Almir Guineto

Essa foto tem uma curiosidade sobre minha própria história com o banjo, pois, assim como a foto, meu interesse pelo instrumento vem lá dos idos de 1980 pra 1990, quando justamente numa praia, eu ouvi aquele som e pirei.

Biografia

Nascido em 12 de julho de 1946, Almir de Souza Serra (o Guineto) é filho de Iraci de Souza Serra, violonista do grupo Fina Flor do Samba, e de Nair de Souza Serra, a Dona Fia (aquela mesma). Do Morro do Salgueiro corria por aí tocando cavaquinho no grupo Originais do Samba (aquele mesmo, de Mussum e companhia). O grupo, que tem como um dos fundadores Chiquinho (Francisco de Souza Serra), irmão de Almir chegou a gravar sua primeira composição, Bebedeira do Zé.

Originais do Samba, com Mussum, ao centro, grupo de debut de Almir Guineto, ainda bem garoto.

Excelente cavaquinista e violonista (comparado a Baden Powell por Beth Carvalho), a frustração de não se fazer ouvir nos pagodes da vida. Foi quando ele e Mussum adaptaram o banjo country ao braço de um cavaco (produzindo um som todo característico e bem mais alto até quando ficava sem microfone), instaurando uma nova era no Samba. Depois que ele popularizou o instrumento nos pagodes do Cacique de Ramos, nunca mais faltou banjo pelas rodas de Samba do Brasil. Nessa mesma época, Almir ainda foi um dos fundadores do Fundo de Quintal (junto a Neoci, Jorge Aragão, Sombrinha, Bira Presidente, Ubirany e Sereno), mas só gravou o primeiro disco com o grupo, Samba é no Fundo de Quintal (1980), depois, partiu para carreira solo.

Esse é um cap de um vídeo da década de 1980, na quadra do cacique de Ramos. Ao centro, Guineto tocando um banjo com cara muito mais satisfeita do que se não fosse bem ouvido. Aqui, á direita, temos Jorge Aragão também e, no vídeo completo, ainda dá pra ver Mussum tocando seu inesquecível reco-reco.

Por quê está aqui?

O Samba é uma cultura muito rica, apesar de ser relativamente recente (pô, a primeira gravação oficial, Pelo Telefone ainda não tem nem 100 anos), sem contar o longo período em que nossa bela arte popular era perseguida como ‘coisa de preto’, ‘coisa de vagabundo’, etc. Tendo esse cenário complicado, Almir Guineto conseguiu participar de dois grandes nomes do Samba (Fundo de quintal e Originais do Samba), diretor de bateria do Salgueiro (cedendo o lugar a seu irmão mais novo, o saudoso Mestre Louro), tornou-se, ele próprio, uma referência em composição, como instrumentista e na singela arte de versar no partido alto.

Formação inicial do Fundo de Quintal. Pensando bem, tanta fera junta só poderia dar em brilhantes carreiras solo e parcerias que multiplicaram o fenômeno do pagode nos anos ’80 a ponto de ser um capítulo próprio em nossa história cultural.

Curiosidade

“Banjo no Samba, só existem dois: Almir Guineto e Arlindo Cruz.” – Zeca Pagodinho. A frase é uma verdade popular, apesar de vários nomes terem surgido com talento para o banjo desde aqueles idos dos anos ’70 pra cá, mas um equívoco muito comum é atribuírem a INVENÇÃO desse tipo de banjo a Almirzão, quando ele só o POPULARIZOU. O banjo original é uma criação de povos africanos, que, assim como tudo, trouxeram para as Américas grande parte de sua própria cultura. Registros anteriores, como da jornalista Oneida Alvarenga, datam da década de 1930 o uso do banjo-cavaco, assim como já li sobre Zezinho do Banjo, um dito pioneiro anterior a Guineto, lá em São Paulo e até do próprio pai de Guineto, que teria utilizado também o protótipo, mas a verdade é que Almir Guineto levou o instrumento para o lugar certo no momento certo e não tem pagode que não se veja banjo repicando a toda.

Recomendações:

Mãos – (Almir Guineto, Carlos Sena e Simões PQD)


Lama nas ruas – (Almir Guineto, Zeca Pagodinho)


Insensato destino – (Maurício Lins, Chiquinho Vírgula, Acyr Marques)

Superman – (Almir Guineto, Adalto Magalha)


Dalila, cadê Guará? – (Almir Guineto, Arlindo Cruz)

 

Publicado originalmente na page do grupo Calçada D’Samba.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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