Nei Lopes – Zumbi 300 anos – Canto Banto (1996)

Sabe aquele momento em que você vai procurar mais sobre um artista de quem você é fã e descobre que uma parte desconhecida do grande público é uma das mais brilhantes de sua obra? Pois é, Nei Lopes me proporcionou isso. Além de ser tremendamente pesquisador, escritor e mestre na arte de compor, ainda tem uma plena e exemplar consciência da negritude inerente a todo brasileiro – independente da cor da pele.

Estou falando isso, pois, há um bom tempo, eu pesquisava mais sobre a obra de Nei Lopes e encontrei esse diamante da cultura brasileira. É algo que engloba a arte, a cultura e é música da boa. Da melhor qualidade. O disco, de ’96, é um passeio por diversos ritmos afrolatinos e de várias temáticas, todas, abordando essa cultura igualmente. Sem brincadeira, eu recomendo que se conheça o álbum todo, mas devo destacar Nosso nome, resistência, por mostrar que não se resiste só em quilombos ou com protestos, mas também, simplesmente, mantendo as tradições e reafirmando a raiz de nossa cultura. Com o Samba, Afoxé, Jongo, Umbanda, Candomblé, etc.

Enfim, até as que não falam diretamente da defesa de nossa cultura são muito divertidas, como Essa nega Guiomar e Lalá Morena, mas, pra mim, as duas que simbolizam tudo o que quero dizer são a já citada Nosso nome… e a saideira do álbum, A epopéia de Zumbi, que canta em estilo samba-enredo a formação de Palmares, passando pela chegada de Zumbi à liderança da comunidade e todo o mito que se tornou até seu fim, devido a traição. Mas o que eu ressalto aqui, muito importante perceber, aliás, é a definição do referido quilombo como o primeiro estado livre do Brasil. Emocionante!

O disco é uma obra-prima, mas como o que importa na cultura em massa das empresas de comunicação é apenas o divertimento descartável, esse trabalho de Nei Lopes nunca seria mesmo mainstream. Cultura não é pra todos, ainda, infelizmente, mas, terminando o texto de forma oportunista e perspicaz, nosso nome é resistência, olha nosso povo aí!

1 – Nosso nome, resistência (Zé Luiz – Sereno – Nei Lopes)
2 – Ginga, Angola! (Nei Lopes)
3 – Lalá Morena (Nei Lopes)
4 – Afrolatinô (Cláudio Jorge – Nei Lopes)
5 – Pega no pilão (Wilson Moreira – Nei Lopes)
6 – Maracatumba (Efson – Nei Lopes)
7 – Samba, Iaiá (Wilson Moreira – Nei Lopes)
8 – Canto pra Angana-Zâmbi (Serafim Adriano – Nei Lopes)
9 – Mironga do Mato (Wilson Moreira – Nei Lopes)
10 – Essa nega Guiomar (Nei Lopes)
11 – O velho na ladeira (Wilson Moreira – Nei Lopes)
12 – A epopéia de Zumbi (Nei Lopes)

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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