Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha Ganha Evento de Beleza no Clube Renascença

Próximo dia 25, comemora-se – mais uma vez (graças a Deus) – o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e eu destaco aqui o evento Encrespando, no Clube Renascença, por conta do coletivo Meninas Black Power.   Antes, vamos falar do atual cenário crespo social no Brasil. Ou melhor, antes do antes (tá complicando, hein, Saga!), preciso falar que, em 1982, quando Sandra de Sá cantou ‘(…) meu cabelo enrolado, todos querem imitar (…) você ri da minha roupa, você ri do meu cabelo, você ri da minha pele, você ri do meu sorriso (…)’, ainda eram tempos em que o racismo era muito mais naturalizado do que hoje. Pra se ter uma ideia, dois anos depois, em 1984, a novela global Corpo a Corpo trazia um romance entre Sônia (Zezé Motta) e Cláudio (Marcos Paulo). A recepção pelo público não poderia ser pior. A atriz chegou a ser abordada na rua pra ouvir um comentário de que ‘aquilo’ era nojento, além de pessoas falarem que Marcos Paulo deveria estar muito a fim de grana pra aceitar beijar uma negra e outras aberrações verbais morais. Tempos difíceis.

Digo isso porque, mais de 30 anos depois, temos Taís Araújo – uma das poucas atrizes negras a receber papéis que fogem ao combo ‘empregada/objeto sexual/alívio cômico’ – entre as três mais requisitadas pelo público, no que diz respeito a cabelos. Ironicamente, a novela em que ocorre se chama Geração Brasil, mas estou divagando. Parece pouca coisa, mas a representatividade para a mulher negra é importantíssima, sobretudo para a menina negra. Para a atriz Jéssica Barbosa, que alisou os cabelos até os 17 anos, a referência de beleza era a Xuxa (ou você lembra de alguma apresentadora infantil negra?), Adriana Bombom, que foi assistente de palco (não ‘condecorada’ com o título de paquita) da referida apresentadora, mas muitos anos depois, sendo a primeira negra (e única, se não me engano), o coro é o mesmo da atriz Lica Oliveira: “Sempre tem aquela pressão para alisar. E, às vezes, ela não é falada. Sentimos pelo olhar. O segredo é não ceder”.

Por esses dias eu assisti a um comercial de produto de beleza, para cabelos, acho, e vinham dois frascos na tela, um com uma atriz branca e uma atriz negra – mais importante, negra de cabelos crespos. Achei lindo. Como diz a atriz Cacau Protásio: “Quando me maquio, ou eu fico branca ou fico cinza. É como se a mulher comum, aquela que não pertence à ditadura da beleza, que não está nos padrões, não existisse.”. Sacou o que eu quero dizer? Não há referências para a mulher negra. Ela que é a maior parte da população, não se vê na telinha. E não adianta a grande mídia explicar que não vende, pois, já vi pesquisas que mostram que a população adoraria se ver mais na tela, como não se vê, continua assistindo meio que por inércia. Por essas e outras que continuamos buscando novos caminhos para a evolução da sociedade. Só assim vem a justiça social e o tratamento igualitário. Em tempos em que um sistema é acusado de se instalar sozinho na Polícia Federal pra proibir uma mulher de cabelo Black de tirar passaporte, precisamos mais do que nunca desse tipo de iniciativa.

A jornalista baiana Lília de Souza teve problemas para tirar um passaporte, pois, segundo a PF, a tecnologia estabelece padrões e os cabelos black da moça não seriam aceitos pelo sistema. Bem, o sistema foi desenvolvido por pessoas e se a desculpa é o cabelo cobrindo parte do rosto, me mostra que cabelo liso não o faz.

Eu me lembro, por exemplo, de ser um pequeno infanto nerd juvenil e, nas brincadeiras de faz-de-conta, não poder ser ninguém. Ou melhor, antes que eu me manifestasse, já vinha alguém e falava ‘você é o Mussum!’. Nada contra, sempre fui fã e ainda o acho o melhor ‘trapalhão’ (sobretudo quando assisti a uma apresentação dele com Os Originais do Samba e pirei na minha infância suburbana), mas a questão era a referência para uma criança negra. Ou era o Mussum, ou era o Tião Macalé, ou era o Jorge Lafond. Se fosse algum outro, teria que ter a ressalva da cor, tipo ‘Homem-Aranha queimado’, ‘He-man depois do incêndio’ e qualquer outra coisa que transformasse uma brincadeira de criança num trauma racial. Meninas não escaparam, pois o que fizeram com as mentes das meninas negras que cresceram sonhando em ser paquitas e tinham que abaixar a cabeça quando ouviam ‘e você já viu paquita preta?’. A coisa é muito mais complexa do que o negro apenas querendo aparecer. Dá um chega lá no Rena, ok? Axé!

Xuxa e todas as suas gerações de paquitas. Diga-me como uma menina negra poderia se ver representada na TV. Fácil entender porque o caucasiano é bonito e o negro é o feio, não é? Adivinha qual parcela da sociedade não se vê na TV/revista? Sim, a maior. Mulher e negra.

Representatividade é uma menina negra poder brincar com bonecas que se pareçam com ela. Isso sim é afirmativo e não um padrão caucasiano/rosado como se umas se identificassem e outras apenas ‘cuidassem’ do que é dos outros.

PROGRAMAÇÃO

16h – Abertura dos portões

17h – Palestra: A autoestima da mulher negra com a Associação de Mulheres Ação e Reação

18h – Workshop de cabelo crespo

19h – Dança Afro – Valéria Monã

19h30 – Dança – Femme Beats

20h – Show do rapper Mr. Ronney

21h – Show – Consciência Tranquila

Clube Renascença fica na Rua Barão de São Francisco, 54. Andaraí.

Mais informações no e-mail mbpcarioca@gmail.com

FONTE: O Dia.

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Cabelo liso, ideias enroladas

Certa feita, uma colega, negra de cabelos chapados, chegou, se olhou no espelho e disse: “Ain, meu cabelo tá uma palha!”.

Eu disse: Claro, fia, você não respeitou a textura dele, vai ter que manter seu tratamento ad finem temporum (mentira, não usei a expressão em latim). Falando em mentira, quando você conta uma, tem que inventar mais umas 20 pra manter a falsa realidade que você criou… escovas e chapinhas também, não dá pra levar uma vida normal mais, você terá que sustentar sua convicção de remodelar sua textura natural. Boa sorte.

Se você não respeita a natureza de algo, vai ter que se esforçar bastante pra se achar bonita com artifícios. Não se coloca coleira num guepardo querendo uma vida normal, não é?

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Neguinho da Beija-flor, As Críticas e a Copa 2014

Esses momentos de comoção, como na derrota do Brasil, ontem (8 de julho), pelas semifinais da Copa 2014 me fazem buscar uma explicação bem simples sobre o fato de sermos criados a base de leite, pão e ufanismo futebolístico. É só um esporte. Mas, calma, que existem muitas implicações nessa simples frase.

Pois bem, brasileiro não aceita perder no futebol, aprende desde cedo que somos os melhores e o resto é figuração em nossas festas. Achamos, por exemplo, uma tremenda graça na atual campeã do mundo, Espanha, levando uma sonora goleada da Holanda, mas quando é em nossas redes, aí, não, aí, é uma humilhação que só pode ter sido combinada. Caras, nem vou detalhar o tanto que precisaria pra se combinar um resultado num jogo de grandes proporções assim e como isso não faria diferença alguma no cenário político e social (tem gente achando que um resultado favorável na Copa faria o brasileiro esquecer de seus problemas). Mas tem mais.

Pra dar uma explicação que amarra bem a necessidade que o brasileiro tem de se sentir superior no futebol, a conseqüente rejeição à ‘normalidade’ de sua seleção e como teorias conspiratórias não se sustentam. Vamos de Samba pra isso. Ou melhor, vou me basear numa impressão dada por Neguinho da Beija-Flor, diante das críticas sobre a vitória da escola em 2011, quando homenageou Roberto Carlos. A questão foi que a agremiação de Nilópolis foi alvo de comentários insinuantes que ficavam entre  combinação de resultado, influência da Globo e do homenageado e um certo vício dos jurados de favorecerem o nome da escola (e os nomes influentes de lá).

Antes de mais nada, eu não gostei daquele enredo, acho uma preguiça estrondosa você se prestar a homenagear um artista na situação de Roberto Carlos e sim, concordo que o próprio cantor vira caminho fácil pra um desfile sem ousadia, sem ensejo cultural carnavalesco ou histórico e muito pouco assunto a se desenvolver, dado o luxo e gigantismo que o carnaval de sambódromo alcançou. Mas, uma coisa eu preciso reconhecer, dito por Neguinho numa entrevista ao RJTV, que infelizmente não achei link ou vídeo pra pelo menos transcrever, mas lembro vividamente do teor de sua resposta sobre ser alvo de falatório quando se está ganhando, mas não ter sua luta reconhecida, enquanto perdia.

O cantor da princesa nilopolitana defendia sua escola dizendo que muitos se incomodavam com a hegemonia atual da Beija-Flor (6 títulos dos disputados entre 2001 e 2011), mas ninguém acusou de armação todos os anos que a escola ficou pra trás. Procede, pois a Imperatriz também foi alvo de tais críticas nos anos que teve Rosa Magalhães e seus desfiles chatos técnicos vencedores. Holofotes trazem mais exposição. Óbvio. Então, fica a lição para os torcedores que ainda não aprenderam a observar, o futebol não é nosso, o mundo inteiro aprendeu a jogar de forma objetiva e compacta, enquanto o Brasil fica feliz com dribles desconcertantes, mas que não defendem e nem fazem gol. Era só uma questão de tempo até a Seleção atual se deparar com um real desafio, pois já não vinha convencendo, mas como estava ganhando, ninguém achou melhor falar, pra não parecer o chato da galera, talvez.

Se foi por armação que o Brasil perdeu de 7, então só posso achar que esse povo da alta roda combina muito descaradamente as coisas, pois seria um resultado improvável pro povo engolir, não? Outra, perdeu em 1998 e teve quem gritasse que foi armação também, mas ninguém achou armação a vitória ano passado sobre a campeã mundial Espanha, pela Copa das Confederações. Aliás, Se ganhar ou perder, vai ter gente achando armação. Então porque insistem em torcer, oras? Acho tudo uma mania de não saber perder simultânea ao ‘roubado é mais gostoso’. Amadorismo pra jogar e pra torcer. Achou-se um tremenda graça da Espanha e de Portugal levando surras memoráveis (chupem, colonizadores!!! Rá!), aí, quando chegou nossa vez de mostrar que aprendemos direitinho… Povo chora? Esse ufanismo infantil é besteira, o carnaval é que é a festa democrática, tem festa no salão, na rua e você faz o que quiser com alegria. Futebol não, gente, futebol depende de um lado vencedor e outro derrotado. Desta vez, o Brasil foi derrotado. Não se faz Copa com derrotas. Não?

Agora, no pior ensejo irônico do mundo, vamos cantar: Domingo, eu vou ao Maracanã…

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Wanderley Monteiro – Vida de Compositor

Compositor desde os 20 anos, funcionário do Banco do Brasil e um dos mais jovens da antológica geração Cacique de Ramos, que explodiu o mundo em alegria da década de 1980 pra cá, falar sobre esse compositor já estava nas minhas intenções há tempos, desde que um leitor sugeriu seu nome num comentário. Antes de mais nada, pra você se ligar em quem é o homenageado deste texto, ele é um dos autores de Água de Chuva no Mar (A gente se fala no olhar (no olhaaar) / É água de chuva no mar (nooo maaar) / Caminha pro mesmo lugar / Sem pressa, sem medo de errar / É tão bonito / É tão bonito nosso amor (…)).

Como eu não poderia apenas julgar a carreira e o talento de alguém apenas por um sucesso, fui ouvir direto da fonte, então, apreciei os dois discos lançados: Vida de Compositor (2004) e Consagração (2012) e, caras, assim como faz o samba de Wanderley Monteiro, meu comentário não faz alarde, mas é certeiro: Bom gosto. Não no sentido genérico, é que é uma arte tão refinada, tão cuidadosa, que você vai ouvindo até perceber que a música acabou e ficar com cara de ‘ué, acabou a luz?’. De um disco para o outro, nota-se uma diferença de estrutura na parte instrumental, com o segundo disco tendo mais presença do banjo, por exemplo, e a coisa está mais batucada. Já no debut, os arranjos são mais clássicos, dando um ar de coisa antiga feita hoje – o que, em se tratando de samba, é bem positivo. Sem contar as linhas melódicas que ele põe nas canções.

As melodias e o próprio modo de cantar de Wanderley, a princípio, me fizeram lembrar Monarco ou Paulinho da Viola. Com uma alma de samba, mas uma doçura que mescla muito bem tanto um clima de quintal de chão cimentado com o de um almoço dançante no salão de festas. Mas, depois de pensar nisso, os próprios ícones portelenses fazem o som da Velha Guarda, então, concluí que é isso, é aquele jeitão dos sambas de antigamente, mas ele é da geração que revolucionou o samba mais recentemente, a que eu chamo geração-cacique. Só posso dizer que é uma arte cuidadosa, na produção de Paulão 7 Cordas. Uma feliz configuração de boas parcerias, letras e melodias caprichadas e uma bela produção nas gravações.

É isso, rapeize, pra embalar seu churras ou pra passar o tempo com um fone de ouvido no transporte coletivo, recomendo Wanderley Monteiro pra te deixar leve com um samba competente e transcendental.

Fonte: Dicionário Cravo Albin.

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A beleza que não se vê, mas está lá

O texto a seguir foi publicado como legenda de uma foto no Facebook. O artista é José Maria Arruda e a modelo, ainda não se tem notícia do nome. O álbum onde ele exibiu a história e chama ‘SÉRIE PRETO É BONITO (BLACK IS BEAUTIFUL) e tem a descrição: Miscigenado, porém racista… Nossas contradições sociais’.

Foto: José Maria Arruda (Facebook). Modelo: Nome ainda não informado.

PEQUENA HISTÓRIA DESSA FOTO: Sábado passado fotografei meus amigos malandros da Mocidade na Lapa…

No meio do ensaio, descendo uma das ladeiras de Santa Teresa, essa jovem senhorita, acompanhada de suas tias, parou para nos observar fazendo o ensaio…

Pedi, então, para tirar uma foto dela… Ela ficou surpresa: “Eu, moço?… mas eu não sou bonita!”… Eu disse então que toda pessoa é uma estrela, tem seu brilho e sua beleza própria e que eu gostava de tentar captar o brilho de cada pessoa…

Disse a ela que ia provar como ela era bonita… Ela continuou incrédula e relutou até que uma das tias a encorajou… Fizemos essa foto… Perguntei se poderia enviar para ela por facebook ou mesmo e-mail… Ela disse que não precisava…

Acho que não tinha Facebook nem e-mail… É uma pena, pois pode ser que ela viva a vida toda sem perceber sua beleza própria… Queria que essa foto de alguma forma chegasse até ela, mas não sei como…

A foto com a descrição e comentários você vê aqui, agora, pense comigo: Isso é só uma questão de gosto que nasce do chão ou tem a ver com a cultura que faz o belo ser direcionado a modelos pouco comuns para nossa maioria populacional? Assim como a moça da foto, conheço muita gente que não se valoriza por achar que é comum demais, não tem graça, cabelos, traços, estaturas, tudo sem o brilho que o Photoshop mostra em tantas pessoas mais afortunadas.

Achei a história de uma singeleza tamanha que até relevei um comentário que li por lá se referindo a ela como ‘beleza de morena’. Poxa vida, a garota é negra! Mas, vá lá, isso não tira a beleza dela nem do momento, muito menos da sensibilidade do artista.

A essa altura, talvez ela tenha sido avisada sobre sua história na internet, até porque já eram 3442 compartilhamentos, 5162 curtidas e 248 comentários só até o momento em que escrevi este texto (em menos de um mês desde a publicação original). Caso ela não saiba, que algum conhecido dela possa lhe mostrar, pois se é um absurdo que a mulher negra seja condicionada a não se achar bonita, é um absurdo maior que ela tenha sua beleza reconhecida e não saiba disso. A auto-estima das nossas agradece.

ATUALIZAÇÃO (08/07/2014)

No desenrolar da história, os milhares de compartilhamentos da postagem de JM Arruda ajudaram a localizar a moça. Ela se chama Carolina Oliveira, estudante do Ensino Médio, filha de um eletricista e de uma farmacêutica, moradora da Zona Oeste carioca. Neste link, o fotógrafo informa sobre a moça e mantém seu incentivo para que ela se veja com o brilho no olhar e o semblante cheio de vitalidade que tem e que tantas pessoas notaram a partir da publicação. É isso aí, Carolina, cada um tem seu brilho e você tem tudo pra descobrir até onde vai com o seu.

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Músico não precisa mais de registro na OMB para atuar

Houve um tempo, na Grécia antiga (quando eu tinha uns 5 anos de idade, Rá!) quando o conceito de arte era um pouco mais abrangente do que hoje temos em geral. Não era apenas ligado a talentos sensoriais como música, pintura ou atuação, apenas, por exemplo. Na verdade, arte e técnica eram a mesma coisa. Ou seja, se você estudasse pra exercer uma determinada função, você se tornava apto a praticar aquela arte, sacou? Como o que acontece no primeiro filme do Thor (2011), quando ele explica a Jane Foster que de onde ele vem ciência e magia são a mesma coisa. E porque eu estou falando em Grécia antiga e Asgard? Bem, vamos saber no próximo parágrafo. Pra nada! Brincadeira! É que a Lei nº 3857/60, que criou a Ordem dos Músicos do Brasil, define que é preciso registro na autarquia para a função de músico ser exercida, mas o TRF entendeu que essa restrição, que não foi recepcionada pela Constituição Federal, ia contra a liberdade de expressão artística. Na prática, arte e técnica (no sentido de formação profissional) são justamente separadas pelo fator etéreo, sensorial. Ou seja, a carteirinha de músico não é obrigatória, pois música, sendo bem ou mal ‘exercida’, pode perturbar os ouvidos mais exigentes, mas não vai causar conflitos de ética nem atentar contra a vida de alguém. Coisa que faz muita diferença pra um médico ou advogado, caso não exerça sua função de maneira adequada.   Segundo a relatora do processo, desembargadora Marli Ferreira: “Não seria razoável aplicar relativamente aos músicos restrições ao exercício de sua atividade, na medida em que ela não oferece risco à sociedade, diferentemente, por exemplo, das atividades exercidas por advogados, médicos, dentistas, farmacêuticos e engenheiros, que lidam com bens jurídicos extremamente importantes, tais como liberdade, vida, saúde, patrimônio e segurança das pessoas”. Isso é uma tremenda boa notícia, pois por mais esforçado que um médico seja, ele precisa cursar uma faculdade pra entender do que vai ter em seu cotidiano profissional, já um musico, muitas vezes, aprende em casa a fazer sua arte. O conceito é tão simples que nem encontro tantas palavras pra te enrolar explicar mais neste texto. Até porque, se você está lendo isso aqui, sabe que o foco aqui é a raiz do samba. Então, pense comigo, carx sambanauta (hein?!), já pensou se ficasse um fiscal da OMB na porta do lendário Teatro Opinião, na década de 1970? Não teríamos a arte de Cartola, Zé Kéti, Clementina de Jesus e muitos outros que aprenderam sua arte em casa, nos morros, com antepassados, etc. Certamente a música perderia muito com essa exigência de carteira feita de maneira pragmática.   Felizmente, entendeu-se que música tem um quê a mais que dispensa carteirinha de registro, por não oferecer risco à sociedade essa ausência. Muitos músicos amadores agradecem o bom senso. Prefiro ver um músico brotando do chão a cada 5 segundos e sem carteirinhas do que um só médico exercendo medicina sem as devidas avaliações de competência.

 

Fonte: Guitar Load.

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Salve as almas!

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