Intolerância = Ignorância

Das senzalas, não era possível escrever a história.

Bem, não vou falar de samba diretamente neste texto, mas de umbanda e candomblé. Pelo menos sobre a intolerância a que são sujeitados há séculos. São elementos da cultura negra – que é o tal foco dito no nome e endereço deste blog – que, além de ser parte essencial da cultura geral do país, está muito marcantemente presente na raiz do samba – o outro elemento do título do blog que fecha a ideologia geral deste que vos fala escreve digita.

Sem mais delongas, o Facebook, nessa manhã de segunda-feira, dia 16 de julho, foi palco de uma massiva – e porque não dizer, massacrante – quantidade de atualizações de espiritualistas se manifestando contra o preconceito presente em vídeos, programas de TV e demais veículos de comunicação. Pelo menos, no meu perfil, de acordo com as páginas e pessoas presentes nele.

Lembremos que se não fossem representantes da cultura afrodescendente, como Tia Ciata, Tia Bebiana e João Alabá – entre muitos outros – não haveria guarida para o samba nos seus primórdios de formação urbana no Rio de Janeiro. Foi nessa mistura justa de música, festa e religião, que o samba surgiu até se criar como um gênero musical autônomo. Mas a raiz da coisa era a reafirmação e valorização da identidade negra. E por isso foi perseguido, tanto a religião quanto a música.

Essa perseguição continua, mas não é só pra sufocar a voz do negro e do pobre. Hoje, há interesses quase que medievais. Um a suposta disputa, uma guerra de picuinhas, em que pessoas se acham no direito de inventar mentiras para difamar as religiões de raiz negra, para enaltecer segmentos que são inventados como salvadores, mas que só agregam elementos de outras religiões, mas sem o compromisso de serem honestos. Não há ética que se sustente quando o inimigo mitológico da sua religião é um bem feitor de outra. Como assim? Seguindo esse pseudo“raciocínio”, Zeus é o heroi e o vilão é Thor?

Só porque você prefere laranjas, não precisa esmagar maçãs. A menos que você tenha algum tipo de receio que as maçãs tomem o lugar de suas laranjas na preferência popular, ou que maçãs sejam empecilho no seu intuito de que tudo sejam laranjas para não haver “concorrência”. Lei capitalista da oferta e da demanda. Se tudo for laranja, o vendedor de laranjas arrecada muito mais pra carregar na cueca quando viajar pra ilhas que sediam paraísos fiscais.

Quando se insere o medo no coração e na mente dos mais ingênuos, os maliciosos dominam suas almas.

 

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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