Capoeira: Jogo de Angola (Dia 3 de Agosto, Dia do Capoeirista)

Minha arte conceitual representando a capoeira.

Isso que é um jogo.

Isso que é uma dança.

Isso que é uma luta.

Isso que é uma luta, não só por ter golpes, mas por ser elemento de suma importância na manutenção e valorização da identidade do negro, do carioca, do brasileiro.

O que era visto com maus olhos pelos senhores, acabou sendo desenvolvido pra um tipo de dança. Assim era fácil se manter na luta. Percebem a ambigüidade? Pra luta permanecer, era preciso escondê-la. E o melhor modo de se esconder algo da repressão, é fazê-lo bem às vistas dos opressores.  Debaixo de seus narizes, o negro praticava sua capoeira ao som do berimbau.

A capoeira, assim como demais elementos da cultura negra, foi marginalizada tão logo o negro se viu “livre”. “É coisa de preto” (inclusive, já vi gente associar tudo da cultura africana no Brasil como “macumba”. Absurdo).

Depois de se disfarçar a capoeira numa dança, ela precisou ser escondida, pois veio sua proibição, visto que um negro levava muito mais vantagem que um “não negro” numa luta de mãos limpas. Foi quando, na Bahia, em 1932, Manoel dos Reis Machado, o Mestre Bimba, fundou a primeira primeira academia de capoeira. Depois de uma enxugada no estilo – que ganhava cada vez mais contornos de exibição folclórica para turistas – Mestre Bimba nomeou esse estilo enxuto de Luta Regional Baiana (lembrando que a capoeira ainda era proibida em todo território nacional). Talvez venha daí o nome “inglês” da capoeira: Brazilian Street Fight. Sei lá, isso fica pra outro post. Só a partir de 1940 é que a capoeira deixou de figurar no código penal pra poder ser admirada e “desmarginalizada”.

A arma dos negros na luta pela liberdade, a arma do malandro que escondia seu ferrenho jogo de cintura dentro de ternos bem folgados que permitissem movimentos mais soltos para atacar e se defender numa rixa com outro malandro, enfim… A capoeira, acima de tudo, é cultura, mas é esporte e merece seu lugar na cultura brasileira. É, dentre outros, um elemento que só nós temos. Assim como o samba, a Umbanda e outras bossas mais.

Besouro, de João Daniel Tikhomiroff, 2009. O filme conta a história do menino que cresceu no recôncavo baiano e se tornou lenda.

Vale a pena dar uma procurada no Youtube por vídeos sobre o assunto. Assim como suas representações no cinema. De uma forma mais lírica – meio corrida, é verdade – mas ainda sim válida é o longa Besouro (De João Daniel Tikhomiroff, 2009), baseado na vida de Mestre Besouro Mangangá. Mas há menções rápidas na Ópera do Malandro (De Ruy Guerra, 1986), por exemplo.

Deixo o link para o documentário Mestre Bimba: A Capoeira Iluminada (De Luiz Fernando Goulart, 2005) e a seguinte citação, que aparece logo no começo do filme:

“Capoeira é atitude brasileira que reconhece uma história escrita pelo corpo, pelo ritmo e pela imensa natureza libertária do homem frente à intolerância”.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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2 respostas para Capoeira: Jogo de Angola (Dia 3 de Agosto, Dia do Capoeirista)

  1. Luis disse:

    É impressionante até onde chega a ignorancia de algumas pessoas nessa pagina http://www.rabodearraia.com/capoeira/blog/post/view/identifier/A-CAPOEIRA-DESDE-O-DESCOBRIMENTO-DO-BRASIL-A-ORIGEM-DA-CAPOEIRA/ achei um post onde “mestre capoeirista” extremamente racista e iludido quer creditar a capoeira exclusivamente aos indios com base numa unica e vaga descrição de uma luta indigena, em meio a discusão até o credito pelo berimbau quiseram roubar, com base num instrumento só ligeiramente parecido.

  2. É, meu caro, eu até comecei lendo o texto tentando ver uma boa intenção de se unir culturas se auto-influenciando, mas é nítida a ignorância de alguém querer creditar as origens da capoeira aos indígenas por causa de uma tradução da linguagem tupi-guarani, já que muitas palavras têm traduções aproximadas não sendo a mesma coisa em várias línguas. E tentar afastar a influência africana do “amor” ao Brasil é ainda mais ridículo… Faz lembra aquela lenda da Hello Kitty, onde Kitty seria ‘demônio’ em chinês, “traduzindo” Olá, demônio. Obviamente esqueceram que kitty é gato filhote em inglês, né?
    Deixa que esse povo não ouviria nem que falássemos diretamente em seus cérebros, mas cuidado, daqui a pouco o Samba vai ser creditado a Estácio de Sá, o desbravador, não o bairro de onde surgiu a Deixa Falar de Ismael Silva e cia. Rá!
    Ele só não explicou como em Angola se jogava Capoeira se os negros de lá não tinham internet pra copiar dos índios. E eu não teria nada contra a tal crédito, mas se fosse algo a se levar a sério.

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