Onde Está o Verdadeiro Samba? (Parte2)

“Agoniza, Mas Não Morre”: Realmente um jogo de palavras, pra não dizer ironia do poeta.

Eu falava, no final do texto anterior,  sobre o frescor (UIA!) da vertente pop com pandeiro que convencionou-se chamar pagode nos anos de 1990. E que parecia ter sufocado o velho samba em seus redutos particulares. Não que tenha sido de todo ruim. Muita gente boa surgiu no turbilhão da moda e o estilo foi porta de entrada para interesse de muita gente na raiz do samba. Se não, voltemos…

Essa adaptação do termo ‘pagode’ pegou e passou a significar esse samba mais… “mela-cueca”, que não era mais tão ligado às suas raízes, e sim, às novidades tecnológicas e massas de público que só queria se divertir, sem compromisso com a arte, podia ser qualquer coisa, mesmo que se esquecessem as músicas no dia seguinte, depois faziam mais. Hoje, anos de 2000 e 2010, o mercado está  mais descaradamente voltado para o tal sertanejo universitário e baladeiro diversificado, mas o samba não morreu. Ganhou uma roupagem que remete ao antigo, mas com elementos que o ‘pagode’ trouxe e que deram certo na aceitação da galera. Gente como Arlindo Cruz, por exemplo, utiliza uma produção em seus discos onde os instrumentos básicos do samba já não sobressaem, mas estão claramente lá junto a teclados, baixo e bateria. Inclui em seu trabalho rap sem desfazer do banjo.

Então, o samba não morre, nem chega perto disso, na realidade. Mas, do ponto de vista da moda musical, do mercado fonográfico e tals, quando um gênero some – ou, pelo menos, diminui sua frequência e influência – ele não morreu, pois, quem o ama e é fiel, estará lá na roda de samba, no show, buscando programação alternativa. Esse papo furado de que o samba acabou é baboseira, porque não foram modismos que fizeram do samba esse gigante – em importância – na cultura brasileira. Foi o contato do artista com seu público, foi no boca a boca, na dica de um amigo sobre onde rola um clima maneiro ao som de pandeiro, surdo e cavaquinho, etc.

O verdadeiro samba está onde precisa e indústria de entretenimento nenhuma faz parte disso. Pode-se manobrar a venda de cd’s, dvd’s e ingressos de shows, mas não a história da arte. Isso é coisa que temos na consciência, coisa que não desaparece porque pensamentos passageiros chamaram à atenção por poucos segundos.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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