Sambas Que Não Passariam: Já Foi Uma Família – Fundo de Quintal

Esta seção vai ser tipo ‘EsmiuSaga’, mas em vez de escolher alguma canção que traga muita informação sem detalhamento (como Rio Antigo, que eu já esmiucei em post passado), vou discorrer sobre o conteúdo de músicas que em seu tempo foram gravadas como ‘normais’, mas que hoje, com a evolução dos meios de comunicação e a conscientização de parte da população mundial (geralmente, a parte oprimida por preconceitos e injustiças), hoje, não passariam nem pela seleção pra um CD. Na verdade, se algum autor tivesse cara de pau de publicar uma obra dessas, certamente ia arrumar problemas em qualquer roda de samba ou seleção de repertório da vida. Em suma, estou falando aqui de letras de teor preconceituoso, conservador e até diretamente ofensivo mesmo. Tipo piadas d’Os Trapalhões sobre homossexualidade, racismo, machismo e outras, que na época até arrancavam risadas, mas hoje tem resposta direta dos grupos atingidos. Sem delongas, só mostrando mesmo.

 

Bem, pra começar, a música – de Arlindo Cruz, Franco e Marquinhos PQD – já sugere o que está por vir no título. Quando se fala ‘já foi uma família’, mesmo sem saber o que a letra tem a dizer, já parece que é algo que era pra ser bonito e tradicional e não é mais. Algo menos trágico que ‘Éramos Seis’, mas na mesma linha nostálgica. E a parada já começa nessa linha mesmo, quando dizem que as coisas estão diferentes de quando o tradicional era a família se reunir numa mesa, domingão, o mais velho contando história e passando adiante os costumes de seu tempo. Ainda na ‘primeira’ da música, já se ‘denuncia’ que estão acabando com essa ‘instituição’, claramente, se referindo à família como algo em perigo diante do presente (vamos considerar 1987, ano de lançamento do disco Do Nosso Fundo de Quintal, que contém a gravação original).

 

E a letra vai explicando com exemplos o que está acontecendo com essa família pra que os autores alertem ao mundo que esse patrimônio da humanidade está caindo em desgraça. Ele começa avisando que o vovô, aquele que sentava à cabeceira da mesa pra ensinar as tradições, agora só quer dar role por aí, na gandaia e tals. Já aí, temos a noção da pegada da música, quando o coro vem meio que constatando, meio que se lamentando que o que se chamava de família, mudou muito, ou seja, se mudou daquele modelo outrora conhjecido, hoje, não é mais. “Mudou bastante, mas já foi uma família”, ou seja, nada de pensar que se mudou, é uma família diferente, não, pro narrador, se mudou, já era, não é mais o que costumava, acabou.

 

Não contente em entregar os novos hábitos de vovô, já vem logo a caguetação sobre vovó, que estaria se relacionando com um rapaz bem mais novo. Novamente, o coro reforça que isso não é mais uma família. A mãe, por ter se dado conta de que não é só uma secretária doméstica do marido, necessariamente, segundo o narrador, se tornou uma radical da causa feminista. E a visão do feminismo é tão estereotipada aqui pelo olhar machista que até misturam o feminismo com guerrilha e anarquia, ou seja, a mãe não só quer igualdade e respeito, como quer acabar com o mundo sócio-político conhecido na bala, ou sei lá com que arma. Mudou bastante… E ainda tem o pai, que sai para casos extra-conjugais e nem se preocupa em esconder as evidências da luxúria externa.

Depois de uma relembrada na primeira, ou seja, na estrofe que determina o tema do partido alto que segue, é avisado que o irmão ‘solta a franga’ e ainda usa um nome feminino na ‘praça’, ou seja, se tornou travesti, ou uma mulher trans que não mudou oficialmente seu nome. Na verdade, pelo modo como é descrito, o irmão, é visto pelo narrador como uma caricatura, desserviço prestado pela mídia e senso comum que desumaniza e evita que a população trans seja vista como cidadã e não mero mote pra piada. Mas, prossigamos, pois a ‘irmã’ joga futebol, numa posição que exige uma postura mais ‘durona’ em campo, mas, ao contrário do irmão, não quer ser lembrada de que é uma mulher. Não é mais uma família, afinal, uma moça jogando bola era se meter nas coisas ‘de menino’. Pô, mana, vai brincar de Barbie e fazer biscoitos pros meninos.

 

Depois de falar que o tio e a tia estão envolvidos com drogas, vem a prima que era bela, recatada e do lar, e agora demonstra gostar de sexo sem fingir ser a santa que a sociedade quer. Julgamento tão cruel quanto o do primo que dança balé. Chega a ser dito que ele ‘ERA’ de fé, ou seja, se vai usar um colant e sapatilha, perdeu a moral com a galera. Depois, é um aviso que vai dar problema com a desunião da turma se pintar motivo de repartir os bens, mas até aí, o patrimônio imaterial já desmoronou moral e bons costumes a baixo, né?

Conclusão

A canção é muito envolvente na musicalidade, na estrutura de partido alto com refrão em coro reforçando a ideia geral do que é detalhado em cada verso. Particularmente, eu gosto muito dessa estrutura, dessa métrica típica de letras em que o Arlindo participa, meio Nei Lopes, de causar duas rimas seguidas antes da rima que combina com o refrão, enfim, se não fosse a letra, a música seria perfeita.

 

Não, não sou moralista, nota-se, mas também não é que eu ache a letra necessariamente ruim, ela seguiu um costume da época, de tratar tudo com uma pseudo-irreverência, mas que ofende dolorosamente pela falta de tato, pela visão egocêntrica, baseada em um padrão falso moralista. Porque falso moralista? Porque nossa sociedade foi estruturada, como conhecemos, pela Europa, em especial, pelo português.

Caras… alguém aqui já estudou um pouquinho só sobre a família real/imperial portuguesa? Já notaram que muito antes dos autores nascerem, aliás, muito antes até que o Brasil pensasse em se tornar uma república, já tinha um irmão tarado, uma mãe ninfomaníaca, um pai guloso, uma avó louca e por aí vai? Isso só pra citar o que é de amplo conhecimento, imagina o que não rolou pelos baixos de panos e atrás das colunas dos bailes da corte real? Sim, danadinhos.

 

Enfim, a letra soa moralista, preconceituosa e não passaria pra um CD em tempos que Marina Íris e Nina Rosa, por exemplo, gravam ‘pra matar preconceito, eu renasci’. Não é que eu seja contra a família tradicional brasileira, mas a noção de família não pode ser medida como um padrão sitcom estadunidense. O tal American Way of Life não atende nem a eles, que dirá de nós. Eu, por exemplo, no ano em que a canção saiu em LPs e K7s nas lojas, já tinha meus pais divorciados e não me sinto criado num lar desestruturado.

Não podemos viver com esse complexo de culpa inventado pelas camadas ricas e religiosas da Europa medieval. Isso impede – e muito – o nosso subconsciente de entender a felicidade como algo que simplesmente satisfaz a nós e não ao modo como seremos julgados pelos outros.

Não rotulemos e nem excluamos só porque a novela mostrou outra estrutura. Novelas são só ficção baseadas no que os autores ricos viveram ou observaram. Quem sabe nós somos nós. Família é família até com duas pessoas só e nem precisam ser do mesmo sangue ou com as mesmas opiniões. E fique com a música em si… A letra, você vê aqui.

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Pode isso? Mocidade Independente co-campeã 2017

 

 Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Mocidade Independente de Padre Miguel é nomeada campeã, ou melhor, co-campeã do carnaval de 2017, junto da Portela. Isso poderia ser só um adendo na história do carnaval de sambódromo pra turista ver e não deveríamos levar tão a sério, pois sabemos que esse universo que orbita a LIESA se importa com tudo, menos com a festa popular de onde se apropriaram, não é verdade? Pois é… não é assim.

Acontece que essa decisão da LIESA mexe com alguns fatores a mais doque simplesmente um não que virou um sim, ou, no caso, um décimo que virou campeonato. Todo mundo sabe que sou imperiano de fé e também, quem esteve em Madureira naquela quarta-feira de cinzas, 1º de março, viu que o papo geral era como depois de tanto tempo, Madureira estava em festa pelo Império e pela Portela e um dos comentários legais era que a escola de Paulo e Claudionor não ganhava sozinha já há quase 50 anos. Bem, isso acaba de ser revogado e tem coisas mais sérias envolvidas além do que diz respeito diretamente à escola da águia altaneira.

Primeiro, ficou uma impressão enorme daqueles momentos que uma criança chora, a tia vai lá e tira o brinquedo da mão de uma pra outra brincar. Sei que a Portela não perde o campeonato com isso, mas tirou muito da graça de ganhar ali na hora. Afinal, quantas vezes já aconteceu de uma decisão posterior alterar um resultado já sacramentado? Não estou discutindo os méritos da Mocidade, mas a verdade é que já vimos demais outras bizarrices no passado que ninguém juntou numa reunião um mês depois pra arbitrar mudanças. Não se volta atrás numa decisão assim. Quantos anos e quantas escolas não se deram bem ou mal por resultados assim e ninguém se importou voltar atrás? Porque agora?

Veja bem, sem qualquer menção de que o tempo voltaria pra mudar uma decisão de jurados, já vimos bastante:

  1. Escola ‘pequena’ dar show, levantar a avenida e ser rebaixada;
  2. Escola grande e desfilar com ala incompleta e sem fantasias acabadas ficando longe dos últimos lugares;
  3. Jurado dar dez pra quesitos defeituosos só porque não precisava justificar a nota máxima;
  4. Pontos tirados por birra de jurado contrariado…

E por aí, vai… Eu citaria aqui pelo menos um exemplo pra cada um desses itens por ano, mas como já escrevi sobre o assunto (dá uma passeada pela seção ‘falando nisso’ e ‘carnaval’ que tu vê), vou apenas lembrar casos como Lucinha Nobre, uma verdadeira baluarte na arte de porta-bandeira, sempre 10 na Mocidade, há alguns anos, defendeu a Inocentes de Belford Roxo e não levou um 10 sequer. Ao passo que Vila Isabel já desfilou com a bateria quase de bermudão e nem suou pra ficar no grupo especial.

Justificativa tosca sobre condições da cabine do jurado, alguns anos atrás.

Já que entrei nessa seara, vamos falar sobre as conseqüências dessa atitude da LIESA. Em primeiro lugar, abriu um precedente perigoso, como a reavaliação de pontos e critérios. Pensa só, é mole dar uma alegria à Mocidade por causa de um décimo… mas será que foi só esse décimo? Digo, se a escola mandou um livro errado pra depois mandar um correto (ou a escola ou a LIESA vacilou) e isso resultou numa nota ‘ruim’, quem garante que a falta desse 0,1 é que decidiu o certame? E se algum outro jurado alterasse a nota com o livro certo? Será que só isso seria alterado? Será que o jurado não acharia algum outro defeito? Enfim… é na base do ‘E se’ que essas divagações funcionam.

 

Você já viu juiz de futebol voltar atrás e decidir por votação dos outros clubes que um gol foi mal anulado ou ilegalmente validado? Já viu final de campeonato voltar porque quem perdeu, de repente, ganhou? E voltam as mesmas indagações: Será que seria só o lance do gol? Será que uma falta antes não marcada não atrapalhou…? E lá vamos nós de novo… Falo isso porque um mísero décimo retroagiu pra beneficiar, por votação e tals… mas este ano também vimos duas escolas provocarem acidentes e uma decisão do tipo ‘vamos juntar e tirar uma presidenta legitimamente eleita porque queremos’. Simplesmente, decidiram que ninguém cairia e agora, que duas são campeãs. Quer dizer… regras e justiça são como a paz mundial: Você até sabe que poderia ter, mas não dá a mínima porque acostumou a viver sem.

 

Novamente, não é contra a Mocidade, pois quem me conhece desde pequeno sabe dos anos em que fui encantado pela Mocidade e sua vanguardista bateria nota 10 (Salve, salve, Mestre André!), não é defendendo a Portela, por bairrismo e aquelas coisas de Paris… a questão é que quando começa a alterar resultados de forma arbitrária, qualquer coisa pode acontecer. E eolha que eu achava que a LIESA estava buscando um caminho justamente ao contrário, em prol de transparência, reaproximação com o povão… mas já vi que vai continuar esse carnaval de sambódromo nutella mesmo, huh?

 

Sim, é um negócio milionário que já ignora há muitos severos anos a cultura de onde se apropriaram pra faturar com turistas e direitos de imagem na TV, mas talvez seja esse tempo, ou é o fim do mundo chegando ou até, quem sabe, a volta de Darth Vader, mas o fato é que a sociedade tem setores que estão descaradamente demonstrando como sunciona o sistema sócio-político geral: Eles podem, eles fazem e você (nós, o povão) que chupe o dedo.

 

No mais, Alladin tinha direito a 3 desejos… quais serão os outros dois?

 

E… Portela, fica de olho, se não, alguém vem e liesa você.

*lesa

Corretor ortográfico safado.

Rá!

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Império Serrano – 70 anos (Camisa do Império Serrano)

 

É, é Império, mas chamamos de ”o reizinho de Madureira” e não bastasse essa pequena idiossincrasia, ainda o chamamos de Menino de 47, dado o ano que nasceu, vanguardista, bem mais tardio que as pioneiras que por aqui ainda desfilam (Portela, Mangueira…) e é com essa pegada que presto essa homenagem ao celeiro de bambas que é o Império Serrano.

 

Foi (quase) tudo lindo neste ano de 2017 (menos o triste episódio da invasão e assalto (à quadra da escola, a poucos dias do carnaval) para o Império. Um samba bonito, o clima da escola envolvente, ensaios animados mesmo que – literalmente – embaixo d’água (eu cantei a pedra de que tanta chuva tentava transformar Madureira em pantanal pra premiar o enredo desse ano, hein! Rá!). Enfim, Império Serrano, no ano em que completa redondos 70 anos, é mais uma vez coroado com o passaporte para o grupo especial.

Sim, sabemos que há uma politicagem das grossas lá e que a coisa não vai se fazer meramente no amor dos integrantes por sua agremiação, mas que se dane, é o Império, o reizinho de tantas vitórias e que cantamos o amor por ele em qualquer lugar. Além do chão fértil pra poesia, partido alto e cultura ancestral. Eu já fiz post enumerando sambas de exaltação ao Império/Serrinha, já mencionei a história da escola… mas esse ano, especialmente, eu, que nunca tinha feito uma canção em homenagem ao reizinho, ousei traçar umas linhas e botar umas melodias e saiu Camisa do Império Serrano.

 

De uma situação inusitada onde mamis Sagatiba usou meu manto sagrado pra apoiar um espelho no chão, já fui escrevendo e cantarolando ‘O despautério é tratar feito qualquer pano a minha camisa do Império Serrano…’. Bem, essa é minha homenagem, daquelas que passa pela mente, de novo, o nó na garganta e o choro ao lado do sambódromo, vendo a escola adentrar a avenida sob pesado foguetório, a alegria incontida de estar na quadra comemorando a vitória, claro, sem contar com os outros trezentos e poucos dias que somos Império nas diversas rodas de samba que vamos nos esbarrando. Isso, ganhando ou perdendo. Enfim, vou deixar aqui o link pro meu canal no Soundcloud e a letra mais abaixo. Minha homenagem ao Império Serrano, apresentação que me cabe no Movimento Cultural Aos Novos Compositores.

Camisa do Império Serrano (Fernando Sagatiba)

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

Por acaso não sabes que aquele manto
Traz o brasão que vem representando
A herança mais linda, bravura ancestral

Casa de Jongo e de Samba, mironga de banto
O canto do negro todo em verde e branco
É folia que vem e vai muito além do carnaval

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

Talvez não entendas, ou fazes que não
Mas evite tocar no imponente pendão
Que alguns dos maiores me inspiraram a ser leal

Só te chamo à atenção pelo ato profano
Pois mexeu com minh’alma, o Império Serrano
Desde Silas e Mano que é resistência cultural

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

 

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Marchinhas Preconceituosas: Banimento sim, Esquecimento não

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Recentemente tem se falado muito, já em contornos de polêmica, sobre o banimento de marchinhas de teor preconceituoso. Meu posicionamento sempre é CONTRA manifestações de comunicação em julgamento, crítica ou ridicularização de grupos já historicamente desfavorecidos. Ou seja, letra de música, piada, personagem de programa de TV, meme da internet, enfim, qualquer coisinha que gere um ‘politicamente incorreto’, vai me ter (UIA!) do exato lado oposto, lá, acenando negativamente com a cabeça e perguntando que m… é essa. Já dei meu papo, ok? Então, acabou, Tio Saga? NÃO! Sonoramente, gafanhoto.

 

Eu sou contra letras que ridicularizem gays, negros, pobres, etc…Daqui não saio, daqui ninguém me tira, por exemplo, é sobre despejo de uma família pobre. Viu como dá pra retratar um momento da história sem ridicularizar? Na verdade, ironizando a situação e o modo como a sociedade trata esse pobre? Tomara que chova é sobre falta de condições básicas – no caso, abastecimento de água – e, da mesma forma que a canção anterior, demonstra um quadro social da época e o autor soube tornar isso numa crônica do cotidiano. Agora, apontar um gay e falar de sua ‘cabeleira’ ou insinuar que uma mulher, por se relacionar romanticamente/sexualmente com mulheres vai se tornar, necessariamente, um homem… bem… aí, eu levanto a voz.

 

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Também tem o caso do racismo/machismo (raci-machismo ou machi-racismo, escolha o que lhe for aprazível ao uso). As pessoas que defendem O teu cabelo, não possuem nada mais que ‘ah, mas ela é antiga,eu já conheço desde pequeno’ ou o clássico ‘vocês veem racismo em tudo’. Tá, mas Mulata Bossa Nova é uma homenagem, apesar do termo ‘mulata’ ser usado ainda, o que por si já é bem incômodo e indigesto, mas vá lá, a letra enaltece a mulher negra. O teu cabelo não, essa diz que o cara pode chegar, dar um plá na moça e largar por aí, como se a mulher negra não tivesse outra serventia se não a de depósito de esperma para a masturbação assistida de algum fetichista. É como dizem, ‘comer uma mulsata, meu bem, não te faz menos racista’.

 

Bem, essa conversa toda de forma quase redundante com outros textos meus internets afora é pra quê? Porque surgiu uma novidade, um ponto de vista interessante que ouvi em conversa com amigos, recentemente. E se as marchinhas não fossem banidas, valendo o argumento de que se forem esquecidas, um dia, corremos o risco de surgirem novamente peças preconceituosas sem que as primeiras estejam lá pra usarmos de exemplo? Sacou a parada? É a máxima ‘aquele que não conhece seu passado, tende a repeti-lo’. Pense em exemplos como o museu da escravidão, lembranças da ditadura, do genocídio judeu, enfim… Como nos sairíamos se não tivéssemos lembranças desse passado? Ficaríamos mais vulneráveis, não é? Pois é isso.

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Em suma, sou a favor do banimento ainda? SOU (falei gritando com o punho erguido – rá!), afinal, há anos que me incomodo em estar num lugar para me divertir e acabo servindo de piada pros outros que não pararam pra pensar na profundidade do que estão cantando. Ninguém repete letra satanista ou funk proibidão com essa liberdade toda, entende? E a coisa piora quando os alvos são amigos meus. Como não vou sair distribuindo bolacha na face de todos os babacas do universo, imagina a frustração que é estar na festa e se aborrecer sem poder resolver, abrindo a cabeça de todos ali.

 

É isso, não sou a favor de essas marchinhas continuarem enchendo a paciência de quem já apanha – em vários sentidos – o ano todo. A gente que faz parte de grupos discriminados não gosta de ser molestado, muito menos em clima de festa, como se fosse engraçado. Faz lembrar que em 2016, meu cabelo estava compridão e escolhi não sair em dia algum de cabelo solto, pra não me indispor com qualquer palhaço de peruca Black fazendo piada do tipo ‘ei, somos irmãos’. Não somos fantasia de carnaval. Abaixo com fantasias de nega maluca, por exemplo. Mulher preta atura muito o ano todo, não tem que se ver em forma de caricatura. Vão se pintar de branco, de perucas loiras. Brancos não são caricaturas, né?

 

march3Mas a novidade é que sou a favor de que elas sejam usadas em escolas, faculdades, palestras de história e todo canto acadêmico ou não, para que, primeiro, as novas gerações aprendam a interpretar e não só reagir com ‘concordo, é o máximo’ ou ‘discordo, é a minha opinião’. Vale muito essas marchinhas serem usadas em aulas de sociologia, como exemplos de como se retratavam cenários antigamente e que hoje não cabe mais, pois os grupos afetados pelas letras têm mais voz, descobriu seu direito ao protesto, ao repúdio do que acha ofensivo ou agressivo. Assim como estudamos períodos violentos e traumáticos, essas marchinhas merecem isso, virar peças de museu pra olharmos/ouvirmos e pensarmos ‘nhé, esse é um passado que não tem que voltar, vamos ficar de olho’.

 

Vamos ficar de olhos e ouvidos bem atentos. E se der m… estaremos de línguas afiadas, pensamento reflexo modo ninja ON e sangue quente nas veias pulsando nossos direitos.

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Maria Sapatão e Zezé serão banidos do carnaval carioca

Marchinhas com conteúdo preconceituoso estão sendo banidas do repertório de alguns blocos e eu vou te dizer porque é importante esse tipo de atitude.

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Primeiramente, fora temer as letras tinham um contexto sim. Ponto. Mas não é por isso que vamos passar a  mão na cabeça. Já escrevi aqui, neste blog, que Lamartine Babo, além de compor os hinos famosos de quase todos os clubes aqui do RJ, era tio de Sargentelli. O que ambos tinham em comum? A “mulatologia”. Veja bem, um, chega com uma música que diz que o cabelo da ‘mulata’ não nega sua raça, e como a cor não ‘pega’, aí, ele pode chegar junto pra dar uns amassos sem compromisso. O outro ficou conhecido por ajudar a propagar a figura da ‘mulata’ como uma peça de exportação, aquele quase guia de turismo sexual e todo aquele lance lá.

 

“Ain, Saga, você tá sendo politicamente correto!”. Não estou não, gafanhoto. Politicamente correto é seguir alguma política dominante e, no momento, a política dominante é a preconceituosa que tira todo o contexto de preconceito pra deixar passar barbaridades como racismo, machismo, homofobia e tals. Politicamente correto seria se eu apoiasse toda essa babaquice em nome do senso comum e de tudo que os mais conservadores acham que é o normal só porque já estava lá quando nasceram e não tiveram competência racional de pensar se fazia sentido, se fazia bem ou não.

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Mas, voltando, tem as músicas machistas/racistas, como O Teu Cabelo Não Nega, mas também tem canções de cunho homofóbico, como Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão. Defensores do preconceito alegam que na época que essas músicas foram compostas, o contexto era outro, que é carnaval, que não há maldade, apenas uma grande brincadeira durante a festa… Olha, É JUSTAMENTE por isso que é tão preconceituoso. Até hoje, pessoas são mortas só por serem gays e esses caras acham que precisam manter a tradição de reduzir a homoafetividade de alguém a um rótulo escroto de gêneros trocados.

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Seria como defender que a escravidão não foi tão ruim assim, porque antigamente era igual aos desenhos Disney, que eram coloridos, cantantes e… opa… Lembra que quando um personagem pegava fogo e explodia, logo ele ficava com nítidos traços afro? A pele preta, lábios grandes, cabelo crespo…? Lembra? Também não tinha maldade, porque você cresceu vendo isso e não entendia a ofensa velada, né? Pois é. Antigamente, foram compostas músicas falando em bater em mulher, como que num bicho de estimação malcriado, mulher era tratada como a empregada com obrigações de servir na cama e na mesa e essas coisas.

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Sou muito a favor dessa revisão. Se o Cordão do Bola Preta, a liga da Sebastiana ou da Folia Carioca não se mancam e acham que essa discussão não é importante, que continuem assim, com contas a pagar, perdendo espaço para blocos muito menos tradicionais que nem samba ou marcha tocam. Vão se afundando até caírem no ostracismo, até porque, seu público atual é bem novo, relativamente, é a galera que vai quase que atrás de uma micareta. Querem se apegar ao tradicional sem separar o que pode seguir e o que é pra ficar pra trás, que o façam. O que não falta é bloco pequeno e mais novo promovendo festas mais atuais, com cara do RJ de hoje e não do tempo que um cara podia bater numa mulher pra sustentar a pose de machão, ou agredir gays porque eles mostram que o mundo não é tão simplório quanto queria.

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Eles levantam sempre a questão do que é tradicional. Escolas de Samba há muito que já perderam a essência, gêneros musicais se modificaram por inteiro, tudo pra ir alcançando algum contato com o público, aí, vem essa gente pra dizer que tudo tem que ser como antigamente, quando os que são desrespeitados hoje, eram muito mais desrespeitados. Só falta botar um porta-estandarte na mão do idiota do Bolsonaro e Danilo Gentilli de musa com uma faixa dizendo “Carnaval é igual piada, a gente usa pra ofender e agredir como se fosse um salvo-conduto acima do bem e do mal”. NÃO, NÉ?! Piada, carnaval, letra de música, nada disso pode burlar a lei. São peças de comunicação e estão sendo usadas diretamente pra passar uma mensagem. Isso não é culpa nossa, não escrevemos isso… mas perpetuar é concordar.

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O curioso é que ninguém fala em como era legal e inocente o tempo em que casais faziam 15 filhos, mais oito fora de casa, curtindo carnavais sem iluminação, carros velhos, condução precária… Ah, e… Atenção defendedores do preconceito, lá vai um dilema pra reflexão: Antigamente, era tudo essa festa ou apenas as partes ofendidas não tinham voz pra responder? Pensa, desgraça, pensa!

Fonte: Extra Online

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Racismo no BBB 17

 

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Gabriela Flor é linda, seu cabelo é lindo e ponto. Ok? Ok! Mal começou aquele programa chato, mas que tem muita serventia como vitrine social. Tudo bem que enquanto você sabe que tem câmeras ligadas e vozes te orientando em off, não dá pra ser lá muito natural, mas chega uma hora que as pessoas desencanam e é aí que a onça sai pra beber água.

 

O BBB mal começou, teoricamente, não deu tempo pra ninguém se apaixonar, virar amigo ou inimigo, né? Pode acontecer sim, mas calma, exceções confirmam, mas não tomam o lugar de certas regras. Mas vamos ao que interessa. Eu sou Gabriela desde pequenininho! “UI, quê que isso, bee?!”. Não entendeu, gafanhoto? É que a menina Gabriela em uma semana de programa já foi xingada, motivo de deboche, animosidades, preconceito religioso e… quem adivinha? Racismo!

 

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Isso mesmo. Comecei o texto de forma leve, falando da linda participante, porque eu fatalmente cairia nessa parte pesada da história. É playboy com cara de babaca falando mal do cabelo crespo natural dela (até questionando sua sensualidade), é preta sarará achando que tem domínio sobre a colega crespa porque tem pele (nem tão) mais clara, operou o nariz e esticou os cabelos, é ofensa enquanto mulher, enquanto baiana… mas, bem, vamos à ficha técnica, porque eu não sou desses de poupar a cara do racista pra mostrar a vítima chorando. Nomes aos bois e às vacas agora.

 

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Segundo o site Meio Norte, a participante Mayara, então líder do grupo na competição, disse “Eu vou votar nela e se ela falar alguma coisa pra mim, vai ouvir que precisa alisar o cabelo”.

 

Antônio

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No Portal do Holanda, o relato é de que o tal do gêmeo assistia um monitor com imagens de outro cômodo da casa e ao ver Gabi (sim, esse evento nos aproximou, rá!) dançando (ela é bailarina), soltou a seguinte pérola: “Ela acha que vai seduzir quem? Está ridículo!”. Em outra ocasião, ainda afirmou que Gabi deveria ser ‘macumbeira’, por ser baiana.

 

Manoel

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O outro gêmeo, na ocasião do comentário em que o irmão debochava de Gabi com um pano na cabeça, complementou: “Ela parece o Valderrama”, em referência ao folclórico jogador colombiano, famoso nas décadas de 80 e 90.

 

Vivian

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Esteve ali com os racistas e não levantou um ‘a’ pra condenar os comentários criminosos. Ou seja, a sinhazinha que tem amizade pela mucama, enquanto a mucama demonstrar odiar a própria raça. Assim, ela ganha na superioridade, porque nada melhor pra auto-estima de um racista do que ver um negro sem auto-estima. Porque você acha que eles se incomodam tanto quando nos afirmamos? Saímos do lugar que eles queriam nos ver, de insegurança, auto-imagem danificada, cabelos deformados ou raspados, com vergonha…

 

Analisando

Dito tudo isso, vamos às análises: Antônio é retardado daqueles bem senso comum playboyzinho que diz que tem amigos negros e que ‘não quer parecer racista não, mas, ó, tinha que ser’, isso enquanto esfrega o indicador sobre o braço em óbvia referência à cor de pele. Conheço aos montes desses aí. Deve ser uma porra dum machistinha também porque já andei lendo coisas sobre ‘homens virando gays’, além do modo como tentou diminuir a sensualidade de uma mulher negra, com a maior pinta daqueles invasores de senzala/quarto de empregada, que admira em segredo, mas não assume pra família/amigos. Um babaca médio. Nem excepcional babaca ele consegue ser com esses comentários que a gente aprende a lidar ainda antes de crescerem pelos em lugares diferentes e sentirmos um comichão por coisas outrora desconhecidas. O irmão parece ser gêmeo nesse sentido também. O babaquinha da sexta série mental eterna. São dois que não valem um.

 

O outro caso é um pouco mais complicado. Seria melhor haver uma lavagem de roupa suja interna, porque ela é uma legítima preta da casa grande. Daquele tipo que sonha em ser a querida do sinhozinho (Antonio/Manoel) e, pra isso, desdenha das colegas da senzala, pensando em se parecer menos com uma negra pra causar a impressão de que odiando sua raiz, vai obter aceitação pelo racista. Veja como Mayara modificou o nariz, veja como o cabelo é cuidadosamente rtatado pra não ter qualquer desenho, mas se não tem o desenho crespo, pra ela, já é lucro, mesmo sabendo que nunca teria o liso natural, já que a biologia não permite. Enfim, esse não é um caso de babaquice pura, de falta de humanidade, é mais um caso de ignorância e uma resposta até covarde, mas muito comum frente ao racismo. Muitos de nós só querem evitar o confronto pra não confrontar, não o racista, mas o racismo em si.

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Conclusões

Gabriela é mais uma vítima de um sistema que teima em não se conformar com o fim da escravidão, tentando desesperadamente, manter o status quo social do branco em cima e do preto embaixo. O BBB 17 nem começou direito e já mostrou como é um microcosmo do Brasil global: Homens brancos se achando, mulheres se achando, raros negros que, provavelmente, vão ficar pelo caminho. Já vejo tudo, se Gabi ganhar, dirão que é por pena, por cotas e outras baboseiras merecedoras de apanhar com o próprio braço. Se perder, a globo vai ter abafado o assunto como sempre faz e a festa da branquitude continuará a iludir a população de que negro é minoria no Brasil.

 

Resumindo, acho que mudar o apresentador não adianta, quando não muda os selecionadores de elenco. Mas tenho a impressão de que é isso mesmo que querem. Do contrário, já teriam mudado a realidade dos elencos de novelas, com 5 ou 6 negros no meio de 90 atores brancos/não negros. Em todo caso, eu não assisto mesmo, não entro em festa dos outros pra ser tratado como mascote ou piada. Essas produções não são feitas pra mim. Não sou público deles e a coisa mais fácil do mundo foi “boicotar” a TV. E… na boa, só um racista pra não admitir que uma mulher negra é uma rainha.

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Fontes: Meio Norte
Portal do Holanda

M de Mulher

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Resenha: Samba da Filosofia, Movimento Cultural

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O sentimento que resume é agradecimento. Mas se fosse pra ser resumido, não seria Samba. Seria só uma conversa de esquina, como quem esbarra com o amigo de longa data que há muito tempo não se vê. Não. Esse sentimento é o de gratidão por levarmos para uma região carente de eventos de cunho cultural e que acaba se tornando um ponto de encontro social.

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Famílias se reúnem ali, amigos que não se veem com freqüência se encontram, a vizinhança comparece, põe as cadeiras e banquinhos na calçada, criançada corre, tem pula-pula e essas coisas de subúrbio que a gente fica feliz em trazer, porque crescemos com isso e valorizamos o que nosso povo tem de bom.

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Preparativos e expectativas em dia de Samba da Filosofia é uma energia que quase pode ser tocada em pleno ar, é uma coisa que envolve, que já começa dias antes, durante a divulgação e vai crescendo, cada um vem chegando de um lado, é mesa pra arrumar, som pra testar, o bandeirão dando aquela carteirada: “Ó, é o Filosa que vem aí, hein!”.

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As pessoas vão aparecendo, duas, três, dez, um montão e quando vê, a gente não percebe mais a diferença, é todo mundo uma coisa só, uma só voz cantando Samba. Nem microfone tem, que é pra todo mundo cantar igual. Só não canta quem não sabe a letra ou quem parou pra dar um gole no meio do refrão.

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Ainda tem coisa muito boa pra acontecer, porque o intuito do nosso projeto é ser um movimento cultural de representatividade do Samba enquanto cultura. E isso não envolve apenas a música samba, mas a culinária, roupas, artesanato, adereços, lenços, turbantes, quiçá, palestras, um mini sarau, enfim… o Samba é muito vasto e ali ele é o rei.

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Todo último sábado de mês é essa energia e este mais recente não foi diferente. A cada encontro a coisa melhora e é muita felicidade ver que uma resenha de amigos que começou informalmente numa barraca durante o carnaval, hoje, às vésperas de completar 1 ano, já tenha esse contorno abrangente. Fica esperto que vem coisa boa por aí. Porquê? Porque isso é o Samba da Filosofia, morou, Maria?

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Samba da Filosofia

Quando: Todo último sábado de mês, a partir das 17h.

Onde: Rua Dr. Jaime Marques de Araújo, S/N, Campinho, Rio de Janeiro.

Quanto é o ingresso: GRATUITO

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Esses foram registros do encontro de janeiro. Até o do mês que vem!

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