Luiz Gonzaga – Rei do Baião 100 anos

No começo, Luiz frequentava os locais tocando músicas de outros gêneros.

Luiz Gonzaga completaria 100 anos de idade hoje, 13 de dezembro de 2012. Ele já foi homenageado com o lançamento do filme Gonzaga – De pai pra filho, com o enredo (vencedor do carnaval) da Unidos da Tijuca, inúmeras reportagens e documentários (novos ou relançados)… Mas, minha posição aqui é mostrar que Gonzagão também está na raiz do Samba.

 

Pra começar, ele foi o primeiro fenômeno de mídia de massas, pois, resolveu fazer o que sabia melhor – que era reescrever a música nordestina – em vez de ficar no mais ou menos de tocar fados, valsas e choros sem paixão, enquanto esperava, quem sabe um dia, a sorte lhe sorrir. Ele tocava, chegado de Exu, na região do Mangue, onde ficava a Vila Mimosa antigamente (quem não souber o que é, pergunte ao marido, Rá!), no Estácio – época e local freqüentados por gente como Wilson Batista e Noel Rosa, por exemplo.

 

Mas vamos à música e a importância do rei do Baião. Eu sou suspeito pra falar, pois sou profundo admirador de ritmos regionais, seja qual fora região brasileira, pois, acho nossa cultura muito rica pra ser apenas vendida como um produto industrializado. E é aí que ele me conquistou, já que foi ele quem pos a música nordestina – quiçá brasileira – no mapa cultural do Brasil. Foi bem na época que o Samba andava tentando se firmar, mas o que dominava mesmo era o Jazz, o Bolero, etc. Nada muito nacional. Aí, chega aquele caboclo do interior do nordeste e lança aquelas vestimentas de cangaceiro pra fazer som de vaqueiro do interior de Pernambuco. Isso no meio de comunicação mais penetrante (UIA!) de todos, o rádio.

 

Foi nessa época que Getúlio Vargas permitia, recentemente, que as rádios fossem abertas à publicidade e à música brasileira. Pra dar noção, nessa época Cartola e Nelson Cavaquinho já eram compositores de gabarito. Assim como Donga, Luiz Gonzaga não criou o gênero que o consagrou, mas soube dar uma forma própria baseada em sua estrutura folclórica. O rei do Baião, na verdade era o rei do Pop brasileiro, no sentido literal. Popular. Foi o primeiro a fazer turnês, quando a maioria só ficava entre Rio e Sampa; desenhava suas roupas e coreografias e ganhou esse brasilzão de meu Deus.

Lembrando que Baião é só um dos elementos que, junto ao Coco,

O rei só se consagrou mesmo tocando ritmos nordestinos no programa de calouros de Ary Barroso. A partir daquele sucesso, foi vestir a indumentária de vaqueiro com chapelão estrelado estilo Lampião e fazer história.

Xaxado, Xote e outros, formaram, a partir dali, de modo ‘oficial’ a cultura que genericamente conhecemos por Forró. Mas seu braço povão, sua contraparte original, que é feita na base de bate-coxa, xaxado, arrasta-pé e essas coisas. Seria, comparando paralelamente, um partido alto sambado na ponta do pé, marcado na palma da mão e firmado no gogó.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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