Coco

Representação do Coco por Fernando Sagatiba.

Já que o tema geral deste blog é a raiz do Samba, em momentos como este é que se vê claramente que não falo só do samba gênero musical – a vertente que se comercializa – e sim, a cultura originalmente negra, que assim como o povo brasileiro, recebeu diversas influências da equação matriz negro-índio-branco. Seguindo, falo do Coco (que tem diversas denominações, conforme a região e o estilo de se cantar, tocar ou dançar, como de embolada, de zambê, de catolé, de sertão, etc).

Primeiro, é importante frisar que o Coco não é necessariamente um antepassado do samba, estão mais para irmãos que nasceram de uma mesma base, mas foram criados em locais diferentes, onde as pessoas tinham costumes diferentes. Claro, a raiz na África é o ponto em comum, mas o samba veio para o Rio de Janeiro e o Coco ficou no nordeste, e ainda há quem diga que o Coco é uma variação do samba rural, aquele antigo, lá do começo dessa história toda. A origem dessa dança é, pra variar, controversa, mas sabe-se que tem origem pelos negros de Angola (Banto), mas há quem diga que recebeu elementos de Portugueses e Índios. Diz-se que o Coco já era praticado pelos escravos, e que fazia a comunhão dos negros ali por Alagoas e Pernambuco (estados, aliás, onde surgira o Estado Palmares).

A dança teria surgido do hábito de se nivelar o chão das casas antigamente, geralmente de barro. Também fala-se em quebrar cascas de coco, entre outras, mas a base é sempre a mesma: Bate-se e arrasta-se os pés no chão, enquanto se bate palmas, e um tirador (ou coqueiro, ou coquista) puxa versos, geralmente de improviso e o pessoal responde em coro. Explicar danças e elementos culturais em geral fica muito difícil sem um apelo audio-visual, então recomendo que se procure a obra de Jackson do Pandeiro, por exemplo.

Até Bezerra da Silva, antes de ser o malandro pernambucano mais carioca do mundo, gravou O Rei do Coco (volumes 1 e 2), e recomendo também. Quem já tem inclinação a gostar do que se chama genericamente de Forró (sabe, o conjunto de elementos musicais da música nordestina) e não conhece, vai gostar muito. Eu que não conhecia quase nada, quando comecei a ouvir, nunca mais deixei faltar no meu celular.

Pra se ter uma ideia boa do que é esse rico e envolvente elemento da cultura brasileira é, assista a esse grande trabalho de divulgação e valorização da cultura popular brasileira do Canal Futura:

Coco Alagoano: Parte 1, Parte 2 e Parte 3.

Coco pode ser de roda ou em fila.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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