Nelson Sargento 96 anos – Militante do Samba

Nelson Mattos nasceu em 25 de julho de 1924, aos 10 anos de idade, conheceu o Samba no Moro do Salgueiro, onde sua mãe lavava roupa para fora. Conviveu pouco com o pai, falecido em decorrência de um acidente de trabalho não tratado (era cozinheiro e sofreu uma queimadura de água fervendo que gerou gangrena).

Tempos depois, com o falecimento do segundo companheiro de sua mãe, um amigo da família, convidou-os para morarem no Morro de Mangueira, onde se iniciou sua carreira de compositor. O “sobrenome artístico” Sargento, só veio depois de servir o exército e ficou pra vida como ‘a mais alta patente do samba’.

Mas, esse histórico muito resumido não alcança o que eu quero falar. É sobre sua letra mais famosa: Agoniza, mas não morre. Nela, Nelson Sargento fala de situações pontuais que o Samba passou ao longo das décadas, nestes pouco mais de cem anos de “oficialização” (entenda oficialização como o momento em que um samba – Pelo Telefone, de Mauro de Almeida e Donga – foi gravado, divulgado e reconhecido como tal).

Primeiro de tudo, o título – e primeiro verso – da canção é uma ironia, não um protesto direto, como eu pensei por muito tempo. Ele fala da realidade do samba no imaginário popular do ponto de vista comercial, radiofônico, enfim, mídia. Tanto que quando fala que alguém sempre socorre (ao Samba) é referente ao momento em que alguma moda do momento vai perdendo força e o Samba (que nunca parou nos bares, quintais e esquinas da vida) é resgatado coo o tiro certo pra retorno financeiro na mídia.

Na segunda estrofe, ele fala que o samba foi perseguido e se manteve firme em suas convicções. Na terceira, já fala que apesar de se manter firme, ele foi sendo envolvido por outras influências, até culminar com as mudanças gritantes que sofreu de forma inconscientemente consentida. Para o grande público, a sobrevivência do samba se dá por necessárias intervenções pop (instrumentais, rítmicas, etc).

É isso, sigo o exemplo de Nelson Sargento, militando pelo Samba autêntico, mesmo reconhecendo que há uma certa necessidade de absorção de elementos não naturais às origens para a sobrevivência. Essa absorção serve até para que o Samba chegue a lugares que não chegaria se ficasse preso aos mesmo elementos de sempre, impossibilitando que mais pessoas, por meio desses lugares diferentes, vissem um caminho até a raiz da coisa.

Não à toa que usei esse samba como epígrafe do meu TCC lá nos tempos de facul de Jornalismo, onde o tema da monogafia era justamente as transformações e influências que o Samba provocou e sofreu na sociedade até os dias de hoje. Salve, Nelson Sargento, combatente da nossa cultura, artista completo!

Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Imperiano de fé praticante. Filiado à UNEGRO-RJ.
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2 respostas para Nelson Sargento 96 anos – Militante do Samba

  1. Niteroiense disse:

    VIVA NELSON SARGENTO!

    Finalmente voltou o blog! Talvez o maior portal de samba da internet brasileira, sem dúvidas um dos mais completos. Por favor, nunca deixe de atualizar! O site possui uma importância ímpar para a cultura brasileira.
    Saudações viradourenses!

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