Banjo: Coisas da pele

A conta do Almir

 

Bem, gente, lá se vão pouco mais de dois anos desde meu último texto sobre banjo, falando dos cuidados que o instrumento demanda para uma boa sonoridade característica. Volto ao assunto agora, pois agreguei uns conhecimentos que acho que podem ser úteis pra quem, assim como eu, não possui conhecimentos de luthier nem tem um à disposição, dependendo mais do boca-a-boca (UIA!) com os camaradas mais experientes ou internet pra quê te quero. Sendo assim, vou dizer o que eu tinha antes e o que mudou, ou melhor, se desenvolveu, pois senti uma falta danada de mais gente falando no assunto e, quem sabe, a partir daqui alguém mais fala, pois, com sinceridade, ou eu caía de volta a meus próprios textos ou eu tinha que procurar cuidados com peles de percussão. Mas tudo bem, o fundamental da ressonância do banjo é mesmo a pele, é o que o faz ser considerado uma espécie de híbrido harmônico percussivo (esse simpático frankenstein como eu disse no outro texto). Pois bem, olha que bicho deu.

 

O que era?

Esse foi o couro que acabei estragando, mas valeu a pena pelo que aprendi com minha curiosidade. Agora sei exatamente o som que quero tirar do banjo.

Meu antigo Rozini e sua pele natural de fábrica.

Antes, eu tinha um Rozini de couro natural, modelo estúdio, com plugue e uma sonoridade relativamente baixa. Eu achava que era talvez falta de prática, força na palhetada, mas não. Numa roda de samba que eu toco todo ano, me deparei com um rapaz com um banjo de bojo mais largo que tirava um som bem mais alto. Não tive dúvidas, achei que só conseguiria com um banjo maior, mas depois, aprendi que a pele influenciava. Pois então, pus a pele pra curtir numa solução que achei na internet. O que eu não sabia é que aquele era um tratamento para peles naturais ‘in natura’ e não as industrializadas, como parecia ser o caso da minha. Resultado, a pele ficou frouxa – pois dali ela seria posta num aro e tirado o excesso – e não ficou legal na regulagem, já que sobrava demais. Comprei uma sintética, apelando pro volume acima da média, mas ainda não fiquei satisfeito com o som de cavaquinho amplificado (é, sou chato pra caramba quando cismo com algo e sei o que quero). Por fim, comprei uma outra pele, esta assumidamente percussiva (dito isso até no nome desenhado sobre ela ‘percussion’). Achei que a pele ficou ainda folgada, isso juntando com os parafusos ruins de regulagem e minhas ferramentas inadequadas que terminaram por estragar tudo, não permitindo uma regulagem legal.

 

O que houve?

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Meu Del Vecchio e sua pele natural de fábrica.

Durante esse impasse, eu comprei um cavaco eletro-acústico e ia fazendo gracinhas por aí, o que me ajudou a espairecer da angústia do meu banjo sofrido. Mas eis que, um dia, num horário de almoço num lugar que trabalhei no Centro da cidade, encontro de bobeira, batendo perna, um Del Vecchio (meu sonho de menino) na Casa Oliveira, ali na Rua da Carioca, perto da Praça Tiradentes. Só tinha ele e o resto eram Carlinhos Luthier’s (muito bons também, mas a marca emblemática popularizada por Almir Guineto e Arlindo Cruz me chamava). Comprei, com case, afinador eletrônico e tudo. Ainda ganhei uma palheta de brinde (Rá!). A pele natural dele, sem mexer, já permitia um som gostoso e bem alto. Parecia que não precisava de mais nada.Mas em alguns ambientes, talvez por mudança climática ou a falta de uma regulagem mais exigente, achei que o som estava se perdendo, principalmente se comparando com outros banjos numa mesma roda. Cisma minha, nada que eu fosse tirar da cabeça à toa.

 

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Meu Del Vecchio e sua pele natural curtida em dendê. O que a experiência e umas besteiras feitas antes não fazem pelo ser humano, huh?

Recentemente, comecei a dar uma calibrada no couro, mas acho que por ele já ter vindo com o banjo (tenho este há pouco mais de 2 anos), pode ser que já estivesse velho e sem pressão, até porque, sabe lá zambi por quanto tempo essa pele já estava ali. Resultado da equação: Estraguei mais uma pele (sorry), pois ela ia cedendo mesmo que a regulagem já tivesse muito mais alta que o aro, até que rasgou. Comprei outra idêntica a pele ‘percussion’ que comprei para o banjo anterior na mesma loja em Madureira. Mas, dessa vez, eu tinha achado duas dicas muito legais e que, até agora, parece ter resolvido dois problemas numa palhetada só. A primeira foi a qualidade e tratamento da pele. Aprendi a passar azeite de dendê na pele, dos dois lados (mas só passar com um algodão e não ensopar o troço, lembre-se, é pra curtir o couro, não fritar acarajé). Deixei quase 24h curtindo ‘a frio’, ao ar livre na varanda, mas não descoberto pra não correr o risco de ensopar com sereno. Razoavelmente seco (porque ainda fica meio oleoso), coloquei no aro e fui apertando os parafusos, ora em X, ora intercalando parafuso sim, ou tro não e invertendo a ordem. Tudo pra não regular desigual e acabar empenando a afinação.

 

Pois então, consegui, ficou como deve ser, no limite do aro, cavalete ajeitado, porque tava 2015-05-21 00.52.10com marcas viciadas de cordas frisando, então lixei, som bem alto e, pra reforçar o aspecto seco do som, aprendi num vídeo a colocar fita naquele espaço das cordas depois do cavalete até as rodelinhas que as prendem. Isso resolve mais dois problemas numa só palhetada: O som ‘harmônico’ que fica ressoando desnecessariamente (como se estivesse amplificado ao lado da caixa de som) e deixando o som mais abafado, mais direto e conciso. Enfim, não sei o que vou inventar depois, mas dou uma dica, além de pessoas que trabalham com peles trabalhadas de maneira artesanal, há algumas dicas dessas pessoas, luthier a dar com pau por aí (só no facebook eu conheço meia dúzia entre famosos e anônimos) e, porque não, vendedores de lojas de instrumentos Às vezes possuem contatos legais. Pro caso das peles, especialmente, temos amigos percussionistas que dão dicas interessantes. Essa do dendê eu já tinha ouvido em papo de atabaque, mas achei na internet um método que usei e gostei. O negócio é não se acomodar. Não ficou do jeito que queria? Procura, pergunta, pesquisa no google e essas coisas.

 

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Vitrola de Ficha: Roberto Ribeiro – Tempo Ê

 

A sugestão da vitrolinha de hoje é Tempo Ê, autoria da sempre eficaz dobradinha Nelson Rufino e Zé Luiz do Império. Zé Luiz chegou a gravar, mas vou destacar aqui a versão gravada por Roberto Ribeiro no clássico Arrasta Povo (1976), que de tão bom, você toca o disco todo e ainda parece uma coletânea de tanto clássico junto. Recomendo muito, mas vamos à canção do texto.

É uma bela lição sobre o respeito ao tempo que começa exemplificando ‘um amigo’ (que a gente sempre acha que é o próprio autor com vergonha de admitir uma mancada – Rá!) que tentou alguma coisa por afobação, até que entendeu que tudo tem seu momento. Na segunda estrofe, vem um exemplo prático de que, entre “mil exemplos”, é citado o processo de ‘madurar’ de uma fruta, não ficando com o mesmo sabor da que passa por isso de forma in natura. Bem, chega de papo, fique com a música aê.

 

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3 sambas mais representativamente negros que Liberdade, Liberdade

 

Quero falar, já de início, que não acho o samba Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós… ruim. Só não é representativo. Foi uma fantasia de carnaval, e como tal eu respeito, além de admirar a bela melodia, mas enquanto peça histórica, não serve de nada. Eu posso usar os outros dois sambas desta lista como exemplos numa aula de história ou sociologia, como mote pra um debate, mas o referido campeão da Imperatriz Leopoldinense 1989 não. Aliás, só pra mostrar como ao longo de décadas a população vem sendo alienada com a ilusão de que o negro apenas fez “vir” pro Brasil aceitando a escravidão e aceitando, depois, a libertação por uma família real que nunca fez nada pela nossa população (o que automaticamente, já cofigura fazer contra, mas que se comprove que não fizeram uso da mão de obra escrava – o que duvido com fervor). Enfim, pra falar em luta por direitos, respeito e igualdade, não se aceita favor, a gente vai lá e busca. Como fez Zumbi, Dandara e tantos outros. A ordem não importa muito, só um critério que usei e digo lá na frente.

13 de maio não nos representa, mas há que se fazer uma exceção por ser o dia tradicionalmente consagrado a se homenagear nossos pretos velhos.

 

Kizomba, a Festa da Raça – Vila Isabel 1988 (Luíz Carlos da Vila / Rodolpho de Souza / Jonas Rodrigues)

Este, obviamente, sempre vai aparecer quando o assunto for representatividade, porque ao contrário de Liberdade, Liberdade, ele enaltece a cultura negra e a história onde Zumbi aparece como representante da luta contra a opressão do sistema escravagista e não Isabel como a heroína que levantou do sofá um dia aí e cismou de libertar os escravos que ficavam ali, sentados esperando favores. Kizomba é quilombo, não é espaço de fugitivos, é comunhão e irmandade por uma vida sem coleiras e grilhões físicos e mentais.

Trecho que destaco (mas é pra ouvir tudo): “Valeu Zumbi / O grito forte dos Palmares / Que correu terras, céus e mares / Influenciando a Abolição

 

Heróis da Liberdade – Império Serrano 1969 (Silas de Oliveira / Mano Décio da Viola / Manoel Ferreira)

Esta pérola aqui fala da luta pela liberdade lembrando um fato muito importante que os livros de história suprimiram por décadas: A participação das outras classes sociais no combate abolicionista. Intelectuais, políticos, escravos, populares, a abolição já ocorria há muito tempo em gestos, atitudes, inclusive na clandestinidade até por doutores que acobertavam fugas e populares que alimentavam quilombos. Senhores escravistas que temiam as retaliações de seus escravos rebeldes e de fugitivos com saques, agressões e até assassinatos de opressores e suas famílias. Os heróis da liberdade não foram os líderes do sistema, foram aqueles que o contestavam por mais humanidade. Detalhe, mesmo na cara que o samba é uma afronta às aulinhas de moral e cívica impostas pela própria ditadura (o A I-5 acabara de ser cuspido na nação), a única coisa que foi modificada pela censura foi ‘evolução’ no lugar de ‘evolução’. Samba atemporal.

Trecho que destaco (mas é pra ouvir tudo): “Ao longe soldados e tambores / Alunos e professores / Acompanhados de clarim / Cantavam assim / Já raiou a liberdade / A liberdade já raiou / Essa brisa que a juventude afaga / Essa chama que o ódio não apaga pelo universo…

 

 

Cem anos de abolição: Realidade ou ilusão? – Mangueira 1988 (Hélio Turco / Jurandir / Alvinho)

Normalmente, eu colocaria o samba do Império na frente por ser perfeito, mas esse da Mangueira tem um quê de desabafo, diferente do Império que se mostra mais um documentário ‘abra os olhos’ e não há juízo de valor aqui, apenas um critério emocional sobre o tom do samba, da letra em forma de contestação, desabafo que é a tônica do que fazemos até hoje nesta data. O samba contesta porque é sua função levantar a questão, mas nós que debatemos sobre isso o ano todo, sabemos que a realidade é uma enganação histórica.

Trecho que destaco (mas é pra ouvir tudo): “Pergunte ao Criador, pergunte ao criador /  quem pintou esta aquarela / Livre do açoite da senzala / Preso na miséria da favela” 

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Nei Lopes e a industrialização da cultura negra

nei utopia

Em fevereiro de 2013, Nei Lopes (ele de novo, o homem não sossega, graças a Olorum!) concedeu entrevista a Ricardo Rabelo, para o site do Bafafá On Line onde, dentre outras coisas, falou de sua infância, trajetória profissional até chegar a ser o músico e escritor que conhecemos.

Aí, chega um momento em que ele menciona o eterno preconceito que o Samba sofre (assim como todos os elementos da cultura afro quando é exercida pelo seu povo ‘nativo’, o negro, não por coincidência). Ele diz assim:

“Samba era coisa de “crioulo do morro” – o que não era o nosso caso, lá em casa. A rua tinha uma subidinha, mas não chegava a tanto. Então, imagina o quê que eu tive que fazer pra assumir esse gosto. Mas consegui.”

Nessa hora não posso estar mais feliz em ser um dos administradores da página facebookeana Nego do Morro, pois o objetivo lá é justamente esse, o quilombismo, não com o sentido de fuga de flagelado da escravidão, mas como espaço livre para a manifestação cultural e política do negro, uma irmandade, um refúgio no sentido de quartel-general, ou filial, o que é mais cabido aqui.

Nei também traça um perfil do que o mercado fonográfico e indústria cultural entendem por público de Samba:

“(…) eles (gravadoras, mídia e a turma da “cultura”) acham que Samba é coisa de preto, velho e pobre (…) Eles não sabem o que estão perdendo!”

E é verdade, até parece que é só velho que dá camisa ao Samba, isso acontece porque o Samba é uma cultura e não só um gênero musical pra se vender na prateleira da lojinha ou da megastore (só um adendo: não cabe ficar especificando ‘de raiz’ ou ‘de verdade’, porque Samba é Samba e ponto. O resto nem merece esse nome). Samba é passado para os mais novos, só que você não vê no mercado a menos que seja filho de artista da mídia. Sem falar em apropriação – ainda – note os locais de samba como vivem cheios, inclusive de pagodeirinhos-modinha que querem tirar selfie e pagar de deXXXcolado (imagine meu sotaque carioca mais carregado agora).

Fique agora com uma ilustração do público sambista para o mercado ‘cuscuz de geladeira’:

E como a gente vê essa ‘coisa de velho':

E uma piadinha muuuuito infame:

Como se chamaria a escola de Laíla se Nei fosse o dono?

R: Beija-Flor de Nei Lopes.

Rá!

Não me odeiem.

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Nei Lopes lança novo livro sobre Movimento Negro e o protagonismo do negro em sua própria história

Texto originalmente publicado por BOLÍVAR TORRES em 18/04/2015

Veja matéria original de O Globo aqui.

Nei Lopes, pesquisador afiado que é, está de trabalho novo. Trata-se de Rio Negro, 50, obra que mistura acontecimentos e personalidades reais e fictícios – imagino – com o preciosismo de sempre do autor que no verso mais corriqueiro de alguma composição sua consegue transmitir uma atmosfera muito própria, quase uma nostalgia de tempos que nem foram vividos por quem aprecia sua arte.

 

Em entrevista para o jornal O Globo, Nei fala de suas intenções com respeito ao livro, como o protagonismo do negro em sua própria cultura e a necessidade de abertura de espaço para o negro dentro da própria sociedade brasileira, para que seja mais justa com a maioria da população.

 

Seguem, abaixo, alguns destaques da matéria original. Notem que algumas respostas são tão diretas que dá vontade de sugerir ao escritor e compositor que um dia faça um livro só de impressões diante de suas pesquisas e vivências. Saca, algo não muito acadêmico, tenho certeza que seria visceral, mas estou divagando…

Segue a pequena coletânea de falas de um dos mais proeminentes representantes de nossa cultura, sobretudo pesquisador do subúrbio (“é isso aí, ê Irajá…”, como diz o próprio em uma de suas canções mais emblemáticas sobre o assunto).

Sobre porquê mostrar um Rio do ponto de vista do movimento de intelectuais negros:

“Porque foi a década em que aflorou o protagonismo do povo negro na cultura brasileira, em quase todos os setores, da religiosidade ao teatro musicado, passando pelo rádio, pela aglutinação política, sem falar no futebol e outros esportes (…) Começou-se a pensar a vida dos negros a partir de uma perspectiva própria, incentivando-se o orgulho pelas nossas peculiaridades e pela nossa História.

A ‘participação’ do Clube Renascença:

“O aspecto mais emblemático sobre esse ponto é a fundação do Clube Renascença, em 1951. Buscava-se criar um espaço sócio-recreativo para a classe média negra que se estruturava, e que era proibida de ingressar nos clubes de sua classe econômica.”

Leia uma matéria sobre participação do negro na cultura no site do ‘Rena’.

Sobre reduzir a importância do clube a um espaço de Samba:

“(…)Isso acontece em razão dos mesmos mecanismos que negam ao samba sua condição de elemento fundamental e definidor da cultura musical brasileira, colocando-o sempre no gueto espaço-temporal do carnaval. Dentro dessa engrenagem perversa, que obedece inclusive às regras da cultura de mercado, um clube “de negros”, como é ainda o perfil do Renascença, é mais aceitável como uma casa de samba (carnavalesca, enfim), jamais como uma “casa de cultura”, onde se pense as questões do povo afro (…)”.

A setorização do negro na política:

“Ela (política partidária) criou conselhos, assessorias etc, para a participação do povo negro na política. E, com isso, acomodou a situação de exclusão e dificultou a expansão da consciência dos afrodescendentes sobre seus interesses específicos, que precisam ser defendidos de verdade (…) Temos que ser representados na proporção exata de nossa presença na população brasileira (…)”.

A ameaça quase institucionalizada à cultura negra e apropriação cultural:

“Quem vive nas periferias das grandes cidades sabe do que estou falando (…) A ameaça tem vindo das chamadas “igrejas eletrônicas”, donas de poderosas concessões de radiodifusão, que demonizam a cultura afrobrasileira de todas as formas (…) Outra pedra no caminho é a “cultura negra sem negros”, gerada no âmbito da indústria cultural, do marketing, dos patrocínios…”

O acesso do negro a esferas culturais e acadêmicas diferentes do folcloricamente esperado pela sociedade:

“A sociedade brasileira continua extremamente estratificada e fechada: a entrada nos círculos de poder e decisão é muito difícil para o povo negro. E, para boa parte desse círculo, o que se espera sair da pena de um escritor afrodescendente é o espetáculo da miséria, da violência, da exclusão. Exatamente para que cada um fique “no seu lugar”.”

 

Bolívar Torres, autor da matéria em questão.

 

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Mussum – 74 anos

Dia 7 de abril é quando se comemoraria o nascimento de Mussum, o famoso Antônio Carlos Bernardes… ou o contrário, sei lá. Falei isso porque, dentre os Trapalhões, ele é o que, folgadamente, menos artista era e ao mesmo tempo era o mais artista deles. Isso porque ele não interpretava, era tipo seu Madruga, saca? Aquele que entra em cena, concentrado, claro, mas que interpretava ele mesmo. E quando descobri que o cabra já tinha feito parte dos Originais do Samba, minha infância ganhou um ícone a admirar ainda mais.

Em homenagem ao artista, pessoa Mussum, aqui vai um vídeo onde se vê o Mussum sendo ele mesmo e você repara que não era pro humorístico que o tornou famoso. Além da batida característica no reco-reco, a marca registrada de Mussum era ser o malandro sambista carioca do morro. Mussum faria 74 anos em 2015. 21 anos de saudades.

 

Por problemas para inserir o vídeo, deixo o link do ensaio na TV Cultura:

Do documentário em homenagem ao artista:

E a parte final do documentário:

E um compilado de bastidores:

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Império Serrano – 68 Anos

De uma dissidência da Prazer da Serrinha, nasceu o Império Serrano, pelas mãos de Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira, Sebastião “Molequinho” de Oliveira, entre outros, na casa de Dona Eulália. Isso, a 23 de março de 1947. Tá beleza, todo mundo sabe – ou deveria – saber disso. A questà é que contar a história é legal, mas pouco ilustrativo, e quando rola de ser bem ilustrativo, acaba ganhando mais em imagem e som do que em informação, ou quando junta tudo, fica meio enjoativo pra muitos, pois fica informação demais. Também vou evitar o lugar-comum de elencar as músicas mais clássicas relacionadas à escola, porque aí, algumas que são amplamente conhecidas do grande público poderiam tirar lugar de algum samba de terreiro que merece também a propagação. Então, pensando em fazer o que o Samba tem de melhor, vou contar um pouco da história da escola JUSTAMENTE com músicas em sua homenagem (da escola, não de você, leitor. Rá!). Então, lá vai: Sambas de exaltação ao Império Serrano.

 

Sou Imperial  (Avarese)

Eu sou de lá / Eu vi o Império nascer / Eu vi o Império lutar / Eu vi, Iaiá / Eu vi o mistério crescer / Ao som dos tamborins imperiais / Já foram ganhos vários carnavais / Samba no Império  é diferente / Tem mistério / Vem com a gente / Sou imperial

 

O Imperador  (Paulo Debétio / Paulinho Rezende)

Essa é uma homenagem direta e pessoal ao pai de Jorginho do Império (gravado originalmente pelo mesmo), Mano Décio da Viola, que além do trocadilho perfeito (“Mano Décio, desce os dedos na viola…”), relata por tabela – ou nem tanto assim – a própria história da escola:

Você que fundou o império / E não se vestiu de imperador.
Ficou sendo um lá do serrano / Apena um mano poeta e cantor
De braço com o Mestre Fuleiro / Molequinho e outros bambas
Na casa da dona Eulália / Pintaram de verde e branco
A bandeira do samba

Menino de 47  (Molequinho / Nilton Campolino)

Menino de 47 / de ti ninguém esquece
Serrinha, Congonha, Tamarineira
nasceu o Império Serrano
o reizinho de Madureira

 

Serrinha (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

(…) Império Serrano é a minha / Escola que dá prazer

É o prazer da Serrinha  / E nos orgulhamos de dizer
Imperial / Imperial / Eu sou também / É voz geral
Por isso vem / Vem pessoal
E vamos jurar a bandeira imperial

 

Serra, Serrinha, Serrano (Roberto Ribeiro / Toninho Nascimento)

Serra, Serrinha, Serrano / Eis o berço imperiano / Onde tudo começou

Terra de sambistas e de jongueiros / São Jorge é meu padroeiro

Molequinho Batizou (…)

 

Serra dos Meus Sonhos Dourados (Carlinhos Ben-Te-Vi)

Serra dos meus sonhos dourados
Onde nos fomos criados
Hei de morrer
Não desfazendo de ninguém
Serrinha custa mais vem

 

Prazer da Serrinha (Hélio dos Santos / Rubens da Silva)

A menção honrosa obrigatória, afinal de contas, o Império Serrano nasceu do Prazer da Serrinha (nossa, só depois de ler o que escrevi percebi os vários sentidos poéticos e factuais dessa frase. Rá!).

Qualquer criança / Toca um pandeiro, um surdo e um cavaquinho

Acompanha o canto de um passarinho / Sem errar o compasso |
Quem não acreditar Poderemos até provar,  / Pode crer, porque
Nós não somos de enganar, / Melodia mora lá
No prazer da serrinha!

 

Saudações imperianas!

sagatiba imperiano

Rá!

Axé!

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