Renascença Clube Ama o Rio de Janeiro

Cheguei no lendário e aconchegante espaço do Renascença Clube com a melhor expectativa possível. Fui correspondido. Clima agradável. Do tipo que consegue ser tranqüilo e animado ao mesmo tempo. Como um bom samba, daqueles que a gente canta sem pressa, sem medo de errar. Curtindo o momento. E nesse clima, a roda de samba já cativava os presentes há algumas horas, quando se anunciou o início da primeira etapa do concurso para novos talentos do Samba, “Eu Amo o Rio de Janeiro”. Mas, antes, vamos falar do lugar que sedia todo o agito. Falemos do Renascença – Rena, para os íntimos.

O clube foi fundado em 17 de fevereiro de 1951 para ser um local de convívio social, de respeito e liberdade para o negro e sua cultura. Um foco de resistência de uma cultura, que nunca foi lá muito respeitada, quiçá naquela época, com todo o preconceito e perseguição ao Samba. No final da década de 1950, o clube saiu da Rua Pedro Carvalho, no Méier, para a Rua Barão de São Francisco, no Andaraí, onde se situa até hoje. Entre concursos de beleza, eventos de Black Music e rodas de Samba, o Renascença Clube se firmou como um dos pólos de cultura negra, no Rio de Janeiro. Um ambiente social de respeito e reafirmação da herança cultural afro-descendente.

Quem disse que segunda-feira é dia de preguiça?

Hoje em dia, destacam-se o Samba do Trabalhador – famosa roda de samba que anima as improváveis preguiçosas (?!) segundas-feiras – e o Encontro de Bambas – que acontece aos sábados – isso entre outros eventos. Desde 2011, o Renascença é tombado como patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro. Essa ação da prefeitura demonstra a importância cultural do clube.

Tamanha relevância não traz só a responsabilidade, mas também a capacidade de se desenvolver festivais, como o antes mencionado “Eu Amo o Rio de Janeiro”, o concurso de samba para novos talentos, mas que tem gente cascuda também, mostrando o quão democrático o concurso é. Uma parceria entre o Renascença, o Movimento Imagina Rio e o Cultne (Acervo Digital de Cultura Negra, que me permitiu presenciar essa beleza de acontecimento da cidade do Rio de Janeiro), com apoio da Globo Rio.

Falando diretamente sobre o festival, essa primeira etapa nos mostrou, dos três sambas apresentados, dois sambas bem pra frente, no “estilão” samba-enredo e um samba-de-bréque. Difícil a missão dos jurados, que estão entre velha guarda e freqüentadores do local. Como disse o Vice Presidente de Relações Publicas e Progranda, Araquem Azeredo, após a apresentação dos participantes, “Eu não queria ser jurado (…)”. Entre cadências e marcações, o festival promete. Foi só o começo, aguardemos as demais etapas, pois, o material selecionado está muito bom. Quem ganha é o Rio de Janeiro, e sua agenda cultural.

Leia mais em:

Cultne;

Renaclube;

Renascença Clube Online.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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