Vitrola de Ficha: Cada Vida Um Destino (Arlindo Cruz/Gilberto de Andrade)

Estava eu lá estudando as nuances da harmonia do meu cavaco e, aleatoriamente, o youtube me dá de cara Cada Vida Um Destino, de Arlindo Cruz e Gilberto de Andrade. Mas até aí, eu estava satisfeito com a linda versão de Mussum, com participação da cantora Astrid, no disco do sambista trapalhão, Água Benta (1978). Por pura curiosidade musical, lancei mão do link para outras versões e caí na versão do DVD Pagode do Arlindo (2006) e foi aí que me bateu a emoção.

 

Arlindo, estava em plena decolagem de sua carreira solo (para um público mais amplo do que o próprio do samba, uma vez que ele já era altamente respeitado desde a década de 1980, no Fundo de Quintal e 1990 entre seu primeiro LP solo – Arlindinho – e a consagrada dupla com Sombrinha). Pois que esse CD (2003) e DVD (2006) traz músicas que até então não era muito conhecidas no circuito comercial, pelo menos não nas rádios que insistem em massificar sempre as mesmas músicas exaustivamente.

Pérolas como a nova roupagem de Tô a Bangu (incluindo o, hoje famoso ‘ê lalauê’, que não tinha na versão original), são largadas para deleite do bom sambista ajuizado que curte o que o samba tem de bom. E então, chega a versão de “Cada Vida…” com o diferencial que Arlindão canta abraçado a seu primogênito, Arlindinho Neto. A letra é daquelas típicas de quem vê nascer um filho, um afilhado, ou outra criança que já vem muito querida e gera inspiração.

É o pai narrando pro filho das batalhas que ele enfrentará na vida. Sem demagogia, mas com muita poesia, ele dá o papo real, de que vai ter alegrias, mas vai ter dificuldades também. E vendo como a coisa está hoje, com Arlindão debilitado, se recuperando há mais de um ano de um AVC hemorrágico e Arlindinho tendo se tornado seu provedor e protetor, ao lado da mãe (Babi) e irmã (Flora), só consegui parar meu estudo na hora e cair pra cá pra escrever este texto e recomendar a música pra quem curte o melhor da inspiração de Arlindo Cruz.

Sou fã inconteste do pai e admirador do filho, pela postura e pelas atitudes nesse momento de dificuldade do pai e da família como um todo. Força, Arlindo!

P.S: Repare que no final da versão do Arlindo, cantando com Arlindo Neto, ele diz ‘Flora’ em vez de chora. Que, sabemos, vem a ser o nome de sua filha caçula.

P.S: Na dúvida, vou deixar aqui o link das duas versões porque nunca é demais… e ao mesmo tempo são demais! Rá!

Arlindo.

 

Mussum (part.Astrid)

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Imperiano de fé praticante. Filiado à UNEGRO-RJ.
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