… E deu Tijuca em 2012!

Unidos da Tijuca já podia comemorar antes das notas do último jurado.

A Unidos da Tijuca ganhou com um enredo não linear, onde resolveu falar de Luiz Gonzaga de uma maneira quase – praticamente – lúdica. Onírica. É muito fácil criticar um resultado de apuração, mas a opinião toda pode cair se a argumentação não for embasada. Por isso, já começo falando que foi criativo, mas não foi essa genialidade toda que estão alardeando. Nem é inveja – réplica comum de quem não sabe argumentar, mas discorda de uma crítica. O problema é contestar o competente – e reconhecidamente criativo – Paulo Barros.

A minha intenção também não é desmerecer o título da Unidos da Tijuca, mas mostrar que sendo o Paulo Barros assinando, tudo o que ele fizer já sai com cara de genial, enquanto outros também fazem ótimos desfiles, mas não tem o curriculum tão recheado. É como uma determinada música chata ser considerada boa porque o compositor é famoso e músicas empolgantes nem tocam em rádios. Ninguém quer contestar o que o senso comum absorve como verdade absoluta.

Não querer falar sobre Luiz Gonzaga de forma biográfica pode ser, agora, a forma de se justificar toda a genialidade e a fantasia dos reis virem para o sertão do Brasil, coroar o rei Luiz do sertão. Na minha opinião, se não tivesse ganho, brotariam os defensores de que foi uma grande ideia, mas que não foi compreendida pelos jurados – como a paradaça da bateria da Mangueira ano passado. Lembro até de ter ouvido algo, durante a transmissão televisiva, que o enredo não era bem o que o samba mostrava. Tanto, que o samba é repleto de referências ao rei do baião, mas, no enredo, só aparece em parcas vezes. Parecia o enredo sobre Mestre Vitalino.

Enfim, se fosse qualquer outro carnavalesco, diriam que foi injusto, mas como é o Paulo Barros, se ele puser um carro com coelhos voadores espirrando em gremlins para falar de uma forma não linear sobre a vida de Eddie Murphy, todos vão aclamá-lo, dizer que entenderam tudo desde o começo e que só os inteligentes podem ver as fantasias invisíveis. O desfile estava mais para venham conhecer o sertão de Luiz Gonzaga do que uma homenagem ao artista em si.

Não que eu não respeite e reconheça o talento de Paulo Barros – na verdade, já o defendi em um post do passado neste blog, e também não vou ficar aprando particularmente quem deveria ter ganho. Só achei um desperdício a Mangueira não estar de volta para desfilar entre as campeãs, já que inovou de uma forma que só vai poder ser mensurada – e superada – com muita criatividade.

Em tempo, que argumentinho vazio esse de “foi a premiação do trabalho de um ano”. Alguém teve mais de um ano para planejar?

No final das contas, quem ganhasse, teria tido seus méritos, pois, nenhuma agremiação estava tão desequilibrada que pudesse deixar claro um possível título ou um rebaixamento certo. Aliás, a Renascer, não vi para saber se merecia cair, mas a Porto da Pedra e seu enredo/propaganda… Ah, esse eu já dizia aqui desde o ano passado. E… Michael Jackson frequenta mais os desfiles da Tijuca do que Cláudia Leittte, o carnaval de Salvador.
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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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