Dona Ivone Lara: A história do Samba que liga passado e presente

donaivonelara - alguem me avisouCompletando hoje 92 anos de vida, a gloriosa grande dama do Samba é um dos baluartes da nossa cultura. Seu pai, João da Silva Lara, era integrante do Bloco dos Africanos e sua mãe, Emerentina, era pastora do rancho Flor do Abacate. Teve como parceiros de labuta seus primos (Tio) Hélio e (Mestre) Fuleiro, que lhe presentearam, ainda aos 12 anos, com um pássaro Tiê-sangue (que fora inspiração para a canção Tiê, Tiê, junto com a expressão ‘oialá-oxa’, herdade de sua avó moçambicana) . Teve como professoras (e admiradoras de seu talento) Lucília Villa-Lobos e Zaíra Oliveira, sendo a primeira, esposas do maestro Heitor e a segunda, primeira esposa de Donga.

 

Seu tio Dionísio Bento era integrante do grupo de chorões que comportava Pixinguinha e Donga. Com seu tio, aprendeu a tocar cavaquinho e com seu primo, Fuleiro, foi frequentar a Prazer da Serrinha em 1947, ano em que se mudou para Madureira. Casou-se com Oscar Costa, filho do presidente da Prazer da Serrinha, Alfredo Costa. Na escola, aprimorou seus dotes de sambista e conheceu seus amigos Aniceto, Mano Décio e Silas de Oliveira. Com a fundação do

Império Serrano (da qual foi participante) passou a frequentar sua escola, onde, em 1965, ingressou na Ala dos Compositores e compôs ao lado de Silas de Oliveira e Bacalhau, o clássico Os Cinco Bailes da História do Rio (primeiro samba-enredo a ter uma mulher na sua composição).

Aposentou-se em 1977 da função de enfermeira e começou a se dedicar exclusivamente ao Samba. O interessante de Dona Ivone Lara é que ela se destaca na história da nossa cultura como uma peça própria e peculiar, desculpem o clichê e a rima involuntária, mas ela é uma legítima jóia rara. Tem o ‘lararaiá’ embutido no nome, firmou presença e personalidade num ambiente de domínio masculino – a saber, o de compositores – e isso tudo sem ser musa, passista, Velha Guarda ou algo assim… Fez seu próprio caminho (muito apoiado por seu primo mais velho, Fuleiro, que cantava suas canções nas roda de samba enquanto a devida autora ainda se via tímida para adentrar naquele universo).

Emocionante ver essa baluarte de tão pertinho. Feira das Yabás de março/2013.

Emocionante ver essa baluarte de tão pertinho. Feira das Yabás de março/2013.

Tão única é sua carreira, unindo influências eruditas (de Heitor Villa-Lobos) e populares (seus familiares ligados ao Samba) e a alcunha que se tornou quase seu nome, mas que, a princípio, ela rejeitou, já que defendia que não tinha nem 50 anos quando lhe sugeriram o “título” de “Dona”. Mas tudo o que ela fez e passou a fez ser esse talento único de nossa música, com canções e parcerias que soam quase como aquelas músicas que sempre existiram, de tão naturalmente que vêm à mente, num cantarolar, num refrão famoso ou mesmo num laraiará.

Fique com um tostão da voz ‘de cantora de rádio’ da nossa dama:

Anúncios

Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
Esse post foi publicado em Tesouros do Samba e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Dona Ivone Lara: A história do Samba que liga passado e presente

  1. Texto lindo. O site dela é lindo. Viva D. Ivone Lara. Veio da encantaria para os mortais.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s