Mano Décio da Viola – 111 anos

Como diz o título, se vivo fosse, Décio Antônio Carlos, o Mano Décio da Viola, completaria hora, 111 anos de idade. Não seria nada espantoso, visto o histórico de alguns baluartes e personalidades marcantes que beiraram ou até ultrapassaram a barreira da idade centenária. Mas, enfim, com o nome imortalizado na história do Samba, sobretudo do Império Serrano.

 

É bem verdade, ele passou uma temporada na Portela. Inclusive, fato não esquecido por Dona Eulália. É que a uma certa época, Mano Décio se desentendeu no Império e foi engrossar as fileiras carnavalescas da co-irmã, que na época era rival. Melindrada com a fundação e rápida ascensão imperiana, a Portela chegou a se recusar a apadrinhar nossa agremiação, tendo, nós, “apenas” o padrinho espiritual, São Jorge/Ogum. Este fato, inclusive, gerou uma rixa grande naqueles tempos, mas estou divagando.

 

Fato é que Décio teve um momento vitorioso na Portela, ainda mais sobre o Império, em uma disputa pessoal e paralela entre as duas grandes de Madureira. Num momento seguinte, já regressado à escola que ajudara a fundar, foi mostrar um samba a Dona Eulália antes de inscrevê-lo na disputa interna da escola, costume para saber o termômetro da composição e obter aquela benção. Ao que a matriarca da Serrinha apenas relembrou – dizendo preferir – um samba-deboche que Décio tinha feito tempos antes, tirando uma com a cara do Império, num claro gesto de retaliação.

 

Pitadas de rusgas à parte, foi só uma curiosidade sobre a vida muito corrida do grande baluarte da Serrinha. Ao lado de Silas, em parceria, sozinho ou com outros parceiros, figura seu nome com grandes pérolas do cancioneiro popular. Heróis da Liberdade, Amor Aventureiro, Apoteose ao Samba e Exaltação a Tiradentes, são só alguns dos petardos disparados pela mente criativa e irriquieta de Mano Décio da Viola. Heróis, por sinal, é na voz dele que aprendi, afora meu pai e meu tio nos pagodes improvisados em família, naquelas horas que os mais velhos resolviam assumir o repertório das resenhas pra si.

 

Como curiosidade final, após sua partida, em 1984, a Rua Itaúba, que liga a Av. Min. Edgar Romero ao Morro da Serrinha, ganhou seu nome. Outra forma de imortalizar um artista que tanto fez pela música, pelo Samba e pelo Império.

 

Vou deixar aqui O Imperador, autoria de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, mas que todo mundo pensa que é do Jorginho do Império, pela identificação da letra e interpretação perfeita, diga-se de passagem. Então, uma bela homenagem ao aniversariante cantada pelo, não menos talentoso, filho dele.

 

https://www.youtube.com/watch?v=iV-efy5LViY

Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Imperiano de fé praticante. Filiado à UNEGRO-RJ.
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