Botequim do Império voltou! Ô Sorte!

E essa imagem homenageando Seu Das Neves… O coração chega palpita.

Botequim do Império voltou! Não só o nome, mas a proposta, a intenção, a efervescência, aquilo que o Império Serrano representa desde sua fundação. A valorização do samba, da liberdade de se reverenciar os mais antigos que pavimentaram o chão pra estarmos ali curtindo a herança cultural que nos deixaram e nos deixam.

 

“A volta dos que não foram” é a primeira coisa que penso quando lembro que do imbróglio ocorrido em fins de 2014, com a diretoria da escola modificando a proposta, trocando o samba pelo que chamamos, vulgarmente, de pagodez (pg10 e outros apelidos pra linha pop com pandeiro que emula a batida, mas não a cultura do samba), nasceu – ou pelo menos, se consolidou – o Samba na Serrinha. Por isso friso tanto o retorno do Botequim. Não foi só o evento imperial que voltou, foi a configuração musical e o tema de Samba que voltaram. Não teria esse fervor em minhas palavras pra falar que o Botequim voltou só com o nome, tendo o recheio apenas uma música que escutamos até em camelô do ‘podcast da Penha’ (não desfazendo de ninguém, apenas enfatizando que é o conteúdo e não a capa, o importante aqui).

Justamente num ano de festejos pelo feliz retorno ao grupo especial… O Império retorna à chamada elite do carnaval e o Botequim retorna ao Império em moldes que remetem à sua origem. Mesmo que a configuração da roda não seja toda imperiana, isso pouco importa, diante do tipo de evento que foi produzido neste último dia 19 de novembro. Aliás, o currículo sambístico pessoal de cada um ali dá mais do que credenciais pra justificar todas as presenças assinadas naquela mesa.

 

Desde o último 1º (perdão pelo trocadilho) de março que não se via aquela quadra como o caldeirão de emoções, cerveja gelada e samba no pé (e gogós). E desde 2014 que o Botequim não tinha essa veia de samba autêntico, sem poluição. Bem, o carvão foi abanado e o momento foi mais do que propício. Naquele ano de 2014 – em que cheguei a fazer um texto bem enfático sobre minha insatisfação com a mudança na proposta do evento – o cenário era um pouco diferente. Hoje, o Samba na Serrinha – que, enquanto grupo, era a base (e intenção) naquele Botequim – é uma instituição imperiana, mas que não é ‘do Império’, no que diz respeito à sua independência e autonomia da maioria dos eventos da quadra da escola. Claro, ainda se respeitam os ensaios (quem nunca viu um samba na casa do jongo ter músicos e plateia correndo pra descer a Av. Edgard Homero pra ensaiar na escola? Ou quem também não foi esse integrante?) e até a tradicionalíssima feijoada pra São Jorge (que pela data que ocorre, pode coincidir com o dia do samba).

Mas o importante é celebrar. O evento foi um sucesso e quem estava lá ainda viu Sr. Aluízio Machado se apresentar, dando uma canja de seus sucessos imperianos e brasileiros de modo geral. Ainda tivemos o ensaio do Império na sequência… beeem coladinho com o Botequim. Tão coladinho que o baluarte nem terminou sua saideira e já lhe puxaram a cadeira pra varrer o chão de rodo, surdo, chocalhos e agogôs. Um contratempo bem notório, mas que, diante da celebração que foi o retorno do bom filho, é um pormenor. Pareceu aquela briga de parentes no fim da festa e auge da bebedeira. Quem tava lá viu, quem não estava… Perdeu o Botequim, Mané! Rá! Tô brincando. Isso é detalhe pra outro texto, quem sabe. Por hora é hora de agradecer ao deus samba pela volta às raízes do nosso querido Botequim do Império. Isso é Império Serrano. Via-se gente de talento reconhecido na comunidade sambista, via-se artistas anônimos ilustres e muita gente amiga cantando e se divertindo como se não houvesse amanhã. Quase não se pensava na chuva torrencial que caía lá fora. Talvez até a chuva tenha caído na cadência e na empolgação do samba que rolava quadra adentro.

 

Ainda foi só a reestreia do evento e muita água tem pra rolar além da humilde tempestade que se fez na noite daquele domingo primaveril de novembro, mas, como diz uma de nossas máximas, ‘imperiano de fé não cansa’, então, perseveramos torcendo e trabalhando pra que o samba seja mais um sucesso, como acontecia há algumas décadas e ficou intermitente de uns tempos pra cá. É um momento bem gratificante pro Império e para os imperianos, afinal, mesmo que Império seja Império pra além do carnaval e muito mais abrangente do que a quadra física da escola, quem tem o império no coração (imperiano ou não), faz muita fé que a cada edição a coisa só melhore. A organização tava linda e os pequenos percalços não tiraram nem de perto o brilho da festa.

Eu, que não sou bobo, tava lá na quadra do meu amado Império. Com minha amiga, Rose Mallet, autora desses registros visuais do retorno do gigante. Valeu, minha querida!

Muito feliz por esse reencontro do Império com o Botequim e o samba de verdade. Para o alto e avante, pois o Império é patente. O reizinho voltou e essa volta vai atrair muitas outras voltas, como essa do Botequim do Império. Salve o Império Serrano, salve o Samba, maiúsculo e que nos honra a todos cada vez que é honrado por nós e pelos nossos.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Imperiano de fé praticante. Filiado à UNEGRO-RJ.
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