Carta para Rachel Sheherazade.

Cultura não é aquilo que é produzido pelo povo, apenas. É um conceito, uma ideologia, uma forma de se comunicar com aquela sociedade, naquele momento e a forma é só consequência. Sou tão contra a banalização do sexo quanto qualquer moralista – consciente ou não – mas não sou hipócrita nem arrogante pra não perceber – quem dirá, admitir – que dadas as configurações culturais, o funk é uma manifestação legítima. Já foi melhor? Já, mas isso não tira seu valor enquanto voz dos margilnalizados e bestializados da sociedade. Já foi mais “profundo” e pode voltar a ser ano que vem, daqui a 15 anos ou a partir de meia noite de hoje. E se a Bossa Nova é o oposto usado pela repórter pra referenciar os extremos da cultura, então ela sabe que uma das obras mais bonitas de Vinícius de Moraes, por exemplo, é chamada Afro-Sambas, que nada mais é que “macumba” na visão dos narizes arrebitados metidos a (DE)formadores de opinião. Então, me diz, você garante que Tom Jobim não acharia o valor cultural do funk se vivo estivesse?

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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