Resenha: Sambas-enredo Carnaval 2015 – Grupo Especial (SP)

Mocidade Alegre

Nos Palcos da Vida, Uma Vida no Palco… Marília!

Samba legal, refrão fácil e direto já lançando a homenageada sem cerimônias… Talvez porque o restante da melodia venha justamente mais à vontade apenas esmiuçando a biografia da atriz Marília Pera (como curiosidade, é a terceira atriz homenageada por uma escola, depois de Dercy e Bibi Ferreira (ambas homenagedas pela Viradouro). Gostei da cara de ‘samba’ que esse samba tem (hein?!). É que hoje em dia existe uma tendência grande a sambas-enredo ficarem viciados nos mesmos lances, viradas e melodias… clichês. Mas este é um que foge pro lado oposto. Linha reta e com mudanças melódicas pertinentes. Não tem cara de colcha de retalhos, saca? Samba pra carnaval tem que ser assim. Já imaginei na avenida.

 

Rosas de Ouro

Depois da Tempestade, O Encanto!

Falando em contos de fadas que envolvem superação (dah, praticamente todos, né?). Gostei muito da linha melódica. A harmonia tem umas dissonâncias que gosto muito em qualquer música, mas em se tratando de samba, dá uma emoção pela música em si. Sei lá explicar, não tenho formação técnica, mas acho que valoriza muito a canção. Samba curto, hein! Falando de chuva, temporal… hmm, em termos de carnaval, sempre dá um medo de falar em chuva… haha. Brincadeira. Como eu disse, samba curto, mas envolvente. Achei tão direto que nem dá pra sentir (UIA!), mas é legal que não enjoa. Se vai ter esse efeito durante todo o desfile, não sei, mas está muito bom.

 

 Águia de ouro

Brasil e Japão – 120 anos de União

Normalmente, eu não sou chegado nesses enredos com cara de guia turístico, ainda mais quando fala de lugares fora do Brasil, mas, em se tratando de São Paulo, acho mais do que natural a cultura do país ser abordada. É parte da própria identificação Brasil-Japão. Gostei do samba, tem uma melodia sólida e me faz lembrar de alguns sambas dos anos ‘90s, quando a alegria das melodias ainda era mais importante do que as politicagens.

 

Acadêmicos do Tucuruvi

Entre confetes e serpentinas: Tucuruvi relembra as marchinhas do meu, do seu, do nosso Carnaval’

Samba homenageando as marchinhas de carnaval clássicas. Já mencionei isso nas outras duas resenhas que fiz (RJ), pode parecer meio deitão, mas eu adoro esses sambas que usam a própria letra pra citar outras letras. Quase uma metalinguagem. Estilão União da Ilha, a diversão leve do carnaval. Tomara que no desfile, a escola saiba aproveitar, porque sempre tem o risco de não ter fôlego pra manter um tema tão simples, mas a canção, pra mim, tá maneira.

 

Dragões da Real

Acredite se puder

Antes, uma observação específica da gravação: Se o esquenta tiver essa longa introdução, vai estourar o tempo. Rá! Brincadeira, pra mim, que não conheço muito do carnaval de Sampa, fiquei esperando o refrãozinho acabar pra saber de que escola se tratava… mas enfim… Samba motivacional falando em acreditar nos sonhos. Sei lá, não que eu achasse fraco, mas acho que o tema tá muito em aberto, sem um fio condutor. Até faz sua menção ao sonho de gritar ‘é campeão’, mas não me diz muito sem ver o desfile pra ilustrar. Enquanto música, achei meio genérico.

 

Acadêmicos do Tatuapé 

Ouro, símbolo da riqueza e ambição

Intro feita por Leci Brandão e pelo encrenqueiro do Wander Pires. Enredo sobre ouro (inshalá!), já começa citando a mãe africana do ouro, o orixá Oxum. A curiosidade fica por conta da frase “o sonho de gritar ‘é campeão’”, dita também no refrão da Dragões da Real (tipo, não estão contendo o desejo pelo título, né?). E outra, boa parte do samba está em tom menor, o que, pra mim, é muito lindo, ainda falando em orixá, folclore e assuntos que abordam cultura em geral.

 

Tom Maior 

Adrenalina

Samba falando de adrenalina já me promete (mesmo que ninguém se importe, rá!) um desfile empolgado e com alegorias bem diretas no que diz respeito à comunicação com o público, e enquanto música, até gostei, mas achei a melodia meio comunzona em alguns momentos. Nada que atrapalhe e as viradas da bateria dão uma quebrada nessa retidão melódica. Talvez seja apenas uma expectativa inconsciente que eu tenha criado entre o enredo e a música, mas gostei sim, não critico negativamente não.

 

Império de Casa Verde

Sonhadores do mundo inteiro: uni-vos!

Ok, eu já superei a ironia do verde no nome e o azul no pavilhão. Mais uma escola com tema lírico de sonhos e tals… Tô reparando um padrão ou é só paranóia minha? Bem, pelo menos, a abordagem aqui tem uma direção. Cita Bob Marley, Zumbi, Mandela, então, já percebemos que o sonho não é apenas uma espécie de delírio e sim as inspirações artísticas, sociais, culturais e essas bossas. A melodia também subverte certas expectativas que ela mesma lança, levando a melodia para outro caminho, fazendo com que a música tenha uma maior intensidade, já que lances diferentes não dão de cara o destino da canção. E outra: Mais uma a falar em ‘sonho de ser campeão’. Minha paulistada querida tá com sangue nos zóio pra levantar o troféu. Rá!

 

Vai-Vai 

Simplesmente Elis – A fábula de uma voz na transversal do tempo

Samba de homenagem biográfica a Elis Regina. Não precisa falar mais nada, né? A história da pimentinha dá muito enredo. Nota: A intro de Maria Rita citando trecho de Maria, Maria deve ter exigido uma força que a cantora não faz nem em suas próprias músicas… Deve ter dormido três dias descansando a voz. Rá! Melodia simples e bonita. E toda gravação que mete (UIA!) um banjo na levada de samba-enredo me causa admiração (porque eu não sou de fazer, então reconheço a beleza da atitude, haha). Esse samba e esse tema não tinham como dar errado, pelo menos na música, e não deu. Agora é correr pra avenida e valorizar a bela canção.

 

Gaviões da Fiel 

No jogo enigmático das cartas, desvendem os mistérios e façam suas apostas, pois a sorte está lançada!

É, vai falar de baralho (tipo a Grande Rio, aqui no Rio de Janeiro), então, mais do que esperado falar em apostar, jogar, ganhar e… er… curinga, né? Enfim, o samba tá legal, tem umas nuances maneiras de outras melodias deste ano, mas cada uma fazendo do seu jeito. Não soa como imitação, talvez uma tendência otimista de vários compositores tentando fugir dos clichês. Tô gostando.

 

X-9 Paulistana 

Sambando na chuva, num pé d’ água ou na garoa. Sou a X-9 numa boa

Gosto muito quando os caras pegam um tema e metem nossa cultura lá no meio (UIA!). Fala de chuva, vai ter Iansã (eparrei!), no mínimo, né? Rá! Tem trovão, tem água, vem orixás afro e eu gosto muito, porque sempre enriquece muito nosso carnaval, nosso samba. Tem uma parte lá no refrão que é impossível ficar alheio à melodia, acho que é porque meio que invoca a ancestralidade, falando em orixá, a bateria fazendo uma levada de afoxé… Enredo muito rico e melodia bonita.

 

Nenê de Vila Matilde 

Moçambique – A Lendária Terra do Baobá Sagrado

Tem banjo na intro dessa, o que dá um colorido diferente, mas isso é só observação de um aficcionado. Nenê vem com África, especificamente, Moçambique. Adoro enredo afro. Abordagem histórica, valorizando nossos ancestrais, mas também leva – numa melodia envolvente – até a contemporaneidade e faz projeções de um futuro de desenvolvimento para o país. Não preciso falar muito, melhor ouvir direto o samba, porque tá tudo ali. Muito bonito!

 

Unidos de Vila Maria 

Só os diamantes são eternos na química divina

A exemplo da Tatuapé, vem falando em riqueza, mas não tanto pro lado folclórico, aqui, a Vila Maria fala do diamante, o samba é legal, mas achei comunzão. A melodia não me oferece grandes desafios pra se ‘degustar’ com os ouvidos, tem lá seus momentos bonitos, mas acho que me chamou mais à atenção a letra um tanto quanto genérica. Frases muito diretas, mas sem muita referência, meio que se garante demais no título pra ir falando o que veio na pesquisa e tals… Não gostei, nem desgoetei. Foi mais um ‘nhé’. Como destaque, cito que é mais uma escola a falar em ‘é só acreditar!’.

 

Mancha Verde

 Quando surge o Alviverde Imponente… 100 anos de lutas e glórias

Outra que veio homenageando o clube esportivo que a originou. Outra que fala no desejo de gritar ‘é campeão’.  E já foi traçado o perfil da disputa este ano na terra da garoa. Aqui é o cenário do Palmeiras. Acho legal, esses refrões de exaltação. A melodia chama a escola a cantar de coração. Nada mais que isso. De letra, é uma homenagem ao Palmeiras, em melodia tem uma retidão que não chega a enjoar, mas também não é um achado, é uma música competente no que se propõe.

 

 

Afora a regularidade, estão todas bem equilibradas, com uma ou outra destoando pra cima ou pra baixo, acho que o grande traço deste carnaval em São Paulo vai ser um grupo especial com muita vontade de levar o título na base do sonho de possibilidade de ser campeão. Muitos sambas falam isso diretamente. Bem, até aí, ninguém disputa um carnaval só pra competir, tem muita coisa envolvida, mas se declarar assim, sonhadores, guerreiros, e esse desabafo direto na letra… Sei não, acho que quem ganhar, vai precisar tomar um maracujá, porque a galera parece bem inflamada pra esse carnaval.

E, é claro, os sambas:

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Desfile das campeãs 2015 não será transmitido pela TV

Ala da Unidos da Tijuca durante a passagem da escola no Desfile das Campeãs em 2014

Ano passado já tinha ocorrido uma mudança significativa na transmissão do carnaval. Aconteceu que a Globo – detentora exclusiva dos direitos de transmissão – costumava ceder esses direitos para outra emissora (Band ou SBT, geralmente) com o intuito de atrapalhar a principal concorrência (Record, geralmente) enquanto seguia com sua programação engessada por Jeová.

 

Mas, este ano não será como aquele que passou (nossa, parece discurso de ano novo), pois, desta vez, a globice do momento é não passar nadica de nada na TV. Ano passado ainda rolou um migué de que transmitindo o Grupo de Acesso (ou Grupo A – série A é uma pinóia!), já mobilizariam uma equipe muito grande, o que, sei lá porque cláusula no contrato com a Liga, garantiria uma isenção da emissora (o contrato manda que o desfile das campeãs seja obrigatoriamente transmitido).

Foto: Ary Delgado

Mas, como sabemos, nesse mundinho carnavalesco e capitalista, money talks. Então, ano passado, a Globosat chegou a passar, no lugar das emissoras “locatárias”, no canal Viva, mas, em 2015, lançou um papo de que a situação econômica não tá fácil pra ninguém, e não chegou a um acordo. Ou seja, nem concorrente, nem subsidiária, o desfile vai pro limbo.

 

Pra quem gosta de assistir ao desfile já descompromissado das escolas que se deram bem no carnaval, é bom que se mexa pra arrumar uns ingressos, porque na TV, só mesmo aqueles compactos chatérrimos e sem expressão de uma transmissão oficial com cara de Pânico na TV. Muitas piadinhas, informações inúteis e um certo descaso com algo que nem todo mundo pode pagar, resistir fisicamente, mas que ainda insiste em gostar. Tipo futebol, saca? Que muita gente ainda acompanha por inércia, mas sabe que perdeu o brilho há tempos? Pois é, ou então, faz igual a nós, lá na toca, junte umas cervejas, uns biricuticos e passe a noite comentando os comentários bizarros que vão surgir, com certeza. Assim, você se diverte e nem repara que vários desfiles de carnaval estão sendo atrapalhados por quem não entende de carnaval, só de dinheiro, influência e poder de manipulação televisiva.

 

Bjks!

 

Fonte: Roda de Samba – Extra.

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Resenha: Sambas-enredo Carnaval 2015 – Grupo A (RJ)

Nota do autor: Série A é pra futebol e eu não sou um globomaníaco pra generalizar carnaval e futebol como isca pra distraído pacote de entretenimento barato… muito embora “eles” façam de tudo pra pasteurizar a esse ponto. Prossigamos sem globices.

ESTÁCIO DE SÁ
Samba Enredo: DE BRAÇOS ABERTOS, DE JANEIRO À JANEIRO. SORRIO, SOU RIO, SOU ESTÁCIO DE SÁ!

(Compositores: Dominguinhos do Estácio, Tinga, Merica, Adriano Ganso, Dani Maroneze e Eduardo Martins)
Intérpretes: Leandro Santos e Dominguinhos do Estácio

A escola conta a própria história, desde a Deixa Falar, primeira escola e criada na mesma região do morro de São Carlos. Várias referências Às citações do bairro no cancioneiro popular e algumas jogadinhas da melodia me fazem pensar num desfile legal, divertido, nostálgico sem ser chato. E o samba tem uma cara de samba, mas sem muito o vício que faz muitos sambas parecerem demais entre si. Simples e direto. Gostei da proposta. Fez lembrar a beleza melódica e temática da Vila Isabel de 2013.

­UNIDOS DE PADRE MIGUEL

Samba Enredo: O CAVALEIRO ARMORIAL MANDACARIZA O CARNAVAL
Compositores: JR Beija-Flor, Toninho do Trailer, Ribeirinho, Lauro Silva, Diego Rodrigues, W. Correa, Carlinho do Mercadinho e Cabeça
Intérpretes: Marquinho Art’Samba

Uma bela melodia e uma letra redondinha. É assim que eu defino, e isso passa pela união entre letra e melodia. Ah, e o conteúdo também tá muito bem encadeado. É uma grande homenagem a Ariano Suassuna, um enredo bem lírico, diria até onírico… mas antes que eu comece a ficar chato como aquelas sinopses viajandonas, só digo isso: Lembro muito de cordel, não só pela óbvia referência ao Nordeste de Suassuna, mas os arranjos desse samba estão realmente belíssimos. Levo fé no bom desempenho da Unidos junto ao público.

IMPÉRIO DA TIJUCA
Samba Enredo: O IMPÉRIO NAS ÁGUAS DOCES DE OXUM
Compositores: Bola, Dudu, Marcão Meu Rei, Gallo e Alexandre Alegria
Intérpretes: Roosevelt Martins Gomes da Cunha (Pixulé)

Aqui a grande injustiçada do grupo Especial no ano passado, ela volta à África, dessa vez, falando de Oxum, orixá da riqueza, da jovem mãe, da beleza e da sensualidade. Melodia bem carnavalesca, mas com uns lances meio que à La ponto cantado, saca? Quem é da corimba sabe do que estou falando, daquele tom solene ‘sambado’, tipo oração musicada. Mais uma vez uma musica intensa e refrão de arrepiar.

PORTO DA PEDRA
Samba Enredo: HÁ UMA LUZ QUE NUNCA SE APAGA!
Compositores: Evaldo, Dr.Eduardo-Floriano do Caranguejo, Jedir Brisa, Miltinho, Manolo e Diego Tavares
Enredo sobre a luz. Caras, eu achei, primeiro, que era algo sobre a força da escola, comunidade e tals… mas estive dando uns googles na sinopse e vi que a coisa é pro lado da luz física mesmo, tipo, energia. Aí, tem um trecho que fala ‘a ampla visão do artista’ e não consigo mais pensar que esse enredo não tem participação da Ampla, concessionária de energia Elétrica em Niterói e São Gonçalo, região metropolitana, casa da escola… Sei lá, lembram-se do enredo sobre leite, patrocinado pela Parmalat? Não gosto, mas o samba é simpático.
A­CADÊMICOS DO CUBANGO
Samba Enredo: CUBANGO, A REALEZA AFRICANA DE NITERÓI!
Compositores: Sardinha, Gustavo Soares, Wagner Big, Diego Moura, Junior Fionda, Lequinho, Gabriel Martins e Igor Leal
Intérpretes: Preto Jóia

Preto Jóia de volta ao carnaval carioca, dessa vez pela Cubango, outra coleguinha de Região Metropolitana. Mais uma a falar de África com belo tom e linda melodia, cadenciada e um jeitão de samba de meio de ano. Aliás, a segunda parte dá uma força muito legal ao samba, quando entra a bateria. Se no começo o que envolve é a melodia forte, o que se segue é uma sucessão de possibilidades pro mestre de bateria brincar com a batucada que o tema e o carnaval permitem.

IMPÉRIO SERRANO
Samba Enredo: POEMA AOS PEREGRINOS DA FÉ!
Compositores: Arlindo Cruz, Lucas Donato, Alex Ribeiro, Rogê, Carlos Senna, Beto BR, Andinho Samara, Zé Glória, Wagner Rogério e Chico
Intérpretes: Clovis Pereira de Azevedo (Clóvis Pê)

Esse é meu Império querido e guerreiro. Tá, prometo ser imparcial. Vamos lá. Estou gostando muito dos sambas desse grupo A. Todos começam mostrando apenas a cadência, harmonia e melodia, pra depois mostrarem a força. Agora, vou te contar, Que melodia linda! Acho que é um dos favoritos, no que depender de samba, no desfile, só na hora na avenida, mas esse samba tá lindo, variações melódicas emocionantes e uma letra absurdamente encadeada e simples. Mais uma vez, vou lembrar da Vila Isabel 2013, não à toa, tinha também participação de Arlindo Cruz. Melodia rara pra um samba-enredo de hoje em dia e um dos melhores do Império nos últimos anos, e olha que estamos falando do recente sobre a Dona Ivone também, hein.

UNIAO PARQUE CURICICA
Samba Enredo: OS TRÊS TENORES… DO SAMBA!
Compositores: Arlindo Neto, Léo Guimarães, Ronaldo Nunes, Marcelinho Moreira, e João Diniz
Intérpretes: Ronaldo Ylê

Homenagem a Arlindo Cruz, Martinho da Vila e Monarco. Três justas homenagens e um tipo de enredo que permite muita referência às obras dos “tenores” citados. Posso imaginar um desfile maneiríssimo, cheio de alegorias ilustrando sambas e a minha mania nerd de procurar easter eggs (aquelas referências visuais que ficam espalhadas pelos cenários de filmes, como um escudo estrelado no laboratório de Tony Stark, o Homem-de-Ferro, saca?). Enfim, samba fácil de fazer, mas não fácil de concretizar, justamente pela infinidade de maneiras de se apresentá-lo. Mas o samba tá beleza.
PARAISO DO TUIUTI
Samba Enredo: CURUMIM CHAMA CUNHANTÃ QUE EU VOU CONTAR…
Compositores: Anderson Benson, Leandro Rc, Minueto, Flazil Câmara e Flavinho Segal
Intérpretes: Daniel Silva

Melodia que, não sei se pelo vozeirão de Daniel Silva, mas me passa uma força de intensidade incrível. Mas também, falando em índio, né? Mexe com minha emoção. Rá! Refrão bonito e um tema que rende bastante. Cultura brasileira empre rende, e quanto mais o pé no chão, melhor, pra mim, particularmente.

CAPRICHOSOS DE PILARES
Samba Enredo: NA MINHA MÃO É MAIS BARATO!
Compositores: Lee Santana, Geraldo Rodrigues, Marcelo Schimidt, Anderson Rodrigues, Queilo e Fernando de Lima
Intérpretes: Thiago Brito

Essa escola é marcante na minha infância, junto com União da Ilha e São Clemente, sempre me remete a sambas divertidos e desapegados. Esse vem falando de barganhas, escambo, camelôs e todo aquele papo de mercador informal. E chega a fazer uma denúncia ao carnaval “vendido”, lagando de mão o amor ao samba pelo vil metal. Um tremendo de um ‘Rrrratinho nho nho’ em Pilares. “Depois que o dinheiro comprou, a bendeira, o sambista rasgou”. Adorei. Se eu citar mais algo que achei maneiro nesse samba, vou ter que fazer uma postagem só sobre ele, mas, até aí, eu falo nisso o tempo todo. Hahaha.

INOCENT­ES DE BELFORD ROXO
Samba Enredo: NELSON SARGENTO – SAMBA, INOCENTE PÉ NO CHÃO!
Compositores: André Malheiros, Tico do Gato, Vinicius Ferreira, Juruna Zona Sul, Abilio M&S, Chiquinho do Bar, Altamiro e Sidnei Pinto
Intérpretes: Nino do Milênio
Inocentes… de pé no chão. Nelson Sargento e a óbvia referência a um dos maiores clássicos do compositor mangueirense e de nossa cultura em geral: “Agoniza, mas não morre”. Samba redondinho, bonito e minha sincera implicância com a voz meio ‘anasalada’ do cantor. Mas nada que comprometa, até porque a pulada dele pra uma harmonização vocal quando o coral canta compensa. De resto, é isso mesmo, uma declaração de amor a um grande sambista e muito apelo com o público, acho e espero.
RENAS­CER DE JACAREPAGUÁ
Samba Enredo: CANDEIA! MANIFESTO AO POVO EM FORMA DE ARTE!
Compositores: Cláudio Russo, Moacyr Luz e Teresa Cristina
Intérpretes: Diego Nicolau e Evandro Malandro

Ah, falou em Candeia, mexeu com minha sensibilidade. Ouvi a primeira vez há alguns dias na Feira das Iabás de janeiro, quando Selma, filha de Candeia – e uma das Iabás da feira – foi ao palco com Marquinhos de Oswaldo Cruz e vibrou com o o intérprete oficial e a presidente da Renascer, Kátia. É um samba lírico e mais um da série ‘faça referências à obra do homenageado que não tem erro’. Claro que não é uma fórmula perfeita, mas aqui foi muito bem executada. Contou-se a historia do artista através de suas músicas e postura irretocável de defensor de nossa cultura. Vendo o time estrelado de compositores desse samba, acho até um abuso (meu) reparar que não houve uma menção forte a Testamento de Partideiro, mas o samba está lindo e acredito que isso venha complementar no próprio desfile. Tá, já deixei de ser chato.

 

ACADE­MICOS DE SANTA CRUZ
Samba Enredo: UM PEQUENO MENINO SE TONOU UM GRANDE OTELO
Compositores: Zieco Santa Cruz, Roni Remandiola, De Araújo, Marquinho Beija-Flor, Zé Glória e Dudu Da Tijuca
Intérpretes: David do Pandeiro e Pavarotti

Enredo meio que linear sobre Grande Otelo. Pra mim, perto d oque sempre acompanhei como espectador, parece vir por aí um desfile linear. Sem invencionices de contar a história de um artista numa viagem organoléptica do homenageado nas costas de um pássaro feito de creme de chantily e essas viajandices. Parece vir por aí, uma biografia sincera e festiva sobre Grande Otelo, atrave´s de seus trabalhos famosos e seus reflexos. Ponto por lembrar de Seu Eustáquio, da Escolinha do Professor Raimundo, eu não sabia que estava vendo no meu cotidiano um gigante (com perdão da ironia da estatura dele) de nossa cultura e história artística. Mas, voltando, o samba tá certinho e muito bom.

EM CIMA DA HORA
Samba Enredo: NO CORAÇÃO DA CIDADE, UMA HISTÓRIA DAS MIL E UMA NOITES: O RIO DAS ARÁBIAS
Compositores: André Kaballa, Carlos Botafogo, Gláucio Guterres, Alexandre Gordão e Gilson
Intérpretes: Ciganerey

Importante enredo sobre a participação árabe na nossa cultura popular, na região ali da Saara e diversas referências externas. Tem um trecho que dá uma nítida impressão de que o fio condutor pode ter passado – nem que em curto – pela novela O Clone, não só pela interjeição daquela menina quando se falava em ouro, mas tem hora que parece mesmo narração da coisa. Eu não me surpreenderia se viesse alguma legoria ou participação daquele pessoal, mas voltando, o samba tá bonito e bem articulado.

ALEGRIA DA ZONA SUL
Samba Enredo: KARI’OKA
Compositores: Adelson, Thelmo Augusto, Wagnão e Beto Rocha
Intérpretes: Alexandre D’Mendes

Fala do carioca. Rá! Não falo nem nada. Spó discordo da parte do ‘tiro onda com paulista’, porque, afinal de contas, tenho muitos amigos paulistas e se ser carioca é um estado de espírito, são todos cariocas no meu coração e seria considerado paulista por eles numa boa, parecer com gente que a gente gosta é bonito. Rá!². No mais, o samba é a cara da escola, alegre, melodia bem de embalo e a letra descreve nosso jeitão folclórico mesmo. Aliás, eu não tinha percebido como sou folclórico no meu cotidiano, me identifico com quase tudo nessa música. Rá!³

UNIDOS DE BANGU
Samba Enredo: IMPERIUM
Compositores: Serginho Aguiar, Dudu Senna, Bruno Ferraz, Muido da Bahia, Walace Harmonia, Diego R., Leozinho Nunes e Allan Santos
Tem um estribilho bonito à beça e cada nova parte da canção é encadeada com uma virada de melodia envolvente. Enredo meio abrangente, uma coisa do tipo, ‘vamos fazer referência a todo mundo que se lançou a um desafio e fez história’, então, vou ter que usar um rock pra definir isso, se é que dá: “a história é escrita pelas grandes transgressões de quem mudou o mundo com suas inquietações” (Maurício Baia). Esse samba permite muito lirismo e alegorias de tons fortes e muita referência histórica. Tá bonito.

 

O que eu acho, no geralzão?

Tudo muito belo, novamente, gostei muito dessa divisão entre a primeira levada trazer melodias e letras com a harmonia sobressaindo, pra depois, na repetição, vir com a bateria mostrando uma prévia do que pode se esperar no dia D e na hora H. Também achei muito legal as várias homenagens em vida a grandes artistas. Homenagens póstumas são mais emblemáticas, mas homenagear os que estão ENQUANTO ESTÃO é bonito pelo reconhecimento e a possibilidade do homenageado de ver a admiração que provoca com seu talento.

Por fim, achei tudo bem equilibrado em termos de letras, algumas melodias sobressaem mais que outras, normal, e em questão de temática, muitos temas variados, mas todos com uma forte convicção. Nada aqui me soou comprado (mas ainda estou cismado com a Porto da Pedra falando em ‘ampla visão’ sobre luz, haha), então, no mais, é aguardar pra ver o desempenho e como isso será apresentado. Na gravação, tá tudo legal, pra mim. Nada que eu pense ‘nuss, já começou assim, na hora vai ser uma trozoba’. Não, não, tamo de bÔa.

 

P.s.: Ironicamente eu ouvi mais agogôs na gravação da Portela do que na do meu lindo Império (Rrratinho nho nho!).

Ah, e os sambas pra ti curtir:

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Avenida Presidente Vargas também receberá blocos

Notícia originalmente na seção O Dia na Folia d’O Dia.

 Monobloco vai desfilar pela via que dividirá folia com Presidente Antônio Carlos

O DIA

Rio – Com a interdição da Avenida Rio Branco pelas obras do VLT, os maiores blocos de Carnaval carioca que desfilam pela via se preparam para ocupar um novo endereço. Segundo a Riotur, diferente do que havia sido divulgado na semana passada, a Avenida Antônio Carlos não será o destino de todos os blocos, mas vai dividir a folia com a Presidente Vargas, que receberá parte dos cordões.

O Bloco da Preta e o Monobloco desfilarão na Avenida Presidente Vargas. Já o Cordão da Bola Preta permanece na Avenida Presidente Antônio Carlos, se concentrando na Praça 15. Segundo a Riotur, as mudanças foram necessárias para evitar problemas com a dispersão na Avenida Beira-Mar e atrapalhar as operações do Aeroporto Santos Dumont. O AfroReggae se reúne na próxima quinta-feira com representantes da prefeitura para definir o destino de seu desfile.

Além do Monobloco, o Bloco da Preta também vai arrastar foliões pela Presidente Vargas. AfroReggae ainda não definiu local da sua festa

Foto:  Agência O Dia

Um dos fundadores do Monobloco, Pedro Luís afirma que a direção aprovou a escolha do novo local. “A Presidente Vargas é uma avenida de importância história no Rio, de ligação entre Zona Norte e Sul. Isso tem a ver com que o Monobloco representa”, afirmou. No entanto, ele faz ressalvas. “Na Rio Branco, o desfile é na sombra, mas este ano vai ser no sol”.

Para o produtor cultural do AfroReggae, Eduardo Vasconcellos, a via é preferência do bloco. “A incógnita é que na Presidente Vargas pode atrapalhar a organização das escolas de samba, porque os carros alegóricos atravessam a via após o desfile. E na Antônio Carlos nos preocupamos em relação à logística”, afirmou. “ Preferimos a primeira opção, mas temos que respeitar a questão da segurança”.

Presidente do Bola Preta, Pedro Ernesto não se opôs ao novo endereço. “O cordão se ambienta a qualquer lugar”, disse. A direção do Bloco da Preta não foi encontrada para comentar. Para o diretor de Carnaval da Mangueira, Júnior Schall, descartou a possibilidade de transtornos para a concentração com os desfiles dos blocos na vizinhança da Marquês de Sapucaí. “Confiamos no projeto que é muito bem pensado pela Liesa. Temos confiança que eles não vão nos atrapalhar”, confirmou.

Reportagem de Lucas Gayoso

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CD: Sambas-enredo Carnaval 2015 – Grupo Especial (RJ)

UNIDOS DA TIJUCA
Enredo para o Carnaval: “Um Conto Marcado no Tempo – O Olhar Suíço de Clóvis Bornay”

Até entendo enredos patrocinados, o gigantismo das escolas pede que se tenha cada vez mais dinheiro e blá, blá, blá… Mas quando o enredo tem a ver com o Brasil, acho eu, que fica mais fácil de aceitar. Agora… Suíça?! Nada contra… nada a favor também. Sabemos agui, genericamente que lá tem chocolate, relógios e aqueles canivetões maneiros… mas e daí? E fala em prêmio Nobel, que foi criado por um sueco (Alfred Nobel), então não sei qual a relação e nem vou procurar… Não sou chegado a esses lances meio que ‘coluna de dicas de turismo pra você que tem dinheiro pra viajar pra longe’.

No mais, achei o samba meio genérico e não sei não, mas se fosse com Paulo Barros eu até apostaria numa briga, já que Paulo Barros tem aquelas invencionices holywoodianas, junta um pedaço de babosa com cachaça e todo mundo acha genial, mas sem ele na escola do Borel… Bem, pra mim o samba tá bem comunzão, mas vai que no desfile fica bonita? Pago pra ver.

ACADÊMICOS DO SALGUEIRO
Enredo para o Carnaval: “Do fundo do quintal, saberes e sabores na Sapucaí…”

Refrão legal, letra animada e direta, mas ainda sinto falta do Quinho com aquelas firulas. Tudo bem, isso não é o diferencial, o samba segue bonito. Falando de Minas Gerais, tem muita riqueza cultural e culinária pra mostrar na avenida. Só espero que não tenha um gigante pão-de-queijo como carro alegórico. Rá!

PORTELA
Enredo para o Carnaval: “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal”

O primeiro dos meus sambas preferidos dese ano, no grupo. Só não entendi porque uma escola que tem o vozeirão de Wantuir e o apoio de Rixxa ainda acha que precisa do encrenqueiro do Wander Pires. Só falta esse cara deixar todo mundo esperando e sumir como fazia na Grande Rio e Imperatriz.

Mas, enfim, o que vale aqui é o samba e esse, amigo, é lindo. Aliás, a Portela vem trazendo belos sambas nos últimos anos, pena que sempre bate na trave. Vamos ver esse ano, com presidência renovada e nova filosofia de administração.
UNIÃO DA ILHA DO GOVERNADOR
Enredo para o Carnaval: “Beleza Pura?”

Ito Melodia continua sendo um grande sucessor de seu pai, (saudoso Aroldo Melodia) e leva o samba no estilão da Ilha. Um samba animado, melodia simples, bonita e leve. O tema, um tema leve, festivo e que a gente já fica imaginando o que pode vir, já que a escola tem uma certa tradição de fazer de seus enredos e sambas leves desfiles bem divertidos.

Ainda mais, pensando na parte da letra que fala ‘eu quero é aparecer’, pense em como vai ser divertido identificar as subcelebridades que podem estar lá na brincadeira. Eu já to rindo muito só de imaginar oque vem na avenida. Haha. Chegando ou não lá nas cabeças, a Ilha é sempre promessa do bom do carnaval: Diversão e bom samba. Levo fé no alto astral da escola.

IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE
Enredo para o Carnaval: AXÉ, NKENDA! Um ritual de liberdade “E que a voz da Igualdade seja sempre a nossa voz”

Desse aqui eu já falei separado num post recente. É África, é a voz da igualdade, Nkenda (amor no dialeto afro Umbundu) e Mandela. Afora a promessa de mostrar figuras importantes na causa contra o racismo, o carnavelesco Cahê Rodrigues já prometeu levar um tema reflexivo sobre a importância de se olhar para o próximo com mais respeito (uma banana para o preconceito, como diz a letra). Então, esse eu espero bastante do desfile, pois da letra, já tive uma boa impressão. Aliás, um dos meus favoritos desse ano também.

 ACADÊMICOS DO GRANDE RIO 

Enredo para o Carnaval: “A Grande Rio é do baralho!”

Grande Rio tirando uma onda a lá União da Ilha ou São Clemente. Diria até um momento Caprichosos de Pilares feelings. Falando de baralho, cita diversas referências a apostas, trocadilhos com expressões de jogo de carteado, malandragem, naipes e essas bossas. Até o tarô pinta por lá. Como eu disse no começo, é um samba leve, parece despretensioso, mas muito bem feito, letra direta e sagaz, melodia bonita e um arremate muito legal, que deixa um gancho para o refrão. Muitas possibilidades de viradas de bateria ali. Tem tudo pra ser um desfile animado, daqueles que levantam a galera. Tomara que a escola saiba mostrar versatilidade, porque pode ficar repetitivo, mas isso é assunto pro desfile. Aqui, no cd, o samba é animado, o que é importante, já que não tem a bateria ao vivo levando a emoção rítmica.
BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS
Enredo para o Carnaval: “Um Griô Conta a História: Um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade”

É mais uma de África este ano, mais uma de África da Beija-Flor. Bem, competência pra mostrar o tema, a escola tem. Tomara que seja original e já é bem melhor que Bonis e Robertos Carlos, temas muito globais e muito insossos pra um carnaval gigante e rico como o do sambódromo do Rio. Bem, voltando ao samba, a melodia é bonita, envolvente, a letra puxa os brios da negritude, Neguinho continua com o vozeirão intocado. Enfim, tem bala pra fazer bonito, dessa vez, sem apelar pras amizades ‘certas’. Tá me lembrando muito o samba campeão de 2007 não só na temática, mas na dimensão do tema abordado, usando uma linguagem meio que antropológica e heróica, mas pode ser impressão minha. Apenas destaco que tá bonito mesmo.
ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA
Enredo para o Carnaval: “Agora chegou a vez, vou cantar: Mulher de Mangueira, Mulher
Brasileira em primeiro lugar!”

Mangueira, este ano, tá com um tema bem simples, mas, em e tratando de samba e carnaval, é riquíssimo. Pode emocionar na avenida. Falar de mulher brasileira é quase que falar de carnaval, samba e cultura negra em si. Pense só em Tia Ciata, Dona Zica, Dona Neuma, Clementina, Alcione, as próprias figuras das costureiras, baianas, mães-de-santo… Ih, tem muita gente pra mostrar e falar de mulher em samba, culturalmente, é um mundo aberto. É só pegar as idéias no ar e fazer um belo desfile. Fico curioso quando ouço sambas assim, de homenagens aos próprios elementos da cultura negra, do samba, do carnaval. Sempre vejo de forma dramática, acho legal e emocionante. Mas estou me adiantando, por hora, um samba legal e bem animado.
MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL
Enredo para o Carnaval:“Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia?”

Ó, é Paulo Barros numa escola que marcou época com Renato Lage. Lá vem mais um carnaval cinematográfico nas mãos do designer dos truques de mágica e carros com coreografias de alegorias vivas. Não que eu não goste, achei legal em alguns momentos, mas minha implicância vem mais pelo fato de o carnaval ficar em segundo lugar, depois dos truques de mágica. Mas, a letra é legal, a melodia tem lances pra botar pra cantar e a escola de Padre Miguel bem que tava precisando de uma injeção de novo ânimo. Vai que esse ano é a retomada? Tudo que Paulão queria era um tema autoral e não as encomendas patrocinadas, e isso ele conseguiu. Acho e espero que a Mocidade vai surpreender positivamente. Vamos ver.
UNIDOS DE VILA ISABEL
Enredo para o Carnaval: “O Maestro Brasileiro na Terra de Noel… Tem Partitura Azul e
Branca da Nossa Vila Isabel”

Esse samba não estava entre os meus preferidos, mas to curtindo muito essa melodia e a letra é bonita. Homenagem a maestro precisava mesmo ter essa beleza musical, né? Trata-se dos 80 anos de Isaac Karabtchesvky, maestro da Orquestra Sinfônica Petrobrás. Samba bonito, emocionante e espero que seja muito bem apresentado. Digo, bota uma roupa nesses integrantes esse ano, hein (Rrratinho nho nho!).
SÃO CLEMENTE
Enredo para o Carnaval: “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da tocandira e da onça pé de boi”

Samba divertido, quase metalingüístico com o próprio carnaval, aborda o folclore brasileiro, não só enquanto mitologia, mas nas personalidades e acontecimentos brasileiros. Na boa? Adorei a ideia de Rosa Magalhães. A mulher não perde a mão. Ela criou uma saga de um personagem que está pelo Brasil todo, adoro isso. São Clemente mais uma vez, trazendo um samba maneiro e com cara de carnaval. Já to pra decorar isso. Promete mais um desfile de levantar a galera.
UNIDOS DO VIRADOURO 
Enredo para o Carnaval: “Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça!”

Sobre esse eu nem precisaria falar, né? É Luiz Carlos da Vila, um dos autores de tantos sambas de melodias ricas como O Show Tem que Continuar, A Oitava Cor, Kizomba, a Festa da Raça… e esse é um Samba do poeta “das vilas” (apelido dado por Nei Lopes, ‘Vila da Penha, Vila Isabel, Vila Kennedy’…. É o samba Nas Veias do Brasil, sucesso na voz de Beth Carvalho e Por Um dia de Graça, também de sua autoria. É a África e a raça que proporcionou a seus filhos ao longo da história. Então, falar desse samba é quase hors concours. É lindo demais e uma ótima sacada. Espero que o desfile esteja à altura.

 

O que eu acho no geralzão?

Bem, a maioria está equiparada, para os padrões de hoje em dia, até que positivamente. Só fiquei mesmo com uma pulga atrás da orelha com a Unidos da Tijuca que não tem escolhido temas muito ‘a ver’ ultimamente. Uma coisa é falar de como a chuva originou as discussões de relação tendo Paulo Barros e patrocínio da prefeitura de xenhenhém do leste, outra é pegar qualquer tema com dinheiro injetado e falar sem o nome de peso do cara, mas vá lá, vai que é divertido, né? No mais, sambas diretos, letras afiadas, melodias simples e eficazes… Nada genial, afora alguns lances de destaque (na minha opinião desse ano, Portela, Imperatriz, Beija-Flor, São Clemente, Viradouro e Vila Isabel), alguams eu apostaria o carnaval e outras, nas diversão, correndo por fora. Mas sabe como é, a coisa passa pelas mãos dos jurados e a gente á sabe que vem besteira por aí, né? Até quando a opinião popular vai ser ignorada? Voto por um quesito ‘opinião da galera’ já.

Ah, os sambas:

 

 

 

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Arlindo Cruz fará show para ajudar o Império Serrano

Por: Leonardo Bruno

Arlindo Cruz é um dos autores do samba-enredo da escola este ano
Arlindo Cruz é um dos autores do samba-enredo da escola este ano Foto: Fabiano Rocha

Arlindo Cruz vai entrar em cena para ajudar o Império Serrano. A escola enfrenta uma grave crise interna, com problemas no barracão. Sabendo disso, o cantor fará um show no dia 29, na quadra de Madureira, com renda totalmente revertida para a escola. Ele já começou a chamar artistas convidados, para participarem da apresentação. Grupo Revelação, Andrezinho, Sou Mais Samba e Marquinhos Sensação já confirmaram presença, mas a noite terá outras atrações.

Arlindo Cruz é um dos autores do samba da Serrinha para o carnaval 2015, com o enredo “Poema aos peregrinos da fé”, do carnavalesco Severo Luzardo. A escola há anos vem enfrentando dificuldades financeiras, mas nos últimos meses passou por eleições conturbadas, e a crise se intensificou. A atual diretoria culpa a anterior, que culpa esta. O fato é que o Império precisa de pelo menos mais R$ 200 mil para botar seu carnaval na rua. Hoje, imperianos decidiram percorrer a Cidade do Samba com uma missão: pedir ajuda às escolas do Especial, que podem ceder material para ajudar a verde e branco. A Imperatriz já vem ajudando bastante.

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Liga faz série de mudanças no Carnaval do Acesso na Intendente Magalhães

Rio – No comando da organização dos desfiles das séries B, C e D, a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj) definiu ontem uma série de mudanças para o Carnaval da Estrada Intendente Magalhães. O grupo B, com 18 escolas, três a mais do que no ano passado, vai desfilar apenas na terça-feira. Até 2014, as agremiações eram divididas em dois dias. Em vez do rebaixamento de três escolas para a série C, este ano, seis vão cair.

 

Com a inclusão de três escolas na categoria B, a subvenção diminuiu. O montante transferido pela Prefeitura continua o mesmo, mas cada agremiação receberá aproximadamente R$ 63 mil, R$ 20 mil a menos do que nos anos anteriores. “Vamos ter que dividir a verba com mais escolas. Vai ser um desfile complicado, mas, no geral, a organização da Lierj está sendo positiva”, declarou Júlio Bombinha, vice-presidente da escola Arame de Ricardo, da Série B.

Desfile na Intendente Magalhães reúne um grande público para assistir : Lierj ainda definirá regulamento

Foto:  Reprodução

 

A Riotur também entrou na organização do evento e será responsável por todo esquema operacional, como a escolha do corpo de jurados e montagem das estruturas na Intendente Magalhães. Na semana que vem, a Lierj definirá o regulamento dos desfiles. Com o aumento de escolas na Série B, o tempo de cada agremiação no desfile deverá ser reduzido em dez minutos. O início da festa, que começava às 20h, poderá passar para as 18h. Mesmo com o tempo reduzido entre as apresentações, a duração total do Carnaval de terça-feira pode chegar a 12h.

A quantidade de tripés também deve diminuir. Até o ano passado, cada escola poderia usar até três. Neste Carnaval, a exigência promete ser apenas de um tripé, para dar agilidade ao cortejo. Já a alegoria deve permanecer com a obrigação de apenas um carro.

Durante a reunião da Lierj com as escolas ontem, um novo sorteio foi realizado para definir a ordem dos desfiles. As três agremiações que não foram rebaixadas do Grupo B no ano passado—Acadêmicos da Abolição, Unidos de Lucas e Vila Kennedy — vão abrir o Carnaval de terça. A Série C desfilará na segunda, e a D, no domingo.

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