Não Existe Mais Gênero Musical

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Pelo menos, não no cenário pop, esse que a mídia vende como os artistas, músicas e lugares que mais “bombam”. A música pasteurizada e diluída para vender – e esquecer um mês depois, a menos que entre na novela – é, para mim, também um meio de comunicação de massa, e, como tal, generaliza tudo o que toca, sem esquecer de endeusar os medalhões pra não ficarem tão mal com os fãs da autenticidade. Tem quem veja esse meu sentimento de apego ao tradicional como uma prisão no passado, mas eu vejo como um gosto por arte, mais do que por consumo. Autenticidade é qualidade, não defeito.

 O que marcava cada linha musical não existe mais no mercado. Não há muitas fronteiras entre o que a indústria fonográfica e de entretenimento chama de rock, funk, sertanejo, forró ou pagode. Há quem ache isso bom, principalmente os artistas envolvidos no ‘mainstream’ e os empresários que não estão nem aí se o que vendem é música autêntica, ou imitações de verdadeiros gêneros musicais culturais. Desde que aproveitem a massa que consome seus produtos no bom momento rentável em que vivem, eles e a mídia vão felizes no embalo, com suas novelas, jogadores de futebol… Enfim, qualquer meio de propagação da ideia do pessoal do marketing. Gente que nunca deve ter pisado num terreiro de partido-alto, baile funk ou fazenda no interior.

Antes, existiam gêneros bem marcados, e dentro desses gêneros, estilos diferentes. Não havia só um jeito de se fazer samba, rock ou até funk. Mas está tudo tão pasteurizado, que só um deficiente cultural ou alguém muito interessado apenas em dominar o mundo do entretenimento não admite que a forma de se fazer virou uma fÔrma (perdoe a acentuação incorreta, mas precisei, maldito acordo ortográfico). Aliás, fÔrma essa, das muito limitadas, diga-se.

Todas as letras são da mesma temática e com as mesmas palavras. Dê uma lata de tinta pra cinco pessoas desenharem e elas vão desenhar cinco coisas diferentes, cada uma no seu lugar. Mas se você as coloca vendo o que uma fez e se agradou, é fácil prever que as outras vão fazer igual pra agradar também. Nisso o público diversificado fica forçado a uma só tendência a cada dois anos porque ninguém mais sabe fazer outra coisa. Aí, acontece isso, só se faz e só se quer vender as mesmas letras sobre encher a cara, praticar alguma extravagância com alguma bêbada bem arrumada e onomatopeias a dar com pau. Essa é a diferença entre o pagode que Candeia, Martinho da Vila, Aniceto e Xangô da Mangueira já cantavam nas décadas de 1960 e 1970 nos discos e rádios e o pagode que não passa de R&B disfarçado para o público desatento.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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