Racismo no BBB 17

 

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Gabriela Flor é linda, seu cabelo é lindo e ponto. Ok? Ok! Mal começou aquele programa chato, mas que tem muita serventia como vitrine social. Tudo bem que enquanto você sabe que tem câmeras ligadas e vozes te orientando em off, não dá pra ser lá muito natural, mas chega uma hora que as pessoas desencanam e é aí que a onça sai pra beber água.

 

O BBB mal começou, teoricamente, não deu tempo pra ninguém se apaixonar, virar amigo ou inimigo, né? Pode acontecer sim, mas calma, exceções confirmam, mas não tomam o lugar de certas regras. Mas vamos ao que interessa. Eu sou Gabriela desde pequenininho! “UI, quê que isso, bee?!”. Não entendeu, gafanhoto? É que a menina Gabriela em uma semana de programa já foi xingada, motivo de deboche, animosidades, preconceito religioso e… quem adivinha? Racismo!

 

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Isso mesmo. Comecei o texto de forma leve, falando da linda participante, porque eu fatalmente cairia nessa parte pesada da história. É playboy com cara de babaca falando mal do cabelo crespo natural dela (até questionando sua sensualidade), é preta sarará achando que tem domínio sobre a colega crespa porque tem pele (nem tão) mais clara, operou o nariz e esticou os cabelos, é ofensa enquanto mulher, enquanto baiana… mas, bem, vamos à ficha técnica, porque eu não sou desses de poupar a cara do racista pra mostrar a vítima chorando. Nomes aos bois e às vacas agora.

 

Mayara

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Segundo o site Meio Norte, a participante Mayara, então líder do grupo na competição, disse “Eu vou votar nela e se ela falar alguma coisa pra mim, vai ouvir que precisa alisar o cabelo”.

 

Antônio

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No Portal do Holanda, o relato é de que o tal do gêmeo assistia um monitor com imagens de outro cômodo da casa e ao ver Gabi (sim, esse evento nos aproximou, rá!) dançando (ela é bailarina), soltou a seguinte pérola: “Ela acha que vai seduzir quem? Está ridículo!”. Em outra ocasião, ainda afirmou que Gabi deveria ser ‘macumbeira’, por ser baiana.

 

Manoel

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O outro gêmeo, na ocasião do comentário em que o irmão debochava de Gabi com um pano na cabeça, complementou: “Ela parece o Valderrama”, em referência ao folclórico jogador colombiano, famoso nas décadas de 80 e 90.

 

Vivian

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Esteve ali com os racistas e não levantou um ‘a’ pra condenar os comentários criminosos. Ou seja, a sinhazinha que tem amizade pela mucama, enquanto a mucama demonstrar odiar a própria raça. Assim, ela ganha na superioridade, porque nada melhor pra auto-estima de um racista do que ver um negro sem auto-estima. Porque você acha que eles se incomodam tanto quando nos afirmamos? Saímos do lugar que eles queriam nos ver, de insegurança, auto-imagem danificada, cabelos deformados ou raspados, com vergonha…

 

Analisando

Dito tudo isso, vamos às análises: Antônio é retardado daqueles bem senso comum playboyzinho que diz que tem amigos negros e que ‘não quer parecer racista não, mas, ó, tinha que ser’, isso enquanto esfrega o indicador sobre o braço em óbvia referência à cor de pele. Conheço aos montes desses aí. Deve ser uma porra dum machistinha também porque já andei lendo coisas sobre ‘homens virando gays’, além do modo como tentou diminuir a sensualidade de uma mulher negra, com a maior pinta daqueles invasores de senzala/quarto de empregada, que admira em segredo, mas não assume pra família/amigos. Um babaca médio. Nem excepcional babaca ele consegue ser com esses comentários que a gente aprende a lidar ainda antes de crescerem pelos em lugares diferentes e sentirmos um comichão por coisas outrora desconhecidas. O irmão parece ser gêmeo nesse sentido também. O babaquinha da sexta série mental eterna. São dois que não valem um.

 

O outro caso é um pouco mais complicado. Seria melhor haver uma lavagem de roupa suja interna, porque ela é uma legítima preta da casa grande. Daquele tipo que sonha em ser a querida do sinhozinho (Antonio/Manoel) e, pra isso, desdenha das colegas da senzala, pensando em se parecer menos com uma negra pra causar a impressão de que odiando sua raiz, vai obter aceitação pelo racista. Veja como Mayara modificou o nariz, veja como o cabelo é cuidadosamente rtatado pra não ter qualquer desenho, mas se não tem o desenho crespo, pra ela, já é lucro, mesmo sabendo que nunca teria o liso natural, já que a biologia não permite. Enfim, esse não é um caso de babaquice pura, de falta de humanidade, é mais um caso de ignorância e uma resposta até covarde, mas muito comum frente ao racismo. Muitos de nós só querem evitar o confronto pra não confrontar, não o racista, mas o racismo em si.

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Conclusões

Gabriela é mais uma vítima de um sistema que teima em não se conformar com o fim da escravidão, tentando desesperadamente, manter o status quo social do branco em cima e do preto embaixo. O BBB 17 nem começou direito e já mostrou como é um microcosmo do Brasil global: Homens brancos se achando, mulheres se achando, raros negros que, provavelmente, vão ficar pelo caminho. Já vejo tudo, se Gabi ganhar, dirão que é por pena, por cotas e outras baboseiras merecedoras de apanhar com o próprio braço. Se perder, a globo vai ter abafado o assunto como sempre faz e a festa da branquitude continuará a iludir a população de que negro é minoria no Brasil.

 

Resumindo, acho que mudar o apresentador não adianta, quando não muda os selecionadores de elenco. Mas tenho a impressão de que é isso mesmo que querem. Do contrário, já teriam mudado a realidade dos elencos de novelas, com 5 ou 6 negros no meio de 90 atores brancos/não negros. Em todo caso, eu não assisto mesmo, não entro em festa dos outros pra ser tratado como mascote ou piada. Essas produções não são feitas pra mim. Não sou público deles e a coisa mais fácil do mundo foi “boicotar” a TV. E… na boa, só um racista pra não admitir que uma mulher negra é uma rainha.

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Fontes: Meio Norte
Portal do Holanda

M de Mulher

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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