Atriz de Pantera Negra diz que Wakanda é África se não fosse colonizada pelo europeu

A história do mundo tem diversas frentes em tempos simultâneos, tipo acontecimentos como descobertas, invenções, guerras e colonizações. A colonização é um processo em que o oprimido não só é subjugado como também é violentado, roubado e desfigurado cultural e materialmente. Veja o exemplo do Brasil: Aqui viviam milhares de nativos (que ‘aprendemos’ a chamar de índios/indígenas) que tinham sua cultura, sua religião, seus hábitos e tudo corria bem. Sim, havia disputas entre tribos, mas onde o ser humano está que não tem uma guerrinha, né? A diferença é que uma guerra por território à base de flechas não se compara a massacres de armas de fogo e sequestro e escravização por estrangeiros, né?

Negros numa África fictícia, onde o europeu nunca pisou pra colonizar, roubar e escravizar.

Negros na África real, com sua história interrompida pela colonização européia com roubo e escravidão.

Enfim, se a América (do Sul, Central e do Norte, não apenas um país – alô, EUA) foi colonizado, significa que vieram estrangeiros da Europa (outros povos passaram por aqui até antes, mas não com o mesmo intuito) pra roubar as riquezas naturais, empurrar sua religião, cultura e tornar o ‘índio’ escravo. Não demorou muito e enquanto isso, eles estavam invadindo também África. Mas lá a coisa foi ainda mais cruel, afinal, retiraram um contingente absurdamente numeroso pra levar para as Américas a fim de serem escravizados e colonizados (perda de nomes, identidades, religião, riquezas, etc). E o que ficou na África? A imagem que se tem até hoje, de um lugar sujo, miserável, selvagem e tudo que diga respeito ao pior da sociedade. Logo um continente que já tinha culturas, tecnologias e ciências muito mais desenvolvidas que a Grécia. Mais antiga que a Grécia Antiga, plagiadora das técnicas africanas.

 

Ignoram que além de belas paisagens, África já teve o ápice do desenvolvimento humano. Muita gente não sabe, mas Egito é na África, saca? É o país dos faraós, onde há 5000 anos já se produzia cerveja, tecido, agricultura, com religiões, mitologias, um sistema social bem definido e desenvolvido de camadas, etc. O mesmo para outros países como Angola, Marrocos, Sudão, Etiópia e muitos outros. São 54 países, fora os outros territórios integrados majoritariamente a outros continentes. Era muita riqueza, minha gente. Alguns desses lugares já tinham sociedades totalmente desenvolvidas e comandadas por mulheres, por exemplo (sim, o colonizador não só trouxe doenças, racismo e roubo, também ensinou o básico do machismo). E é aí que eu entro falando de Lupita Nyong’o.

Esse pedaço do céu na Terra se destacou ao interpretar uma escrava violentada por um fazendeiro racista que não admitia gostar dela, em 12 Anos de Escravidão. Lupita está no filme Pantera Negra, da Marvel e interpreta a heroína Nakia. Mas não é do filme que vou falar. Apenas de um aspecto: Wakanda. Pra quem não é ligado em HQs – e ainda não viu o filme – Wakanda é um país fictício da África, onde se encontra o vibranium, o metal ultra-resistente que compõe a liga que forma o escudo do Capitão América (junto com o Adamantium, pelo menos nos quadrinhos). Pois bem, Lupita deu um parecer tão feliz, mas tão feliz, que cheguei a me emocionar só de imaginar como seria.

 

O que ela falou? Bem, ela notou que o nível de e desenvolvimento humano e tecnológico em harmonia com a natureza e sua ancestralidade, faz de Wakanda um perfeito espelho do que África seria se nenhum colonizador europeu tivesse posto os pés empoeirados ali. O que o colonialismo fez foi reescrever a nossa história como uma narrativa de pobreza e sofrimento”, afirmou a atriz. E quer saber? Tá certa! Wakanda não foi colonizada, então pode se tornar o auge da evolução humana até com seus problemas internos, mas com uma supremacia digna. Não houve um dedo indecente do invasor pra interromper sua história e começar uma degradação de seu mundo.

Na verdade, Lupita, que cresceu no Quênia, vai além, ela relata que Wakanda não só não foi colonizada, como sua evolução tecnológica cresceu ao mesmo passo que se reforçou sua identidade e suas raízes. É nítido o contato com sua cultura ancestral desde o protagonista, que incorpora um manto passado de geração para geração referente a uma divindade própria, até a necrópole, literalmente, onde estão aqueles que se foram e ainda podem passar sua sabedoria aos mais novos. E ela nota também que homens e mulheres são poderoso igualmente, mas cada um à sua maneira, não havendo disputa sexista por poder.

Valeu por essa, Marvel.

Valeu muuuito por essa, Lupita. Vem pegar seu troféu!

Fontehttps://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2018/02/atriz-diz-que-pais-de-pantera-negra-seria-africa-se-nunca-tivesse-sido-colonizada-por-brancos.html

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Imperiano de fé praticante. Filiado à UNEGRO-RJ.
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