Onde Está o Verdadeiro Samba? (Parte1)

Escola de samba Quilombo: A árvore que não esqueceu a raiz.

O verdadeiro samba, claro, é só um conceito – muito forçadamente eu usei no título como um chamariz muito do safado – pois, não há como definir o samba-cultura como um elemento fixo dentro da história. Como sabemos, o samba é um grande conjunto de ações e personagens que veio se transformando dentro e paralelo à própria sociedade. Então, perdão pelo sensacionalismo barato e clichê. Mais clichê que filme de comédia romântica, mas estou divagando…

O que me traz aqui é o conceito de morte e vida (não Severina), pois, quando estamos ligados em veículos de comunicação, estamos ligados a interesses inevitáveis dentro da sociedade. Isto quer dizer que meios de comunicação, principalmente os grandes, dependem de publicidade e, como eu disse, inevitavelmente, se “obrigam” a seguir determinadas políticas, tendências e coisas assim. Por exemplo, um veículo que transmita seu conteúdo para um público jovem e ávido pela próxima balada, não está muito interessado em passar valores como reuniões de familia ou educação. Quer vender seu produto, que vai estar presente na tal balada e vai atrair esse público.

Assim acontece com a música. Seja por classe social, faixa etária ou ramo profissional, uma rádio vai produzir e reproduzir conteúdo de forma que “pareça” que aquilo é o que você precisa. Sedução de sentidos. Voltemos nos tempos da ebulição do Rock N’ Roll nos anos de 1960 no Brasil. Todos queriam saber dessa festa que se chamou Jovem Guarda. O samba, até então, o gênero musical nacional por excelência e determinação política, ficou relegado a seu nicho próprio, já que a garotada curtia a efervescência de tremendões e ternurinhas.  Houve o movimento de revalorização promovido pela União Nacional dos Estudantes e o samba voltou à baila com nomes vindos do ostracismo, como Cartola e gente que despontava para um universo mais amplo para o samba, como Candeia e Martinho da Vila. O samba renasceu sem ter morrido.

Então, o samba ganhou bojo comercial e foi crescendo nas rádios como produto muito rentável até início da década de 1980, quando surgiu o Rock 80 – e muitas vertentes pop – com legiões urbanas lotando shows e comprando discos a valer. O samba ganhou novo fôlego pela batucada de tantãs irriquietos que ressoavam lá do bairro de Ramos. Mas, peraê! Ganhou novo fôlego? Ele tava mal da respiração? Sem animação para movimentar multidões? Não. Capitaneados pela turma do Fundo de Quintal, o samba mostrou que podia ter uma nova dinâmica rítmica e alcançar ainda mais gente. Nessa época o termo pagode pegou e virou sinônimo de samba para o público geral, não só para seus adeptos. Fizeram uma verdadeira febre de roda de samba onde fosse.

Aí, veio a década de 1990 e o samba se recolheu a seu público fiel. De novo. Agora que pagode estava alçando voos até Paris e arrasando no Olympia, era hora de uma renovação. Surgiu uma turma que se vestia de forma padronizada, colorida e suas músicas não surgiam mais em rodas informais, mas em estúdios. A coisa profissionalizou ao ponto de tomar a frente até da música pop internacional. Mas o nome ‘pagode’ ficou, só não era mais o que se tocava. Era uma estratégia bem aceita pelo público que, como antes, era ávido pelas novidades da moda internacional e não aceitava muito o samba, porque era coisa coisa da vovó (como se fosse ruim). O texto ficou imenso. Concluo a seguir.

 

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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