei como vai ser, veremos escolas bonitas sem décimos e outras sem fazer esforço ganharem. Aliás, como se julga hoje? Você vai tirando décimos conforme seu sono na madruga? Já vi pontos serem perdidos por que o julgador soube que a escola teve problemas na avenida – mas nem foi em frente à sua cabine, vai entender. Sabe, visto por esse ponto, eu aceitaria fácil o tal “desfile técnico”. Carnaval técnico faz sentido como peixe fora d’água, mas serviria como justificativa para o carnavalesco se respaldar. Não daria vazão para algum distraído querer tirar ponto. No melhor estilo “faço desfile chato, mas o jurado não tem de onde tirar ponto”. Quem julga os julgadores?

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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