Enredo: Tudo depende de uma história bem contada

Se o enredo é bem definido e bem contado, a escola começou com o pé direito rumo à apoteose.

Ah, o enredo! Ele é o início de um desfile. Ainda no ano anterior ao desfile, o enredo é escolhido e, daí, vêm as disputas para a escolha do samba que melhor representará a ideia do carnavalesco na avenida. Ou seja, ele é a temática a ser descrita em forma de desfile, música e ornamentações para avaliação dos jurados. O enredo, para uma escola de samba, é como o roteiro para um filme. É o desenrolar da coisa, o que dá consistência à história que a escola contará. Se ele começar torto, dificilmente o resultado vai ser bom, mas pode acontecer o contrário. Por exemplo, de enredos pouco promissores – à primeira vista – podem sair desfiles e sambas esplêndidos. Mas é bem verdade que os sambas marcantes da história são justamente sobre história em algum nível. A cultura geralmente enche os olhos e ouvidos e ganha tons mais emblemáticos.

 

Claro, a Caprichosos de Pilares “causou” com seu proibido carro representando turistas sendo assaltados – num tema bem corriqueiro – mas a graça mesmo dos sambas de enredo, no carnaval, são as histórias do Brasil e do mundo, assim como passagens mitológicas e tal. Afinal, milhares de integrantes e luxuosas alegorias merecem temas grandiosos. Fica muito bem nas câmeras e a exportação leva o capricho de uma exposição histórica, só que em formato próprio. Os enredos são bem elaborados, mas nem sempre bem desenvolvidos – ou julgados – e isso pode levar uma escola ao fracasso.

 

Um bom enredo não precisa ser necessariamente um tema de conhecimento ou interesse universal, mas – mesmo que seja – não pode carregar a escola até o triunfo na apoteose. Não só ele. Não dá. A verdade é que cada item é importante, mas o enredo é o começo de tudo, quando o cuidado com o que será feito está fresco ainda na cabeça dos cabeças da escola. A partir daí, sim, é pegar pesado no trabalho e elaborar tudo o que será feito em torno e a partir de sua escolha. As fantasias, sambas, alegorias e toda a publicidade serão esmiuçados ao longo do ano para ser bem narrado em pouco mais de uma hora, até o último minuto de desfile, para esperar o resultado do julgamento de seu árduo trabalho até ali. E depois… tudo de novo.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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