Dia da Bossa Nova: 25 de janeiro

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Tom Jobim, aniversariante póstumo do dia e inspiração para o dia da bossa nova.

A Bossa Nova é uma vertente do Samba com forte influência do Jazz no seu início, passando a se relacionar mais intimamente com o chamado samba de morro nos idos de 1960, com a criação do CPC (Centro Popular de Cultura) da União Nacional dos Estudantes, principalmente em eventos de contra-cultura e resistência cultural como a Noitada de Samba, no Teatro Opinião, quando começou a se forjar não mais a bossa nova ou o samba, mas a MPB, uma música feita além dos rótulos até então estabelecidos.

 

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Chico Alencar, que idealizou homenagear Tom Jobim propondo o dia da bossa nova para mesmo dia de nascimento do maestro.

O dia estabelecido, não à toa, foi 25 de janeiro por ser o dia e mês de nascimento de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, nosso famoso maestro Tom Jobim (1937 – 1994), eleito pela revista Rolling Stone, como o maior expoente de todos os tempos da música brasileira. Basta ver o alcance de seu trabalho e talento ao redor do mundo, desde regravações a influências diretas em músicos pelo planeta. Daí, a ideia do deputado federal Chico Alencar (PSOL/RJ) de estipular um dia a ser comemorado em todo território nacional para homenagear, não só um sub-gênero da nossa rica música popular brasileira, como um dos pioneiros dele.

 

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João Gilberto, o ‘papa’ da Bossa Nova e inaugurador oficial da vertente.

A curiosidade fica por conta do nome, já que a gíria bossa vem popularizada de uma canção de Noel Rosa, Coisas novas, “O samba, a prontidão e outras bossas (…)”. A expressão também já havia sido usada para o Samba de breque. Depois, na década de 1950, uma galera papo firme da Zona Sul carioca começou a se reunir e tocar um lance de Samba, mas com influências fortes do jazz, uma coisa que era novidade, ou seja, literalmente uma bossa nova – lembrando que ‘bossa’ significa algo como uma ‘parada nova’.

 

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Vinícius e de Moraes e Baden Powell e o revolucionário Afro-sambas.

O nome pegou, o subgênero cresceu e acabou voltando à raiz através de Vinícius de Moraes e Baden Powell com o clássico Afro-sambas (1966), aliás, recomendo muito que procurem esse trabalho, é inspirador, pra ser o mais sucinto possível. Devido à sua influência, a Bossa Nova deu origem à chamada MPB, quando os elementos de samba e da própria bossa estão diluídos em outros elementos da cultura mundial que chegavam por aqui (desde os boleros, gafieiras orquestradas e jovem guarda até o rock anos ‘80) causando influência e sendo influenciado. É como uma mistura que serviu pra unir diversos ingredientes até termos um legítimo gênero sem definição, dependendo apenas da autenticidade de cada artista.

 

Esse ano, Tom Jobim completaria 84 anos e a Bossa Nova faz 55, desde sua estréia oficial, com o lançamento do 78 rotações de João Gilberto, que continha Chega de saudade. Acaba sendo também um filhote do Samba, já que a levada característica do violão é basicamente a toada do pandeiro no Partido Alto. Felizmente, desde 2005, temos mais esse componente da cultura brasileira pra revalorizar nossa história e identidade cultural.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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