Neguinho da Beija-flor, As Críticas e a Copa 2014

Esses momentos de comoção, como na derrota do Brasil, ontem (8 de julho), pelas semifinais da Copa 2014 me fazem buscar uma explicação bem simples sobre o fato de sermos criados a base de leite, pão e ufanismo futebolístico. É só um esporte. Mas, calma, que existem muitas implicações nessa simples frase.

Pois bem, brasileiro não aceita perder no futebol, aprende desde cedo que somos os melhores e o resto é figuração em nossas festas. Achamos, por exemplo, uma tremenda graça na atual campeã do mundo, Espanha, levando uma sonora goleada da Holanda, mas quando é em nossas redes, aí, não, aí, é uma humilhação que só pode ter sido combinada. Caras, nem vou detalhar o tanto que precisaria pra se combinar um resultado num jogo de grandes proporções assim e como isso não faria diferença alguma no cenário político e social (tem gente achando que um resultado favorável na Copa faria o brasileiro esquecer de seus problemas). Mas tem mais.

Pra dar uma explicação que amarra bem a necessidade que o brasileiro tem de se sentir superior no futebol, a conseqüente rejeição à ‘normalidade’ de sua seleção e como teorias conspiratórias não se sustentam. Vamos de Samba pra isso. Ou melhor, vou me basear numa impressão dada por Neguinho da Beija-Flor, diante das críticas sobre a vitória da escola em 2011, quando homenageou Roberto Carlos. A questão foi que a agremiação de Nilópolis foi alvo de comentários insinuantes que ficavam entre  combinação de resultado, influência da Globo e do homenageado e um certo vício dos jurados de favorecerem o nome da escola (e os nomes influentes de lá).

Antes de mais nada, eu não gostei daquele enredo, acho uma preguiça estrondosa você se prestar a homenagear um artista na situação de Roberto Carlos e sim, concordo que o próprio cantor vira caminho fácil pra um desfile sem ousadia, sem ensejo cultural carnavalesco ou histórico e muito pouco assunto a se desenvolver, dado o luxo e gigantismo que o carnaval de sambódromo alcançou. Mas, uma coisa eu preciso reconhecer, dito por Neguinho numa entrevista ao RJTV, que infelizmente não achei link ou vídeo pra pelo menos transcrever, mas lembro vividamente do teor de sua resposta sobre ser alvo de falatório quando se está ganhando, mas não ter sua luta reconhecida, enquanto perdia.

O cantor da princesa nilopolitana defendia sua escola dizendo que muitos se incomodavam com a hegemonia atual da Beija-Flor (6 títulos dos disputados entre 2001 e 2011), mas ninguém acusou de armação todos os anos que a escola ficou pra trás. Procede, pois a Imperatriz também foi alvo de tais críticas nos anos que teve Rosa Magalhães e seus desfiles chatos técnicos vencedores. Holofotes trazem mais exposição. Óbvio. Então, fica a lição para os torcedores que ainda não aprenderam a observar, o futebol não é nosso, o mundo inteiro aprendeu a jogar de forma objetiva e compacta, enquanto o Brasil fica feliz com dribles desconcertantes, mas que não defendem e nem fazem gol. Era só uma questão de tempo até a Seleção atual se deparar com um real desafio, pois já não vinha convencendo, mas como estava ganhando, ninguém achou melhor falar, pra não parecer o chato da galera, talvez.

Se foi por armação que o Brasil perdeu de 7, então só posso achar que esse povo da alta roda combina muito descaradamente as coisas, pois seria um resultado improvável pro povo engolir, não? Outra, perdeu em 1998 e teve quem gritasse que foi armação também, mas ninguém achou armação a vitória ano passado sobre a campeã mundial Espanha, pela Copa das Confederações. Aliás, Se ganhar ou perder, vai ter gente achando armação. Então porque insistem em torcer, oras? Acho tudo uma mania de não saber perder simultânea ao ‘roubado é mais gostoso’. Amadorismo pra jogar e pra torcer. Achou-se um tremenda graça da Espanha e de Portugal levando surras memoráveis (chupem, colonizadores!!! Rá!), aí, quando chegou nossa vez de mostrar que aprendemos direitinho… Povo chora? Esse ufanismo infantil é besteira, o carnaval é que é a festa democrática, tem festa no salão, na rua e você faz o que quiser com alegria. Futebol não, gente, futebol depende de um lado vencedor e outro derrotado. Desta vez, o Brasil foi derrotado. Não se faz Copa com derrotas. Não?

Agora, no pior ensejo irônico do mundo, vamos cantar: Domingo, eu vou ao Maracanã…

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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