Samba: Arroz com Feijão

Honremos o nome de quem fez por onde para o Samba estar aí. Só dizer que é coisa de velho e que precisa renovar não é coisa de sambista.

O mundo não carece de Samba, nem de rodas de Samba. O mundo carece de valorizar o Samba. Valorizar sua raiz.

 

O que mais tem por aí é roda de samba, isso desde sempre, desde que o samba é Samba. Mas isso não adianta. Como disse Nelson Sargento, certa feita (que você confere aqui ), Dizer que o samba está bem porque o Zeca vende 1 milhão de cópias não é correto. E mais, mestre Aniceto deixou registrado em um de seus partidos, que Partido Alto é uma arte que “o carioca não conservou”.

 

Muito fácil escolher seu feijão e seu arroz preferido na pratelheira do mercado e bolar mil e uma combinações diferentes em cima daquilo. Talvez um tempero com pimenta, dendê, cuminho, coentro e cheiro, uma cebolinha… Mas isso não reaviva a arte e a cultura, só perpetua vendas. E a coisa vai se modificando até se afastar de vez da raiz verdadeira. O que conta mesmo é valorizar quem trabalhou para aquele feijão com arroz chegar ao seu prato.

 

Parece valorizar demais algo que não precisa, mas o corriqueiro do

Defender a cultura popular não é coisa de velho, negro ou recalcado. Sem a cultura, o mercado não tem de onde tirar sua matéria prima.

Samba é justamente essa ligação com o passado. Se o passado não serve de referência, não é samba, é pop. Nada contra, mas que se assuma a postura pop e não se tente degradar a imagem de uma arte secular em benefício de uns trocados e uma pseudo-popularidade. Se você quer bicar um caviar, vá e lambuze-se, mas não diga que aquilo é arroz com feijão feito do seu jeitinho todo especial. Não é. E não adianta repetir várias vezes, uma verdade não se cria assim. Apenas é. Ou não é.

 

Tanto se batalhou, tanto se fez pra que o Samba conseguisse chegar em pleno século XX com sua identidade respeitada e muita gente só o faz no automático. Repete vários bordões e clichês como um slogan de um produto muito valorizado financeiramente, mas sem a devida importância cultural creditada. Valorizemos não só o Samba, mas aqueles que fizeram por onde até ele sobreviver aos percalços para que nós, em plena era da informação, pudéssemos viver essa realidade de se reunir um povo em volta de um grupo tocando e cantando como faziam nossos ancestrais, imediatos ou não.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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