Salve a Bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel

“Lá vem a bateria da Mocidade Independente
Não existe mais quente
Não existe mais quente
É o festival do povo
É a alegria da cidade”

 

Bateria Nota 10 de Mestre André, Bateria Nota 1000, Não Existe Mais Quente… alguns são os nomes que designam uma bateria de vanguarda de uma escola de samba de vanguarda.E eu vou te dizer por quê.

 

“A alma de uma escola é a bateria 
E para o povo toda alma é imortal
Por isso é que se diz 
Que a Mocidade reinará
Na eternidade do divino carnaval”

 

Primeiramente, nela, foram criados elementos do carnaval que são verdadeiros paradigmas de um desfile hoje em dia. O surdo de terceira, invenção de Tião Miquimba e Mestre André, chocalho de platinela, uma afinação própria e o mais curioso: Uma bateria que trazia 27 integrantes (muito pouco, comparado aos costumeiros 180, 200 ritmistas das outras). Para compensar, a bateria inovava com simplicidades como baquetas de três varetas para tamborins (invenção de Canhoto), fazendo, na soma, com que alguns soassem como muitos na hora de tocar. Ainda há o clássico comentário da época, lá de meados dos anos de 1950, que destacavam a bateria da Mocidade como uma bateria que trazia uma galera sambando atrás, ou a bateria que tinha uma escola em volta, ou ainda, a bateria que carregava a escola nas costas. Enfim…

 

Mestre André

 

“Falando de bateria 
Muitos dirão quem tu és
Na galeria do samba 
Melhor bateria que é nota dez
Desde a famosa parada
Do tempo de mestre André 
Que ela incendeia a moçada
E vem da arquibancada
Esse grito de: olé!”

 

Esse é um elemento de nosso carnaval pra vida toda. José Pereira da Silva, lendário Mestre André (*7/2/1932 – + 4/11/1980), era galante em suas apresentações, enérgico em seu comando na bateria e exigente em seu metiê. Sobrou ‘baquetada’ na cabeça para todos que tocaram sob sua batuta, inclusive seu próprio filho, Andrezinho (ex-Molejo, atual diretor de bateria da Mocidade).

Mestre André e Andrezinho.

 

“Mestre André sempre dizia
“Ninguém segura a nossa bateria”
Padre Miguel é a capital
Da escola de samba
que bate melhor no carnaval!”

 

Mas, sem dúvida, o que torna o exímio maestro uma lenda, além do conjunto da obra, é a folclórica invenção da ‘paradinha’ durante uma performance de escola de samba. Conta Andrezinho que durante a apresentação do enredo ‘Os Três Vultos que Ficaram na História’, Mestre André escorregou e caiu em plena avenida. A bateria parou e ninguém entendeu nada. Logo, Mestre André levantou, deu um rodopio e apontou para o repique, que entrou encaixado no samba, trazendo toda a bateria de volta para delírio do povo que assistia e passou a gritar ‘olé!’. Um show à parte. Em retribuição, Mestre André tirava o chapéu e acenava para a plateia e, a partir dali, inventava uma das bossas mais periclitantes em todo desfile de carnaval. É só ver como, dentre outas curiosidades, as inovações das baterias atraem olhares e ouvidos atentos. Todo mundo querendo se superar e Mestre André começou isso com a Bateria que não existe mais quente.

 

“Salve a Mocidade!

Salve a Mocidade!”

 

Fonte: Mestre André Oficial.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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