Candaces brasileiras: As mulheres guerreiras de nossa cultura.

Letra do samba de 2007 do Salgueiro, com as representações dos orixás femininos Iemanjá, Iansã, Oxum, Obá, Ewá e Nanã. Destaque par a foto de Tia Ciata - canto superior direito - por ser uma figura feminina primordial na cultura negra.

Letra do samba de 2007 do Salgueiro, com as representações dos orixás femininos Iemanjá, Iansã, Oxum, Obá, Ewá e Nanã. Destaque par a foto de Tia Ciata – canto superior direito – por ser uma figura feminina primordial na cultura negra.

Candace é o termo usado para determinar uma espécie de título atribuído a mulheres rainhas guerreiras que viviam em uma sociedade matriarcal ao sul do Egito. O termo Etiópia, usado para referir-se à região onde essa dinastia de mulheres viviam na era pré-cristã era sinônimo de uma área onde viviam os povos negros.

Dia 8 de março é dia internacional da mulher, então, nada mais justo do que homenagear – e apoiar lutando junto – utilizando referências à força das mulheres que fizeram diferença na cultura do Samba. Destaque para Mineira e Guerreira, duas músicas que falam claramente de Clara Nunes (trocadilho involuntário), mostrando o quanto a mulher pode ser forte, batalhadora e ainda assim ser mulher com seus trejeitos femininos, sua graça sem ser vulgar.

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Também tem a homenagem dos Acadêmicos do Salgueiro em 2007, com o enredo Candaces, falando das mulheres guerreiras, chamando, no refrão, às orixás femininas Iemanjá, Nanã, Oyá/Iansã, Oxum e Obá, simbolizando a força feminina. A escola não ficou nem para o desfile das campeãs (o título foi levado pela Beija-Flor falando da África, mas eu falo isso outra hora), o que foi uma pena, pois um tema tão forte merecia ser exibido mais uma vez, mas, c’est la vie.

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A homenagem e a luta estão aqui o tempo todo, mas não sejamos insensíveis ou machistas de achar que um dia só é um favor prestado às mulheres, a luta ainda não está perto do fim, pois é preciso que a sociedade entenda e respeite a mulher como um ser tão capaz quanto o homem (coisa que o é) e nem entrei – ainda – no mérito da mulher negra (falo sobre isso mais à frente no blog também).

Da esquerda para a direita em cima: Tia Ciata, Tia Bebiana, Mãe Menininha do Gantois, Vó Maria Joana (mãe de Darcy do Jongo) e Tia Maria do Jongo; no meio: Clementina de Jesus, Tia Vicentina, Tia Doca, Beth Carvalho e Dona Ivone Lara; em baixo: Jovelina Pérola Negra, Leci Brandão, Alcione, Dona Zica e Clara Nunes.

Da esquerda para a direita em cima: Tia Ciata, Tia Bebiana, Mãe Menininha do Gantois, Vó Maria Joana (mãe de Darcy do Jongo) e Tia Maria do Jongo; no meio: Clementina de Jesus, Tia Vicentina, Tia Doca, Beth Carvalho e Dona Ivone Lara; em baixo: Jovelina Pérola Negra, Leci Brandão, Alcione, Dona Zica e Clara Nunes.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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Uma resposta para Candaces brasileiras: As mulheres guerreiras de nossa cultura.

  1. Aristeu Castilhos da Rocha, cidade: Júlio de Castilhos, RS disse:

    Que imagem linda….Deusas do Samba… Clarinha que falta você faz !!!

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