Curiosos nomes de blocos carnavalescos do Rio de Janeiro

Esta lista já era desejada e planejada por mim desde que o blog foi criado, há uns 4 anos, ainda como um backup de projetos de pesquisas que eu tinha – e tenho – desde a faculdade. Chegou a hora de valorizar aqueles nomes jocosos que marcam a cara e o perfil do carnaval de rua carioca. Levei em consideração não só a irreverência, mas a sagacidade também, pois, adoro um trocadilho e uma piada infame (mas quem me conhece de Facebook e de textos diversos na internet já sabe, né? Rá!). Pois bem, vamos lá:

Regula Mas Libera

Bloco apadrinhado pelo tradicional Carmelitas, o Regula foi fundado em 2007 e tem esse nome por ser criado e formado por servidores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O bloco abre oficinas para quem deseja participar da bateria e desfila sempre na quarta-feira que antecede o carnaval, no Centro do Rio. E você achando que se tratava de alguma tentativa de conquista amorosa em tempos de carnaval, hein?! Rá!

É Pequeno, Mas Vai Crescer

Parece sacanagem, mas o nome desse bloco era uma expectativa concreta. Em 2005, começaram como um grupo frequentador do bloco Escravos da Mauá. Em 2006, cresceram bastante enquanto grupo e se tornaram uma ala do bloco da Zona Portuária. Chegando em 2007, o contingente cresceu muito mais, o que demonstrou um grande apreço dos foliões, mas refletiu negativamente na organização do desfile. Em 2007 mesmo, decidiram mudar a ala Escravos do Século XXI para a Sociedade Cultural e Carnavalesca É Pequeno, mas Vai Crescer. O nome é jocoso pelo duplo sentido, mas externa exatamente o que aconteceu com um grupo de frequentadores de um bloco tendo que se ‘emancipar’ por atrair um público próprio.

Eu Choro Curto, Mas Rio Comprido

Afora o trocadilho meio que óbvio – e safado – em relação à alegria do carnaval sendo superior a algum tipo de tristeza – e o próprio nome do bairro – Rio Comprido, dah! – onde o bloco concentra e desfila – confesso que não encontrei muitas informações sobre a origem do bloco ou apenas do nome. Apenas descobri que o intérprete oficial é Dominguinhos do Estácio (da Imperatriz, da Viradouro…).

Vestiu Uma Camisinha Listrada E Saiu Por Aí

Esse, antes da pesquisa, eu achava que pudesse ser uma homenagem ao samba de Assis Valente, gravado por Carmem Miranda em 1937 e regravado por Leci Brandão em 1986, mas calma que tem um trocadilho de fundo (UIA!) social aí. A referência parece óbvia pra quem conhece o samba, mas o bloco é uma iniciativa do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, em parceria com a Rede de Comunidades Saudáveis/CEDAPS, Fórum ONGs Tuberculose-RJ e Fórum ONG AIDS-RJ, com apoio da Gerência Estadual de AIDS/SES-RJ e do Departamento de AIDS do Ministério da Saúde. O bloco desfila com a bateria da Unidos da Tijuca a metros de onde costuma ensaiar, próximo à Igreja da Candelária.

Concentra mas não sai

Fundado em 1995 e encabeçado por Beth Carvalho, o bloco de Laranjeiras foi concebido pra cantar sambas de Candeia, Manacéia, Nelson Cavaquinho e tantos outros, a filosofia do Concentra reza que a concentração é sempre mais legal que o desfile, então, nesse clima de ‘o melhor da festa é esperar por ela’, os foliões vão esperando, bebendo, cantando, dançando… no máximo de bar em bar, pegar umas geladas pra curtirem o bloco que não desfila… ou será que desfila parado? Pode isso, Arnaldo? A regra é clara, vale o que for divertido, é carnaval.

É pequeno, mas balança

Desculpaê, não achei fotos de nada relacionado particularmente ao bloco. Mas o cavalinho é pequeno e balança. Rá!

Como diz o nome – no contexto do carnaval, não vá levar na maldade, hein! – é um grupo pequeno que desfila aproveitando o espaço interditado pelo Suvaco de Cristo na Rua Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. É um bloco bem familiar e animado que, por vezes, nem anuncia o desfile (como em 2011, quando foi anunciado justamente o não desfile), talvez por essa aura quase informal até para um bloco carnavalesco.

Galinha do Meio-dia

Na Confeitaria Colombo, nasceu a ideia de se criar o Galinha do Meio Dia com inspiração no nome do Galo da Meia Noite, de Recife. Segundo Wagner Montes, a ideia era mostrar que galinha e praia podem ser sinônimo de folia e não necessariamente de farofa, pois desfila em Ipanema, pela orla da Avenida Vieira Souto. Desde 1995 vem fazendo a alegria de alguns milhares de foliões animados à beira-mar na Zona Sul carioca.

Largo do Machado, mas não largo do copo

Fundado em 2006 por uma turma de boteco a fim de fazer um carnaval legal, família, animado e beberrão, do jeito que o rei mandou. Esse também já é tradicional, tanto pelo nome ‘trocadalho do carilho’ e muito por ter uma proposta tradicionalista, trazendo aquele folião que curte uma nostalgia dos carnavais de sambas e marchinhas, que ainda insistem – graças ao deus dos deuses – em oferecer um pouco de identidade carioca ao carnaval tão descaracterizado no eixo Centro-Zona Sul. Ele desfila dando UMA volta pelo Largo do Machado, Catete pra, segundo o presidente do bloco, ninguém ficar tonto.

Seu lagarto mama

Não achei quase nada sobre esse, além de falar que nasceu de uma reunião de amigos (possivelmente em 2011) e tals, até aí, tudo quanto é bloco tem essa história, né? Mas o trocadilho já lhe valeu uma justa posição – e que posição safadjeeenha, hein! – nessa lista safada. Vila Isabel tem seu lugar no panteão dos trocadilhos safados em nomes de blocos.

Balança Meu Catete

Outro bloco com divertido – e pernicioso – trocadilho com o nome do bairro – Catete, dah! – onde desfila, mas também não arrumei muita coisa sobre a origem do bloco ou do nome. Talvez, por ser bem novo, ainda não tenha uma página oficial ou registros de memoráveis desfiles de 2011 pra cá. Aguardemos próximos carnavais.

Rebola Preta

Sempre que eu passo perto de casa, há um local específico na descida do viaduto de Cascadura que me intrigava todo ano. É a faixa anunciando um tal de Bloco Rebola Preta, elaborado de modo a parecer com o Cordão da Bola Preta (daí a confusão na minha cachola). Fundado em 2009, o Rebola Preta remete ao tradicional carnaval de bairro, carnaval de rua no subúrbio, aquela coisa da amizade, aconchego e folia. Isso não estava mais sendo possível no ‘Bola’, pois já estava lotando demais de uns anos pra cá. A galera se inspirou no nome do gigante do carnaval e trouxe pra perto de casa, em Cascadura, o clima que os atraía para a Avenida Rio Branco, no Centro.

Troféu folião-ninja-master-hors concours:

Só o Cume Interessa

Bloco fundado em 2006 que, a exemplo do Imprensa que Eu Gamo, traz no nome, referência à classe profissional que o originou. No caso do Cume, foram foliões de clubes montanhistas. Percebe? Não é só UMA piada, é a MELHOR piada de todas! O trocadilho supremo-ninja-master-uber-gold! É uma frase das mais safadas da história da Língua Portuguesa e realmente é coisa de montanhistas (tanto de escaladas quanto de caminhadas), ou seja, quem pratica tal atividade só poderia almejar mesmo o pico… ou o cume… er… mas isso já dá margem a outros trocadilhos – fica pra depois. Sem dúvida, na minha opinião, é o nome que mais amarrou seu contexto interno ao clima do carnaval. O Cume sai sempre no sábado que precede o carnaval na Praia Vermelha, bairro da Urca, Zona Sul do Rio.

Confira um trechinho do samba de 2012, pra ter noção do clima de embalo:

“Nesse Carnaval eu quero escalar
Não tem nada que me impeça
Não vou dizer que não gosto de beijar
Mas só o cume interessa”

É cada um nome mais safado que outro, né? Pois a graça, pra mim, está aí, isso é todo clima de carnaval e irreverência que só se tem na rua, no carnaval de aceso ao povo, como deve ser.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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2 respostas para Curiosos nomes de blocos carnavalescos do Rio de Janeiro

  1. Bange disse:

    Fernando, obrigado por retratar fielmente o nascedouro do bloco.É Pequeno, Mas Vai Crescer…”
    Continuamos crescendo a passos de tartaruga, bem ao nosso gosto, pois nos mega-blocos perdeu-se o espírito dos carnavais de rua.

    • Eu que agradeço pela leitura e comentário, eu já conhecia por alto, mas foi realmente um prazer pesquisar sobre os blocos, coisa que eu já gosto desde pequeno. E fico mais feliz ainda em saber que além de ter acertado sobre o “É pequeno…”, é ver que ainda existem blocos com o gosto pela festa em si e não a micaretização que acontece, sobretudo no centro e zona sul. Valeu mesmo!

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