Baianas: As tias do samba

As tias baianas homenageadas com uma ala representando-as pela fundamental participação na evolução da cultura.A ala das baianas é uma das mais importantes instituições dentro de uma escola de samba e do carnaval no geral. Isso porque é uma criação introduzida nas agremiações para homenagear àquelas que apoiaram o samba em seus primórdios. As senhoras baianas que se estabeleciam no rio de Janeiro e abrigavam, em seus quintais/terreiros, as festas de samba, na época que o gênero era perseguido.

Já diziam os antigos, dos idos de 1930, “ser sambista era pior que ser comunista”. O samba era perseguido, mas também tinha quem apoiasse. As tias baianas que abrigavam as festas de dias e noites inteiras – onde se faziam presentes inúmeras figuras famosas do meio – foram tão essenciais para o samba naquela época quanto as quadras ou barracões das escolas hoje, claro que por motivos diferentes. As baianas davam refúgio para o samba e os sambistas sob o “disfarce” de reuniões religiosas. Sendo assim, não precisavam dar muitas desculpas para a polícia. E, com o pensamento nessa preciosa ajuda que elas deram para o nosso amado samba, ganharam essa justa e singela homenagem: Uma ala caracterizada como suas típicas vestes que, até hoje, é obrigatória numa escola de samba.

Tia Ciata, e outras, deram sede ao samba e ganharam representações nas escolas. Mas, houve tempo que homens também desfilavam nessa condição para dar proteção às escolas em casos de brigas. Eles colocavam navalhas nas barras das saias e giravam as armações das mesmas para pegá-las e partir para a “ação” (daí, a expressão “rodar a baiana”, quando se está enfurecido com alguém). A ala é quesito de julgamento em grupos de acesso e, apesar de não ser no Especial, precisa seguir regras para não custar pontos às escolas. Por exemplo, um número mínimo de baianas, as partes básicas do traje típico/fantasia (torso, bata, pano de costa e saia) precisam estar lá, sua simples presença conta pontos para evolução e fantasia.

O samba ganhou abrigo em muitos mais lugares e, se não fossem as velhas tias baianas, não haveria samba do jeito que é samba de raiz e não haveria ala específica de tamanha tradição para nos agraciar todo carnaval. Elas estão aí o tempo todo, vamos pedir “a bença”!

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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