Wanderley Monteiro – Vida de Compositor

Compositor desde os 20 anos, funcionário do Banco do Brasil e um dos mais jovens da antológica geração Cacique de Ramos, que explodiu o mundo em alegria da década de 1980 pra cá, falar sobre esse compositor já estava nas minhas intenções há tempos, desde que um leitor sugeriu seu nome num comentário. Antes de mais nada, pra você se ligar em quem é o homenageado deste texto, ele é um dos autores de Água de Chuva no Mar (A gente se fala no olhar (no olhaaar) / É água de chuva no mar (nooo maaar) / Caminha pro mesmo lugar / Sem pressa, sem medo de errar / É tão bonito / É tão bonito nosso amor (…)).

Como eu não poderia apenas julgar a carreira e o talento de alguém apenas por um sucesso, fui ouvir direto da fonte, então, apreciei os dois discos lançados: Vida de Compositor (2004) e Consagração (2012) e, caras, assim como faz o samba de Wanderley Monteiro, meu comentário não faz alarde, mas é certeiro: Bom gosto. Não no sentido genérico, é que é uma arte tão refinada, tão cuidadosa, que você vai ouvindo até perceber que a música acabou e ficar com cara de ‘ué, acabou a luz?’. De um disco para o outro, nota-se uma diferença de estrutura na parte instrumental, com o segundo disco tendo mais presença do banjo, por exemplo, e a coisa está mais batucada. Já no debut, os arranjos são mais clássicos, dando um ar de coisa antiga feita hoje – o que, em se tratando de samba, é bem positivo. Sem contar as linhas melódicas que ele põe nas canções.

As melodias e o próprio modo de cantar de Wanderley, a princípio, me fizeram lembrar Monarco ou Paulinho da Viola. Com uma alma de samba, mas uma doçura que mescla muito bem tanto um clima de quintal de chão cimentado com o de um almoço dançante no salão de festas. Mas, depois de pensar nisso, os próprios ícones portelenses fazem o som da Velha Guarda, então, concluí que é isso, é aquele jeitão dos sambas de antigamente, mas ele é da geração que revolucionou o samba mais recentemente, a que eu chamo geração-cacique. Só posso dizer que é uma arte cuidadosa, na produção de Paulão 7 Cordas. Uma feliz configuração de boas parcerias, letras e melodias caprichadas e uma bela produção nas gravações.

É isso, rapeize, pra embalar seu churras ou pra passar o tempo com um fone de ouvido no transporte coletivo, recomendo Wanderley Monteiro pra te deixar leve com um samba competente e transcendental.

Fonte: Dicionário Cravo Albin.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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