Império Serrano – 70 anos (Camisa do Império Serrano)

 

É, é Império, mas chamamos de ”o reizinho de Madureira” e não bastasse essa pequena idiossincrasia, ainda o chamamos de Menino de 47, dado o ano que nasceu, vanguardista, bem mais tardio que as pioneiras que por aqui ainda desfilam (Portela, Mangueira…) e é com essa pegada que presto essa homenagem ao celeiro de bambas que é o Império Serrano.

 

Foi (quase) tudo lindo neste ano de 2017 (menos o triste episódio da invasão e assalto (à quadra da escola, a poucos dias do carnaval) para o Império. Um samba bonito, o clima da escola envolvente, ensaios animados mesmo que – literalmente – embaixo d’água (eu cantei a pedra de que tanta chuva tentava transformar Madureira em pantanal pra premiar o enredo desse ano, hein! Rá!). Enfim, Império Serrano, no ano em que completa redondos 70 anos, é mais uma vez coroado com o passaporte para o grupo especial.

Sim, sabemos que há uma politicagem das grossas lá e que a coisa não vai se fazer meramente no amor dos integrantes por sua agremiação, mas que se dane, é o Império, o reizinho de tantas vitórias e que cantamos o amor por ele em qualquer lugar. Além do chão fértil pra poesia, partido alto e cultura ancestral. Eu já fiz post enumerando sambas de exaltação ao Império/Serrinha, já mencionei a história da escola… mas esse ano, especialmente, eu, que nunca tinha feito uma canção em homenagem ao reizinho, ousei traçar umas linhas e botar umas melodias e saiu Camisa do Império Serrano.

 

De uma situação inusitada onde mamis Sagatiba usou meu manto sagrado pra apoiar um espelho no chão, já fui escrevendo e cantarolando ‘O despautério é tratar feito qualquer pano a minha camisa do Império Serrano…’. Bem, essa é minha homenagem, daquelas que passa pela mente, de novo, o nó na garganta e o choro ao lado do sambódromo, vendo a escola adentrar a avenida sob pesado foguetório, a alegria incontida de estar na quadra comemorando a vitória, claro, sem contar com os outros trezentos e poucos dias que somos Império nas diversas rodas de samba que vamos nos esbarrando. Isso, ganhando ou perdendo. Enfim, vou deixar aqui o link pro meu canal no Soundcloud e a letra mais abaixo. Minha homenagem ao Império Serrano, apresentação que me cabe no Movimento Cultural Aos Novos Compositores.

Camisa do Império Serrano (Fernando Sagatiba)

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

Por acaso não sabes que aquele manto
Traz o brasão que vem representando
A herança mais linda, bravura ancestral

Casa de Jongo e de Samba, mironga de banto
O canto do negro todo em verde e branco
É folia que vem e vai muito além do carnaval

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

Talvez não entendas, ou fazes que não
Mas evite tocar no imponente pendão
Que alguns dos maiores me inspiraram a ser leal

Só te chamo à atenção pelo ato profano
Pois mexeu com minh’alma, o Império Serrano
Desde Silas e Mano que é resistência cultural

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

 

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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