Dia Nacional do Samba: A pé do Rio a Salvador

ancestralidadecoresDizem que o Samba nasceu na Bahia, dizem que ele é do Rio de Janeiro, mas a verdade é que ele é do Brasil. Hmm… demagogo demais? Então, deixa eu expor minha opinião sincera: É um processo que se inicia na África, como uma gestação, vem para o nordeste – principalmente a Bahia – onde esse ser vai se desenvolvendo até nascer e ser trazido, ainda muito jovem, para o Rio de Janeiro. Os baianos e baianas eram maioria dentre o povo que migrou pra cá, pro Rio, ao final da escravidão. Concentrados na região da Pequena África, ali pelo Cais do Porto até a Praça XI, foram esses baianos, babalorixás e ialorixás que mantiveram a cultura negra como que num nicho específico dentro da cidade (daí o nome Pequena África). Não à toa que existe uma ala obrigatória nas escolas de samba que, mesmo sem ser um quesito a pontuar, pode tirar pontos da escola por sua ausência ou falta de cuidado, a ala das baianas.


arybarrosonabaixadosapateiroEssas mulheres, também chamadas de tias baianas, recebiam o povo em suas casas para as práticas de sua cultura, isto é, o Candomblé e o Samba – que ainda era em sua forma mais ruralizada, baseado nas batucadas e umbigadas, apenas ritmo e dança. Dali pra se agregar música, harmonia e letras foi um pulo. Tai o Partido Alto que não me deixa mentir. A macumba ganhou terreiro e o Samba ganhou escola, Chico Palha foi expulso da polícia pra pedir esmola e Ary Barroso compôs Na baixa do sapateiro, uma singela homenagem à Bahia… Mas ele nunca tinha ido lá! Agora um breve ‘parênteses’ pra explicar Ary Barroso. Ary era mineiro, mas foi no Rio de Janeiro que ele fez sua vida e de onde mostrou ao Brasil seu talento. Foi com sua Aquarela do Brasil, por exemplo, que se inaugurou o sub-gênero Samba-exaltação, por exemplo.

Só que foi um outro sucesso seu que nos trouxe até este texto, o já citado Na baixa do sapateiro. Como Ary homenageou a Bahia, mas nunca tinha pisado lá, no dia em que isso aconteceu, em Salvador, o vereador Luís Monteiro aprovou uma lei que declarava aquele dia – 2 de dezembro – como o dia do Samba. Então ficou assim, o mineiro do Rio de Janeiro (hein?) homenageou a Bahia e a Bahia homenageou o compositor. Apesar de, hoje em dia, a comemoração ser nacional, apenas duas cidades homenageiam massivamente o Samba: Salvador e Rio de Janeiro (Sacou a referência do título em trocadilho com versos de Por você e Tá perdoado, bacana? Rá!). Rio de Janeiro e Salvador são cidades unidas pelo Samba e a raiz do Samba é que está em foco.

 

 

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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