Samba não é só música, não é só show… É cultura

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Vamos falar sobre história?

O Samba começou sua gestação na mãe África e veio engatinhar na Bahia, com a ajuda de seus irmãos e primos mais velhos jongo, lundu, umbigada/semba (mais provável parente a lhe dar nome), capoeira, coco e muitos outros. A partir daí, ele juntou com outros chegados vindos de outros países e até de outros estados bem próximos e veio se tornando o que conhecemos ao mesmo passo que participou de todas as fases do Brasil em algum nível, o que o faz um poderoso contador de histórias. Ou você não traçaria uma linha do tempo do próprio Brasil desde a República Velha, com a concentração do Samba na Pequena África, passando pela casa de Tia Ciata e a gravação de Pelo Telefone? E Noel Rosa, logo depois contando as crônicas daquele cotidiano e “discutindo” com Wilson Batista acerca das novas regras do Estado Novo de Gegê (Getúlio Vargas para os íntimos)? Assim, vamos pelo surgimento das escolas de Samba, a disputa sadia por espaço com a Bossa Nova, Jovem Guarda, a resistência cultural durante a ditadura, etc. E em todo canto da história, temos Samba pra testemunhar e contar de seu ponto de vista.

E a geografia? O Cais do Porto, a Pequena África, Madureira, Mangueira, etc…

Ciências sociais? Que tal a reforma de embranquecimento da cidade e o consequente escoamento da população negra para as favelas? Disso, podemos vir até as cotas em universidades públicas.

Fora o folclore e todo o misticismo em torno do querido arquétipo do malandro, da mulata, da passista, da baiana…

Língua Portuguesa? Veja as palavras de difícil acesso hoje em dia que os mais humildes usavam com naturalidade, mesmo que a maioria nem tenha frequentado uma escola pra aprender o básico. Quem hoje em dia, que não se espelhe diretamente nos grandes do passado poderia usar normalmente palavras como ‘lenitivo’, ‘acalanto’, ‘suplantar’, ‘bojo’, sem falar na conjugação correta do ‘tu’, compreendeste?

Enfim, o ponto aqui é exatamente esse, não é só música, não é só entretenimento, é algo mais, é algo, um gesto simbólico de bater no peito e reconhecer seu valor, o valor da cultura de um povo que ergueu e sustentou esse país até hoje, e que só veio a agregar, mesmo sendo vítima do racismo introjetado na sociedade (falo mais sobre isso futuramente), não abaixa a cabeça enquanto tiver Samba pra desafogar o coração.

Já diria Dona Ivone Lara: “Negro é uma cor de respeito, negro é inspiração (…)”.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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Uma resposta para Samba não é só música, não é só show… É cultura

  1. acoplador disse:

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