O Samba que te arrepia

Sabe quando você ouve aquele samba e, quando vê, tá com a pele toda arrepiada? Pois é, gente boa, não é frescurice, nem coisa de gente boba, é emoção. Mas isso, instintivamente, você já sabe, né?

Pois bem, o que eu acho que não é de conhecimento geral é a origem disso, ou melhor, o funcionamento do processo. Tudo vem da cognição, ou seja, da forma como você se relaciona com o mundo ‘externo’ (digo, fora do seu corpo) através das percepções diversas que temos, como os sentidos (audição, tato, paladar, olfato, visão e cosmo do zodíaco – Rá!). Chegou-se a classificar esse tipo de estudo como ‘neurociência da música’, tipo, uma especialidade dentro do campo amplo da neurociência cognitiva.

Daí, quando a música passa pelo canal da audição e é reconhecida pelo cérebro, a área responsável pelas emoções e comportamento social é ativada, em seguida, essa região libera dopamina, um hormônio neurotransmissor que é associado ao que entendemos como prazer e recompensa. Basicamente, é uma pequena explosão hormonal que se dá quando ligamos aquela letra e/ou melodia às nossas lembranças, experiências e essas bossas.

Pra finalizar, segundo pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, pessoas de personalidade curiosa e mais aberta a novas experiências são aquelas mais propensas a passarem por esse tipo de momento de arrepio.

Eu tenho uma lista de sambas inesquecíveis e outras, de outros gêneros que me trazem muitíssimas lembranças da clássica memória afetiva, seria até uma covardia enumerar aqui, porque o post teria o tamanho do Pão-de-Açúcar. João Nogueira participou da composição e interpretação de três que eu vibro muito, pois trazem motivos familiares: Um Ser de Luz, Espelho e Além do Espelho. E você, qual a sua experiência cognitiva musical sambística?

Minha ancestralidade também chama muito nessas horas em pontos e canções, como o hino da África do Sul. Pra exemplificar a parte intuitiva, vou deixar professor Martinho da Vila com Semba dos Ancestrais: “Se o povo te impressionar demais, é porque são de lá os teus ancestrais”.

Axé!

Fonte: Diário de Biologia.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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