Globalização na transmissão do carnaval

carnavalglobalizado1É irônico como um termo que leva à ideia de um mundo cada vez menor, em questão de queda de fronteiras e participação de pessoas e nações uns nos negócios dos outros e a ilusão de que podemos ir a qualquer lugar ou não sair do lugar para ter contato com o mundo todo. A internet e as políticas externas dos últimos 20 anos nos passam isso. Aí, vem a Rede Globo, e, a despeito do nome, nos traz um modelo de transmissão que restringe o alcance do carnaval televisionado. É como se pegassem o mundo e o privatisassem.

Estou falando das modificações na transmissão do carnaval de

Até o ano passado, a Globo cedia os direitos de transmissão do sábado das campeãs e no ano passado foi para o SBT, com direito até a equipamentos emprestados para minar a audiência da Record. Não funcionou e não teve campeãs na TV esse ano.

Até o ano passado, a Globo cedia os direitos de transmissão do sábado das campeãs e no ano passado foi para o SBT, com direito até a equipamentos emprestados para minar a audiência da Record. Não funcionou e não teve campeãs na TV esse ano.

sambódromo aqui pro Rio de Janeiro. Por muitos anos, antigamente a transmissão do grupo especial era feita pela Rede Globo e TV Manchete. Ficando a cargo da CNT os grupos de acesso (em geral, não vou especificar datas e procedimento, pois, não cabe aqui). Ultimamente, o padrão ficou na exclusividade da Globo, com o fino da bossa, ninguém com os grupos de acesso e as campeãs a cargo da Band – com as tiradas sempre muito perspicazes de Datena e cia (“Me dá iBagens!”).

Existem opções, como a transmissão do site Sidney Rezende, ou aqueles moldes "lance-a-lance" que se vê na internet.

Existem opções, como a transmissão do site Sidney Rezende, ou aqueles moldes “lance-a-lance” que se vê na internet.

Bem, a coisa já tinha formado esse modelo limitado e até entediante, mas mudou no ano passado, quando os direitos de transmissão das campeãs foram cedidos ao SBT (porque todos TODOS os direitos são da Globo), pois, em estratégia pela audiência, a emissora dos Marinho percebeu que a Band não brigaria tão bem com a Record pela atenção do telespectador. O plano falhou e o clã Abravanel não superou a turma do bispo. Assim, a Globo decidiu que, para 2013, não cederia direito algum. O que seguiu? Nada! Uma penca de recém-órfãos da tradicional transmissão do desfile das campeãs por puro fascismo televisivo.

Agora, amizade, me fala, não é uma sacanagem você ter que aturar

O carnaval é Globeleza, mas não é lá muito democrático, né? Não na TV aberta.

O carnaval é Globeleza, mas não é lá muito democrático, né? Não na TV aberta.

Zorra Total em pleno clima de fim de carnaval? Tu aí doidaço pra rever aquelas escolas que foram bem nos desfiles oficiais e se depara com a programação ordinária da TV aberta de sempre. É o resultado do monopólio, camaradas. O futebol ainda é repartido com a Band e tals, mas o carnaval pra você é só Rede Globo, de sábado à segunda e só. Depois, é a apuração e flashes de blocos, escolas mirins e, claro, das campeãs. É tipo quando sua mãe falava que você não podia ir brincar na rua, mas te oferecia um lanche bem gostoso pra te calar a boca, saca? Ou melhor, é tipo aquele seu colega dono da bola que não deixa ninguém jogar só porque ele não está na partida.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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