25 de julho: Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha

Mulheres marcantes na defesa da cultura afro-descendente: Tia Ciata, Tia Bebiana, Mãe Menininha do Gantois, Vó Maria Joana, Tia Maria (ambas do Jongo da Serrinha), Clementina de Jesus, Tia Vicentina, Tia Doca, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Leci Brandão, Alcione, Dona Zica e Clara Nunes. São só algumas das tantas que enaltecem e enalteceram nossa cultura.

25 de julho, especialmente, é dia de cantar assim: “Quero teu amor crioula (…)”. Porque é o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. Isto, instituído no 1º Encontro De Mulheres Negras Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, República Dominicana, em 1992. Foi ali estipulado o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. O evento teve representação de mulheres negras de mais de 70 países. O motivo dessa luta é óbvio, negros já não ficam na vitrine cultural do mundo no geral, pelo preconceito estúpido ao longo da história, agora pense nisso somado ao fato de mulheres serem, também, uma categoria da sociedade que não recebe o devido valor (quando está vestida e debatendo temas realmente relevantes para a evolução mental da sociedade).

Uma luta que se dá todos os dias em busca de igualdade, respeito e justiça, ninguém fala. Tanta novela, filme e música, e a mulher negra só é lembrada no carnaval pela pouca/nenhuma roupa que usa (?!). Mulher não é aquele pedaço de carne sacolejante que se orgulha (?) por ser objeto sexual. Não é aquela pessoa carente que fica feliz e grata pela oportunidade de estampar um “ensaio sensual”, como forma de reconhecimento por um “talento” descartável. Mulher que luta sabe que o oportunismo de se pegar carona numa barca furada de “gostosa” é para quem não sabe seu devido valor. Inteligência é que é afrodisíaco. A consciência de que pode ser mais do que admitem os “líderes do sistema”.

A luta da mulher, por igualdade, é tão ferrenha quanto a do negro. Imagina a luta da mulher negra.

Este blog tem, no nome, ‘raiz do samba’e o foco é, como diz no “subtítulo”, a defesa e valorização da cultura de onde vem o samba e o contexto onde ele está inserido. Tanto que, a partir de agora, vou me referir ao samba como Samba, pois, geralmente, falo da cultura nascida aqui no Brasil. E a fundamental importância da mulher se representa nas tias baianas, que abrigavam os ritos religiosos seguidos de festas, na época da perseguição ferrenha. Essas Yalorixás estavam lá quando sua cultura mais precisou.

Então, no contexto da reafirmação da luta da mulher negra por respeito e igualdade, vamos lembrar de Mãe Menininha do Gantois, Tia Ciata, Tia Bebiana, Clementina de Jesus, Tia Maria (do Jongo da Serrinha), Vó Maria Joana (mãe de Mestre Darcy, do Jongo), Dona Yvone Lara, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra, Clara Nunes, Beth Carvalho, Alcione, entre tantas outras que merecem nosso respeito e admiração.

Sugiro que se pesquise esses nomes na internet. Googles, wikipedias e youtubes da vida, por exemplo. É um deleite pesquisar sobre a história da cultura e conhecer um pouco mais desses atores sociais, figuras fundamentais para nossa cultura.

Curiosidade: Crioulo(a)

Já está tão no imaginário popular que existe um sem número de músicas e demais obras artísticas que lidam com a palavra e nem se faz questão de explicar. Nem é exatamente carinho, nem exatamente ofensa. Depende do contexto. O termo, além de designar pessoas de pele negra em geral, na verdade significa escravos negros – e descendentes – nascidos na América do Sul e descendentes de europeus nascidos na América espanhola.

Enfim, crioulas do meu Brasil – e do mundo – sintam-se afagadas, respeitadas e apoiadas, pois, este crioulo aqui está com vocês nessa luta.

É um absurdo que ainda em pleno século 21 se precise lutar para que a sociedade trate a todos como iguais, sem diferenças menores.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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