Hoje é dia de Samba, bebê!

Metalinguagem é aquela parada maneira que um autor pode escolher usar em sua própria peça pra falar dela mesma. Por exemplo, quando um filme faz alguma menção de que sabe que é um filme. Eu explico melhor: Naquele clássico episódio de Chaves em que Chapolin vai parar na vila, Chaves, num determinado momento, olha para a câmera e diz: “Gosto dele como se fosse eu mesmo”. Pronto, você já sacou, né? Mas essa introdução toda parece lenga-lenga, mas é só pra falar do Samba (oh, que surpresa!) e sua própria característica de metalinguagem.

Vamos lá, o samba, muito comumente, é citado em muitas canções, quando compositores se valem de suas próprias letras pra falar nada mais do que do veículo cultural que está ali (no caso, as músicas) e é nessa qualidade que eu venho mencioná-lo. Veja bem, há exatos 4 anos (2011, dah!), eu tinha uma missão que envolvia nervosismo, ansiedade, quebra de rotina e… pra falar a verdade, dependendo disso, foi quase um dia normal na minha vida. Rá! Mas não foi. Eu chegava ao topo de uma escalada que começou, a bem da verdade, pelo menos, um ano antes. Explico, é que conforme a faculdade de Comunicação Social avançava, mais se falava no temido TCC (trabalho de conclusão de curso ou a famosa monografia). E nada de sair aquele milagre de só apresentar um trabalho e receber a nota pra passar.

Não veio aquilo que eu achava que seria um milagre de natal, mas voltando um pouco, eu tinha feito uma matéria que servia como um ensaio para o TCC, onde escolhi tratar de jornalismo colaborativo, já que era algo que eu já fazia há alguns anos, colaborando pra sites nerds, colunas próprias onde cabia espaço e até uma coluna fixa sobre comportamento urbano num site de utilidade pública (R.I.P São Gonçalo em Foco – de onde eu descaradamente ‘chupinhei’ o complemento do nome deste blog). O que aconteceu foi que a professora da vez aconselhou que falássemos de um assunto que nos interessasse muito a ponto de não desanimarmos, então, o que poderia ser mais interessante pra um aluno de jornalismo do que falar de jornalismo? Seria uma metalinguagem e tanto, né? Pois errei garbosamente. Eu praticava o jornalismo, mas vi que teria que me aprofundar em questões que me eram muito intuitivas.

Sendo assim, depois de passar raspando na matéria, desencanei do assunto e fui me sitraindo entre facul, trabalho e os pagodes da vida. Até que numa feliz coincidência, quando fui chamado – em âmbito familiar – de ‘pesquisador’ por não só buscar músicas pra aprender a cantar e tocar, como mergulhava nas histórias de artistas, grupos e tals. Nessa hora, decidi que o samba era a tal coisa, aquele quê que me faz bem e que eu falaria por horas – e folhas – sem cansar. Deu um trabalho ter que formatar toda essa paixão em um trabalho metódico, afinal, não daria pra apresentar uma crônica minha pra uma banca, né? Passei seis meses só adquirindo livros, lendo e assistindo nas interneTES da vida até que chegou mesmo o último semestre, quando o trabalho ia ser pra valer e não só a festa que estava. Escolhi uma orientadora de fé, que não à toa, era a professora que eu mais confiava pra me por nos eixos de formatação e, diante de sua relutância por não entender do meu tema, combinei com ela “só me passa as regras, de conteúdo eu entendo”. Fomos trabalhando pelo período todo até a apresentação, onde fiquei surpreso que meu trabalho foi classificado como ‘mais antropológico do que jornalístico’ e isso foi uma crítica, academicamente, mas me caiu como um elogio, como uma das professoras da banca insinuou, deduzindo que pode ter sido minha intenção velada e inconsciente o tempo todo.

Eu só ri, porque era algo surreal demais, ser um dos poucos de minha família a concluir uma faculdade, fazer isso falando do que mais amo, da nossa cultura e ancestralidade e o mais legal: NO DIA DO SAMBA. Como eu publiquei assim que cheguei emocionado em casa, doido pra espalhar a notícia: HOE É DIA DE SAMBA, BEBÊ! Como eu falei, o samba é uma metalinguagem dele mesmo, da vida e da nossa sociedade, especificamente. Como apresentei, ele foi modificando a sociedade e se modificando em resposta a isso, daí, temos o gênero musical rentável, mas também temos uma cultura fora da mídia que ferve praticamente todo dia da semana em todo canto. E a maior de todas as metalinguagens é quando a gente fala da metalinguagem do samba na sociedade no dia nacional do samba.

formatura jornalismo

Chega, parei por aqui, porque já nem sei mais o tamanho do texto, apenas soltei os dedos no velho teclado e deixei a emoção fluir. Enfim, dia 2 de dezembro, pra mim, é muito mais do que o dia do samba, é quando Candeia falou diretamente pra mim: “E cante samba na universidade e verás que teu filho será príncipe de verdade”. O samba é a metalinguagem da minha vida.

E também, óbvio, vou lembrar de Agoniza, mas não morre, que foi epígrafe do meu TCC com sua metalinguagem sobre o próprio samba e a frase irônica, de quem viu tantas vezes o samba ser dado como morto pra mídia, mas sempre sendo “socorrido” antes de fecharem o caixão.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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