A Cerveja é Boa. A Cobrança é Devassa!

Se Beber, Pechinche!

Já faz umas décadas desde que o carnaval deixou de ser uma festa democrática para se tornar um potencial de atrativo turístico e até não-turístico – já que quem resolve ficar em casa para aproveitar o carnaval de rua acaba sendo onerado com valores absurdos. Somos turistas em nossa própria cidade.

Sendo assim, é preciso tomar certos cuidados quando andar por aí nos blocos da vida. Reparei que uma grande cervejaria, já de algumas semanas pra cá – o tal do pré-carnaval – “padronizou” vários camelôs, com direito a tabela ilustrada nas laterais do isopor mostrando valor e tipo de embalagem (latão, latinha, latinhazinha, etc). No começo, achei a ideia legal, pois, a gente não tem que ficar pechinchando e caçando diferentes valores até achar algum condizente com a realidade do trabalhador carioca. O problema começou – pelo menos pra mim e um grupo de amigos – quando os vendedores “de fora” dessa padronização se acharam no direito de cobrar o que quiserem só porque têm cervejas de outras marcas para, verdadeiramente, achacar o bolso de quem tem preferências quanto à marca da bebida.

Aí o que acontece? Até os “padronizados” resolveram que não poderiam perder a chance de usar e abusar da lei de oferta e procura. Resultado: Ilustrações mostrando um latão, por exemplo, com o valor de R$3,00 e o preço de R$5,00 (disse CINCO reais) na boca do nobre empreendedor do ramo do comércio. Não sei se por orientação da cervejaria ou por oportunismo mesmo, mas essas medidas são abusivas, já que latões, latinhas e até refrigerantes ganham preços comparados aos de casas noturnas da moda. Como pode? É alguma medida para forçar o folião a economizar na bebedeira e não passar perrengue ao tentar ir a um banheiro? Acho que não existe organização no poder tão benevolente assim.

Na verdade, só este mês, já passei por:

1) Camelô que ofereceu um valor abusivo e, diante da negativa de minha parte, reduziu o preço em 3 segundos;

2) Camelô vendendo pelo preço anunciado se queixando que colegas estão abusando por puro oportunismo;

3) Camelô honesto vagando por aí enquanto os bebuns compram no  – sempre mais caro – primeiro isopor que vê, só porque o álcool faz alguns se sentirem ricos e financeiramente despreocupados.

Em todo caso, folião, modere na bebida e, quando providenciar o gelo para sua garganta carnavalesca, preste atenção aos preços, pois, um camelô careiro pode estar a seu lado te ganhando na pseudo-simpatia enquanto algum bem intencionado está em volta vendo você se ferrar sem poder falar pra não pegar mal pro lado dele em relação aos coleguinhas comerciários.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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