Aquela Música: Samba do Sofá (Roberto Ribeiro)

Por esses dias, li uma notícia na facebookiana página Sarau do Escritório, donde transcrevo o teor logo abaixo:

 

Atendendo aos pedidos de um pequeno grupo de moradores sob a alegação de que os bancos serviam como “moradia de mendigos”, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, por intermédio da Subprefeitura do Centro e Centro Histórico, resolveu sentar a marreta nos assentos da Praça João Pessoa, na Lapa.

O mesmo governo responsável pela derrubada do Anfiteatro do Largo da Lapa, e pela gourmetização do bairro, parece desconhecer completamente a importância de uma praça como espaço de encontro democrático e espontâneo. Não podemos permitir que esse vire mais um grande calçadão onde bares tomam conta com mesas e cadeiras, e cercam o acesso dos populares com grades, e a já tradicional segurança privada.

Outra questão polêmica é a forma como a prefeitura trata a população em situação de rua. A política é totalmente pautada na segregação, e em atitudes higienistas. Como avançar se não há diálogo, mudança, ou vontade de transformação?

O espaço público é nosso, e estão a todo custo querendo tirar isso da gente. Ocupar é transformar… queremos a praça funcionando como praça, e com os seus bancos de volta!

O protesto, óbvio, tem meu apoio, mas o que me impressionou foi o descaramento da prefeitura em fazer um serviço, no máximo – pra não ofender muito – genérico e paliativo. Oras, senhorxs, como que arrebentar bancos de uma praça a marretadas vai resolver o problema dos sem teto ou da criminalidade? Palhaçada pra fingir que agiu e não tomar qualquer medida na fonte do problema, pois, sabemos que educação de base é dever da prefeitura e do governo estadual, mas, assim como em campanha adoram levantar um monumento e uma obra, pra enrolar, adoram também destruir o que não vai fazer diferença.

 

Em todo caso, este episódio carioca só me fez lembrar do Samba do Sofá, gravado lindamente por Roberto Ribeiro (um segundo pra bater no peito e falar ‘esse era f…da’), onde o personagem da letra diz que pegou a mulher beijando outro no sofá e pra resolver… vendeu o sofá. Rá! Vejam, amigolhes sambísticus irônicus, se não é o mesmíssimo tipo de atitude que não resolve nada. Mas, pra nossa felicidade, na canção, ainda temos o viés irônico e uma bem humorada peça sambística pra nos deleitarmos… quanto ao governo municipal… bem… em 2018 a gente tem outra chance de fazer só pouca m… diante das urnas. Oremos. Rá!²

 

Agora, a música (achou que eu ia te deixar aguando, né? Nem me conhece! haha):

 

 

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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