Rock in Carnaval

Quando se aproxima um Rock in Rio, diante das confirmações dos artistas que não são do metiê do bom e velho Papai Noel Rock’N Roll, sempre aparece uma legião de fundamentalistas para falar “Ivete?! Ela tem que cantar é no carnaval”, por exemplo. Não chego a achar tão errado assim, pois a cantora baiana já é rainha no seu próprio universo e morde bastante fora dali, enquanto cantora de música popular brasileira o resto do ano. Também tenho noção de que nem no primeiro festival, de 1985, as atrações eram exclusivamente Rock, mas parte do público que faz alarde é meio carente, então não quer dividir espaço com mais ninguém. Eu respeito isso, apesar de saber que o ‘rock’ do nome do festival não é gênero musical, e sim no sentido de ‘agito’, pois a proposta é agitar musicalmente a cidade maravilhosa que o sediar.

Em contrapartida, no carnaval alguns blocos que mal surgiram e já são modinha entre os foliões de ocasião, arrastam essa multidão específica ao som de Beatles, Raul Seixas, Los Hermanos, Roberto Carlos e outras iguarias musicais. Agora eu digo, no carnaval, vale tudo mesmo? Não vem nenhum roqueiro chiar que seu som não pode se misturar? Eu pergunto com sinceridade, sem ironias, dessa vez, pois sou tão fã do Metallica e do Megadeth quanto dos Originais do Samba e Fundo de Quintal, então, música por música, eu fico com o lado sensorial da coisa, mas para fins comerciais, acho que ou a farofa vai pros dois lados, ou cada é  um no seu quadrado. Carlinhos Brown levou garrafinhas de plástico pra casa no RiR de 2001, mas ninguém joga saco de mijo no Sargento Pimenta.

No fim das contas, as pessoas ficam brigando por uma inexistente rixa musical, supremacia cultural e qualquer disputa infantilóide dessas pra, no fim das contas , ver que quem ganha mesmo com esse cenário não está nem aí pra gosto musical. Eles vão encher a bola de qualquer coisa que os faça lucrar. Aliás, tenho convicção em pensar que colocariam Alceu Valença cantando valsa numa rave se houvesse promessa de grande público pagante. Não sei porque, mas acho que isso tem a ver com Pedro Luís, sua Parede e seu Monobloco, subvertendo a tradicionalidade, mas Luís ainda se preocupou em manter um pé no cancioneiro de ritmos populares brasileiros.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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