Zé Luiz do Império – Malandro Maneiro

José Luiz Costa Ferreira, ou o conhecido Zé Luiz do Império (também creditado como simplesmente Zé Luiz, em diversos lugares) é um cantor e compositor carioca. Nascido a 10 de julho de 1944, no Bairro de Santa Teresa, Centro do Rio de Janeiro. Morou no referido bairro até os 9 anos de idade, quando mudou-se com a família para o bairro de Pilares, Zona Norte da cidade.

Já foi funcionário da Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL), pela qual é aposentado desde 1997. De presença marcante no Samba, é um dos fundadores, junto a Nei Lopes, Wilson Moreira e outros, da ala de compositores do Grêmio Recreativo de Artes Negras Quilombo e é integrante do (meu amado) Império Serrano, onde figura na ala de compositores e na Velha Guarda da escola. Também foi o fundador do Pagode da Resistência, uma das primeiras rodas de Samba no movimento de revitalização do gênero na década de 1970.

Já foi gravado por vários expoentes da MPB, como: Roberto Ribeiro, Alcione e Fundo de Quintal, tendo ao lado grandes parceiros de composição, como os mais frequentes Nelson Rufino e Nei Lopes, e outros como Ratinho, Wanderley Monteiro e Nelson Sargento… Aqui vão alguns exemplos mais conhecidos:

Tempo Ê (c/ Nelson Rufino)

Prece a Xangô (c/ Nelson Rufino)

Todo Menino é um Rei (c/ Nelson Rufino)

Eu Não Fui Convidado (c/ Nei Lopes)

Malandros Maneiros (c/ Nei Lopes)

Caído com Elegância (c/ Nei Lopes)

Minha Arte de Amar (c/ Nei Lopes)

Nosso Nome: Resistência (c/ Nei Lopes e Sereno)

Dona Zica e Dona Neuma (c/ Carlinhos 7 Cordas e Nei Lopes)

 

Exemplo de imperiano, sambista e ser humano. Quem para perto tem a oportunidade de ouvir um pouco da história do samba orgânica, ativa. Esse é um militante na defesa da nossa cultura e temos a honra de ter uma representatividade desse quilate ao nosso lado.

E tem uma participação do mestre no evento Velhos Malandros, ao lado de Noca da Portela.

 

Fontes:

http://dicionariompb.com.br/ze-luiz-do-imperio

http://www.revistamusicabrasileira.com.br/perfil/ze-luiz-do-imperio

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LIESA assina documento do Ministério Público para evitar outra ‘virada de mesa’

Para não banalizar o regulamento e impedir outra virada de mesa, o Ministério Público do Rio de Janeiro resolveu fazer a LIESA assinar um termo de ajuste de conduta. O que vem a ser isso? Bem, é um modo de dizer para a Liga Independente das Escolas de Samba algo como ‘ó, acabou a sem-vergonhice, hein! Toma jeito!’. A brincadeira, caso seja desconsiderada pela Liga, custará a camarada bagatela de R$750 mil de multa.

 

O Regulamento Específico dos desfiles do Grupo Especial prevê que as duas últimas colocadas na apuração de notas sejam rebaixadas para o Grupo de Acesso (Série A é o escambau), então, temos esse documento (TAC – Termo de Ajuste de Conduta) para garantir que o documento original (o regulamento) seja cumprido. É meio absurdo que precisemos de um documento pra garantir o funcionamento de outro. Burocrático demais, mas do jeito que a coisa ia, de virada de mesa em virada de mesa, caminhávamos para um carnaval com 40 escolas num grupo só.

 

Enfim, não canso de dizer que meu glorioso Império Serrano até que se esforçou, mas cometeu erros em 2018, também não canso de dizer a Grande Rio não teria virada de mesa se fosse uma escola de menor prestígio global. É igual 2017, quando a queridinha da mídia, Unidos da Tijuca, cairia sem dó e foi protegida naquela oportunidade, por uma virada de mesa. Os motivos são os mais bobos possíveis, como dificuldades de produzir desfile por falta de repasse de verba (antigamente não se tinha luxo e as escolas tinham mais nome, não inventa, né?), incompreensão de jurados e até a perda de pontos por falta de uma alegoria da sinopse foi considerada injusta…

 

Enfim, vamos aguardar pra ver qual vai ser a invenção do ano que vem. Nem vacilo em desfile, nem contratempo e nem provocação de acidente com morte estava sendo motivo de rebaixar escolas… agora vamos ver no que dá, se não criam um terceiro documento pra obrigar a se considerar o segundo que faça valer o primeiro. Essa burocracia ainda me perturba… não tanto quanto saber que meu Império vai usar uma música do Gonzaguinha como samba e como enredo… Juntando com a São Clemente que vai reeditar um samba passado… já to até vendo… Mas isso é papo pra mais adiante.

 

Batuquemos!

 

Fonte: https://odia.ig.com.br/diversao/carnaval/2018/06/5549225-apos-acordo-com-mp-liesa-nao-podera-mudar-criterios-de-rebaixamento.html

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Extra: Grande Rio define Anitta como enredo para 2019 (HUMOR)

(Atenção: O texto a seguir é uma peça de humor sem qualquer confirmação de realidade. Apenas um texto ficcional e irônico diante da recente virada de mesa que favoreceu a Grande Rio e ajudou meu Império Serrano por tabela, a se manter no grupo especial). Segue:

Grande Rio vai de anitta em 2019!! Enredo: Vai Malandra

“Isso mesmo com muita malandragem a escola de caxias bateu o martelo e vai homenagear a cantora Anita no próximo carnaval, confira os setores do desfile!:

Comissão de Frente: O show das poderosas (Anita e as bailarinas com os pavilhões das poderosas da Liesa fazendo reverencia a Grande Rio).

1 Setor
Carro abre-alas: Prepara que agora é hora! ( Rica e poderosa a escola de caxias mostra que não só ficou no especial como chegou a hora de vencer o carnaval)

2 Setor
Carro número 2: Blá! Blá! Blá! (Pode falar a vontade, viramos a mesa e seremos campeões, esse carro e o segundo setor aborda as “más linguás”.

3 Setor
Carro número 3: ZEN ( Estava tranquila, Zen, sabendo que não ia cair enquanto vcs aguardavam ansiosamente a “reunião da liga”.

Bateria: A paradinha!

4 Setor
Carro número 4: Você partiu me coração ( Ao júri da Liesa que em 2018 não foi bonzinho com a escola, mas a Grande Rio é do baralho, “quem dá as cartas sou eu”.

5 Setor
Carro número 5: Vai malandra!! A Grande Rio brincando com o seu BUMBUM! (Uma singela homenagem a todos vocês que pagam ingresso, tomam chuva, viagem de longe para ver o grande circo do carnaval, estamos brincando com vc, aliás com o sua bunda!”

Sensacional, né? E eu ainda complemento dizendo que obtivemos imagens de Anitta refletindo o que a Grande Rio achou da ‘notícia’ vazada recentemente:

Resultado de imagem para anitta cara engraçadaImagem relacionada

Rá!

O texto foi extraído do comentário de Daniel BH, da seção de comentários do site Galeria do Samba, no dia 01/03/2018. Outros comentários, você pode conferir diretamente na página. Não sei se a brincadeira é do próprio internauta ou se ele repassou de alguém. Só sei que foi infame e sarcástico no meu nível, hein! Aprovado.

 

P.S.: Lembrando que a brincadeira com a Grande Rio é porque ela foi a verdadeira beneficiada, já que o Império Serrano foi levado como brinde na transação. Continuo com minha opinião de que é bom não ser rebaixado, mas ter o rebaixamento revertido causa um certo constrangimento e nem as injustiças de outros anos conseguem evitar. Lembrando uma opinião da clássica Tia Eulália, num ano em que o Império experimentava um amargo último lugar: “O Império tem que morrer para renascer”. Mas sobre isso, eu falo em outra hora. Por enquanto, fiquemos na ressaca moral da LIESA onde até o prefeito crente e anti-carnaval meteu a caneta pra virar a mesa da folia do sambódromo carioca.

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Virou a mesa!!! Império Serrano e Grande Rio ficam no Grupo Especial para 2019

É, nenhuma vitória no tapetão é tão gostosa quanto a que viria ali, na avenida, no 10 narrado por Jorge Perlingeiro na quarta-feira de cinzas. Imagina então, não a vitória, mas o não rebaixamento vindo pelo tapetão. Imagina agora, que esse tapetão nem foi por sua causa, que foi por causa da sua colega de queda, ou seja, você permanece na elite como um brinde que veio com a real homenageada. Estranho, né? Já viu colocarem água pro cachorro e você é o pombo que pega o que cair fora da tigela? É estranho sim. Mas eu fico dividido e vou explicar.

 

O que houve, Saga?

Titio Saga explica, meu pequeno gafanhoto: Tanto Império Serrano quanto Grande Rio tiveram problemas sérios de evolução e harmonia (entre outras coisas, mas o principal aqui é isso). A Grande Rio teve um carro alegórico que não entrou na avenida, o que provocou buracos e o atraso em 5 minutos no cronômetro oficial. O Império Serrano teve um problema semelhante no tocante ao tempo regulamentar, mas foi um pouco mais peculiar… Minha escola conseguiu passar 2 minutos adiantada. Não teve alegoria faltante, mas, como eu falei, outros fatores contribuíram para a péssima colocação. Resultado: Grande Rio em penúltimo e Império em último, seriam as rebaixadas de 2018, convidadas a disputar o grupo de acesso (chamado de Série A pela mídia) em 2019. Tá, não foi o que aconteceu e um decreto da prefeitura estabeleceu que, pelo segundo ano consecutivo, ninguém vai cair.

Como foi isso, Saga?

Do jeito que a coisa toda se desenhou, está na cara que foi uma medida de proteção à Grande Rio, assim como foi favorável para priorizar a Tijuca ano em 2017. Naquela oportunidade, Paraíso do Tuiuti veio no apêndice como o Império Serrano veio agora. Tanto Unidos da Tijuca quanto Grande Rio são queridinhas da Globo, a detentora do monopólio de transmissão dos desfiles e todo merchandising que isso implica. Tanto que até o desfile das campeãs, que a emissora não exibe pra não atrapalhar sua programação, não tem nem cedido para concorrentes para não perder audiência. Se a platinada não deixa de mudar sua programação nem bem nos desfiles oficiais, que dirá num dia que já não tem competição. Mas estou divagando, deixa eu voltar à vaca fria.

 

Se por um lado, a Unidos da Tijuca cairia por provocar, junto com a Tuiuti, acidentes gravíssimos na avenida no desfile, tentaram usar um argumento meio sentimentalóide de poupar a todos por causa da tragédia. Tipo como fizeram há alguns anos quando um incêndio na Cidade do Samba destruiu barracões e foi decidido que ninguém cairia devido à falta de condições de algumas escolas (a Grande Rio estava ali no meio também que eu lembro) e a falta de culpa na fatalidade. Ok, naquela vez, colou. Um acidente, uma fatalidade, as prejudicadas não tiveram culpa e achei justo. Mas ano passado foram acidentes diretos provocados por escolas. Mas entrou o fator pistolão, e no pistolão, rolou o tapetão. Na outra ponta a Mocidade também já veio mordendo o troféu junto com a Portela numa justificativa de última hora estranha, então… Carnaval é esse vale-tudo até no sambódromo mesmo? Prossegue.

Tá dividido porquê, Saga?

Bem, estou dividido entre dois princípios, um do coração imperiano e outro do ponto de vista político e prático. Primeiro vou falar do ponto moral e cultural. Já disse no facebook e em conversas de zap e presenciais que tapetão não me faz a cabeça. Antes ver meu Império defendendo sua bandeira dignamente no acesso e voltando quando for merecido do que sendo favorecido em reviravoltas políticas. Meu reizinho de Madureira tem uma história de lutas e defesa cultural, de vanguarda e tradição ao mesmo tempo que apaixona quem apenas chega perto. É só ver os nomes que estão aí no imaginário popular imperiano: Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Jovelina, Beto Sem Braço, Wilson das Neves, Aluísio Machado, Roberto Ribeiro, Mestre Fuleiro, Aniceto, Tio Hélio e muitos outros.

 

Esses caras não aceitariam brigar contra rebaixamento através de virada de mesa. Uma história bonita demais pra ameaçar com essas pseudo-regalias. E mais: Com a estrutura e organização que apresentou esse ano, o glorioso talvez tivesse até dificuldade pra se reerguer, ainda mais disputando com a Grande Rio, mas o crescimento que isso traria – ou não – poderia levar tempo, mas traria de volta um Império forte e calejado, malandreado pela corda bamba. Em suma, minha escola ia apanhar, mas ia crescer, igual massa de bolo e aí ia ser ruim de segurar.

 

Tá, mas você falou que também tem um ponto de vista político, Saga? Fale mais sobre isso.

Claro, gafas (diminutivo carinhoso para gafanhoto, rá!), a questão política e prática é bem… er… prática: Escola que não cai, já deu um passo a mais – ou pelo menos, um passo menor – pra ficar na elite. Ou seja, já nos poupamos da briga do acesso, o que pode ser como colher verde pra ver se dá pra madurar, mas pode dar um gás na confiança da escola. Lembremos que a Paraíso do Tuiuti seria uma franca concorrente a cair ano passado e, tendo sido poupada, veio com um carnaval simples, mas lindo e eficiente. Quem sabe o Império não pega a visão e aprende a lição? Eu acredito. Pelo menos torço muito.

Tem também o lado político das relações entre as escolas. Se o decreto decidiu – não importa a lógica do argumento – que a Grande Rio fica e o Império se segura na carona, quem vai ser o maluco de falar ‘ei, LIESA, eu quero cair pra manter maior dignidade e merecer estar no especial’? Isso pode ser um tiro no pé e o Império já teve problemas no passado por não andar com os populares do colégio, entende? Não alimentou estreitas relações e nessas horas de regalias, era o primeiro a ser sacrificado pelo cumprimento do regulamento à risca. Pra ilustrar, ir contra essa decisão agora, seria como recusar um favor não pedido. Olha a desfeita!

Além de retaliação ou abandono, a escola pode acabar se mantendo no grupo, mas de forma isolada. E se já levou um monte de tesourada dos jurados só por ser a ‘escola que acabou de subir’, imagina se for a escola que despreza ou contesta favores? Se a Liga da Justiça te dá um presente, você não rejeita com um tapa na mão do Superman. É uma galera que pode te incinerar só de olhar e escola nenhuma tem essas tendências suicidas. Vamos receber o presente, agradecer à Unidos da Tijuca e Acadêmicos do Grande Rio pela sequ~encia de fatos e eventos que culminaram nisso.

 

Tá, Saga, falou à beça, mas e aí?

Olha, eu preferia ganhar com a bola no pé do que com uma rasura no regulamento embaixo do braço no escritório, mas estar no grupo especial é melhor do que levar sei lá mais quantos anos brigando pra subir entre bons desfiles, desfiles estranhos e possíveis acidentes ou incidentes que estragam em minutos um trabalho de um ano. Só torço pra que o Império faça como a Tuiuti que de uma das culpadas da desgraça de 2017, se tornou a campeã do povo de 2018, um único décimo atrás da toda-poderosa Beija-Flor.

Aliás, um desfile das campeãs já me emociona só de pensar, mas espero que o Império venha simples, bonito e se mantenha sobre as próprias pernas ano que vem. É o que eu falo, desfile de sambódromo é pra inglês ver, pra turista achar que tá inseridão na nossa cultura, mas até desfilando na Serrinha o Império vai me emocionar. A cultura mesmo, a escola, a história, essa é no cotidiano, quem frequenta, quem vive lá dentro sabe. Daí que vem o medo de ser salvo igual borboleta tirada do casulo antes da asa estar firme pra voar sozinha. Não é pra comemorar, é pra fazer igual aquele personagem de filme que descobre que tudo foi um pesadelo e que tem a chance de aproveitar a melhor a vida.

Cair dois anos seguidos do mesmo grupo seria uma facada no orgulho cultural imperiano. Mas, enfim, é Império Serrano de volta ao grupo especial. Aproveitemos a chance pra começar a brilhar de novo pela luz de São Jorge e da Estrela de Madureira.

 

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Atriz de Pantera Negra diz que Wakanda é África se não fosse colonizada pelo europeu

A história do mundo tem diversas frentes em tempos simultâneos, tipo acontecimentos como descobertas, invenções, guerras e colonizações. A colonização é um processo em que o oprimido não só é subjugado como também é violentado, roubado e desfigurado cultural e materialmente. Veja o exemplo do Brasil: Aqui viviam milhares de nativos (que ‘aprendemos’ a chamar de índios/indígenas) que tinham sua cultura, sua religião, seus hábitos e tudo corria bem. Sim, havia disputas entre tribos, mas onde o ser humano está que não tem uma guerrinha, né? A diferença é que uma guerra por território à base de flechas não se compara a massacres de armas de fogo e sequestro e escravização por estrangeiros, né?

Negros numa África fictícia, onde o europeu nunca pisou pra colonizar, roubar e escravizar.

Negros na África real, com sua história interrompida pela colonização européia com roubo e escravidão.

Enfim, se a América (do Sul, Central e do Norte, não apenas um país – alô, EUA) foi colonizado, significa que vieram estrangeiros da Europa (outros povos passaram por aqui até antes, mas não com o mesmo intuito) pra roubar as riquezas naturais, empurrar sua religião, cultura e tornar o ‘índio’ escravo. Não demorou muito e enquanto isso, eles estavam invadindo também África. Mas lá a coisa foi ainda mais cruel, afinal, retiraram um contingente absurdamente numeroso pra levar para as Américas a fim de serem escravizados e colonizados (perda de nomes, identidades, religião, riquezas, etc). E o que ficou na África? A imagem que se tem até hoje, de um lugar sujo, miserável, selvagem e tudo que diga respeito ao pior da sociedade. Logo um continente que já tinha culturas, tecnologias e ciências muito mais desenvolvidas que a Grécia. Mais antiga que a Grécia Antiga, plagiadora das técnicas africanas.

 

Ignoram que além de belas paisagens, África já teve o ápice do desenvolvimento humano. Muita gente não sabe, mas Egito é na África, saca? É o país dos faraós, onde há 5000 anos já se produzia cerveja, tecido, agricultura, com religiões, mitologias, um sistema social bem definido e desenvolvido de camadas, etc. O mesmo para outros países como Angola, Marrocos, Sudão, Etiópia e muitos outros. São 54 países, fora os outros territórios integrados majoritariamente a outros continentes. Era muita riqueza, minha gente. Alguns desses lugares já tinham sociedades totalmente desenvolvidas e comandadas por mulheres, por exemplo (sim, o colonizador não só trouxe doenças, racismo e roubo, também ensinou o básico do machismo). E é aí que eu entro falando de Lupita Nyong’o.

Esse pedaço do céu na Terra se destacou ao interpretar uma escrava violentada por um fazendeiro racista que não admitia gostar dela, em 12 Anos de Escravidão. Lupita está no filme Pantera Negra, da Marvel e interpreta a heroína Nakia. Mas não é do filme que vou falar. Apenas de um aspecto: Wakanda. Pra quem não é ligado em HQs – e ainda não viu o filme – Wakanda é um país fictício da África, onde se encontra o vibranium, o metal ultra-resistente que compõe a liga que forma o escudo do Capitão América (junto com o Adamantium, pelo menos nos quadrinhos). Pois bem, Lupita deu um parecer tão feliz, mas tão feliz, que cheguei a me emocionar só de imaginar como seria.

 

O que ela falou? Bem, ela notou que o nível de e desenvolvimento humano e tecnológico em harmonia com a natureza e sua ancestralidade, faz de Wakanda um perfeito espelho do que África seria se nenhum colonizador europeu tivesse posto os pés empoeirados ali. O que o colonialismo fez foi reescrever a nossa história como uma narrativa de pobreza e sofrimento”, afirmou a atriz. E quer saber? Tá certa! Wakanda não foi colonizada, então pode se tornar o auge da evolução humana até com seus problemas internos, mas com uma supremacia digna. Não houve um dedo indecente do invasor pra interromper sua história e começar uma degradação de seu mundo.

Na verdade, Lupita, que cresceu no Quênia, vai além, ela relata que Wakanda não só não foi colonizada, como sua evolução tecnológica cresceu ao mesmo passo que se reforçou sua identidade e suas raízes. É nítido o contato com sua cultura ancestral desde o protagonista, que incorpora um manto passado de geração para geração referente a uma divindade própria, até a necrópole, literalmente, onde estão aqueles que se foram e ainda podem passar sua sabedoria aos mais novos. E ela nota também que homens e mulheres são poderoso igualmente, mas cada um à sua maneira, não havendo disputa sexista por poder.

Valeu por essa, Marvel.

Valeu muuuito por essa, Lupita. Vem pegar seu troféu!

Fontehttps://revistamonet.globo.com/Celebridades/noticia/2018/02/atriz-diz-que-pais-de-pantera-negra-seria-africa-se-nunca-tivesse-sido-colonizada-por-brancos.html

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Unidos da Tijuca lidera manifesto para salvar Grande Rio do rebaixamento

Em 2017, não sabiam quem ficaria em último lugar no carnaval carioca, mas decidiram que ninguém cairia, porque certamente, seria a Unidos da Tijuca, que, junto com a Paraíso do Tuiuti, causaram acidentes gravíssimos – e até fatais – em plena avenida.

Protegida do rebaixamento ano passado, agora a própria Tijuca vem encabeçando um manifesto pra proteger a Grande Rio, pois, segundo a escola originária do Morro do Borel, jurados tiraram pontos da agremiação de Caxias por uma alegoria que não passou, o que não estaria previsto no regulamento.

Bem, eu sou bem leigo nos critérios dos jurados, mas pela lógica, se uma alegoria inteira não passou, acho que a história prevista na sinopse do julgador já teria alguma diferença, né? Sem contar o buracão que ficou e o atraso de cinco minutos por conta do tempo que a escola tentou colocar a tal alegoria, um carro alegórico gigante, pra passar.

Pois bem, a questão é que nem com acidentes graves se rebaixam escolas, então, pelo que entendi do presidente tijucano, Fernando Horta, de repente, na visão dele, um carro que não atropelou nem matou ninguém não deveria ser motivo de perda de pontos, não é? Se a Mocidade conseguiu ganhar no tapetão alegando que os jurados estavam com uma sinopse desatualizada, é só a Unidos do Projac Grande Rio lançar esse caô de que o papel tava errado e entregar outro manipulado, oras! #SagaIrônico

Eu, enquanto imperiano de fé praticante, reconheço que minha escola não fez um desfile impecável e reconheço diversas falhas apresentadas, embora não deixe de ressaltar que muito do julgamento se dá diretamente visando a bandeira, e como meu Império esteve por tempo demais no grupo de acesso, já era esperado que a caneta vermelha estivesse afiada pra tirar muitos décimos do meu brasão. Mas se a Grande Rio não cair, o Império também não deveria.E já explico.

Ano passado só uma cairia e escolas como a Paraíso do Tuiuti e São Clemente estariam mais do que cotadas pra isso, afinal, têm bandeiras de menor expressão no disputado e milionário carnaval carioca. Mas a Tijuca tem nome, tem dinheiro, tem prestígio, e devido ao acidente, passaria a “disputar” com as menores pra não cair.
Perceba que mesmo merecendo uma colocação bem baixa pela severa perda de décimos relacionados ao carro defeituoso e ao atraso, por um momento, a Grande Rio ainda escaparia do rebaixamento, passando à frente da já citada São Clemente, que passou perfeita, no sentido de não ter incidentes e acidentes no percurso. Parece tendencioso não é? É tipo juiz que marca a falta em cima do jogador estrela e não do anônimo pra ficar bem com a maior torcida.

Até onde vi, as outras escolas não estariam a favor de salvar a Grande Rio se não salvar o Império também. A meu ver, faz sentido dentro dessa bagunça, porque se uma escola pode passar comprovadamente com um carro a menos e o presidente da escola salva ano passado diz que não poderia perder pontos, quem garante que as notas do Império também não foram sem critério?

Enfim, é mais uma divagação. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Lembrem-se, a Mocidade ano passado, desfilou em fevereiro, foi campeã em março e o troféu só chegou em outubro. Então, temos tempo.

 

Fonte:

https://oglobo.globo.com/rio/manifesto-circula-entre-escolas-do-especial-na-tentativa-de-salvar-grande-rio-do-rebaixamento-22405856

 

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Império Serrano e outras observações sobre o carnaval 2018

O Império Serrano cometeu erros grotescos na caminhada desde escolha de um enredo frio para a cultura brasileira, sobretudo no carnaval até o modo como se comportou na avenida no desfile do último domingo. Como assim, a escola de Silas e Mano, Molequinho e Fuleiro, Dona Ivone e Jovelina, Aluísio e Beto, Arlindo e Roberto e tantos outros gigantes do nosso samba… como assim, essa escola singular me passa dois minutos antes do tempo regulamentar na avenida? A Sinfônica não podia ficar fazendo umas bossas até cumprir o cronômetro? Ninguém olhou pro cronômetro, qualquer um dos vários na avenida? Enfim, já até saiu comunicado do conselho deliberativo anunciando que a diretoria de harmonia foi destituída e eu não vou entrar nesse tema, até porque a diretoria foi demitida, provavelmente, por quem a contratou lá atrás, ou seja, uma nova equipe escolhida pelas mesmas pessoas.

 

Sim, estou ciente que entre mancadas e tropeços, meu Império caiu. Não vou dar uma de componente revoltado que xinga a instituição, a diretoria ou a presidente. Que sirva de exemplo pra que se busque novos caminhos e políticas pra levar a escola ao seu lugar entre as melhores do carnaval de sambódromo, assim como já é na cultura popular e como já foi num passado distante. Também não vou falar de ninguém em específico de fora da minha escola, mas há que se fazer algumas observações sobre o carnaval 2018, me baseando na minha escola como exemplo de vítima, culpada, modelo, motivo e simbologia do que a festa do povo se tornou. São vícios irritantes que me deixam bem descontente com o evento. Só mesmo o costume e a memória afetiva me fazem ainda me envolver com a coisa.

 

Carnaval 2017

Você não leu erra e eu não me enganei com o ano do subtítulo. É que meu Império vacilou e levou tombo, mas não esqueçamos que a tão (merecidamente) festejada Paraíso do Tuiuti provocou grave acidente na avenida ano passado, aliás, ela e a Unidos da Tijuca foram responsáveis por uma verdadeira tragédia e a solução da liga foi que ninguém iria cair. Estou dizendo que se elas caíssem ano passado, estaria melhor pro Império? Não mesmo. Mas também não foi justo. Aliás, se falei da Tuiuti e da Tijuca com seus desfiles desastrosos sem punição (ao contrário, foram beneficiadas), o que dizer da Grande Rio, que por um momento, chegou a nem estar na ‘zona de rebaixamento’, tendo passado com um carro a menos, o óbvio buraco entre alas e 5 (disse CINCO) minutos de atraso do tempo regulamentar? Pois é.

 

Apuração

O Império ainda pegou o ranço de ser a ‘escola que acaba de subir’, ou seja, aquela que até se for perfeita, dificilmente levaria meia dúzia de notas 10. E foi o que aconteceu. Jurado dando 10 pra escolas com problemas visíveis e tirando décimos onde a minha foi bem. A verdade triste é que o Império é tratado, em termos de sambódromo, como escola pequena, aquela que, parece, pensam que vive confortável no acesso, portanto, sempre é empurrado pra lá. Não que a escola não tenha cavado o próprio buraco onde tropeçou, mas a apuração nitidamente não é justa. Se a escola é de expressão e rica, as notas são bem mais gentis do que as agremiações menos abastadas. Lembram-se da porta-bandeira que só tirou 10 numa escola grande e no ano seguinte, não tirou um 10zinho sequer, estando numa escola pequena? Pois é. Aliás, fica aquele monte de jurado com cara de que está mais analisando uma peça de museu contemporâneo do que um desfile numa festa popular. As notas nunca fazem sentido na comparação de umas com as outras.

 

Carnaval popular acabou

Meio forte falar isso, mas a festa popular é só na rua mesmo, porque no sambódromo, o que vemos é um monte de burocrata tomando decisões sobre as escolas, designers de belas artes com poder de diretor de cinema comandando shows pirotécnicos, sambas encomendados e enredos patrocinados e o sambista mesmo, o folião, vira apenas a peça no tabuleiro. O peão. Não é mais rei nem na folia. Alguém mais reparou que, talvez, com uma UMA exceção (não tenho certeza), TODOS os jurados são brancos? Em algum momento, como diria Candeia e Isnard Araújo, a escola de samba é uma árvore que esqueceu da raiz. Fez lembrar um protesto de Paulo César Caju, ex-jogador da seleção brasileira, que comenta que a maioria dos jogadores é preta, mas na hora de dar um cargo de comando, quase que só os brancos são contratados pra técnicos e dirigentes.

 

Então, Saga?

Bom, a queda é dura mas o Império é mais forte e minha escola verá dias melhores, só não sei quando ainda, mas tenho fé. Mas uma coisa é certa: Não dá pra nem pensar em voltar pro especial ano passado. E não é porque teremos a companhia ilustre da rica Grande Rio e sua sub-escola interna Unidos do Projac (Rá!), também não é porque o Império não tenha capacidade, mas ficou claro como cristal que ainda não temos estrutura pra subir e subindo, pra se firmar entre os cachorros grandes e ricos da madame Globo. Sobre o Império, ainda tem que ter uma revolução de atitudes e procedimentos pra sonharmos em voltar pro grupo especial fazendo jus ao nome do grupo.

 

Já sobre o carnaval em si… Parabéns à Beija-Flor, Paraíso do Tuiuti, Mangueira e Salgueiro por trazerem para a avenida, em rede nacional, novamente o protesto social. Carnaval não é só entretenimento, é cultura também e botar na tela da TV temas como crítica à corrupção, política de interesses, a luta do negro e exploração trabalhista é pra se emocionar. A apuração, aquela festa do arroz, o 10 já se desenha sozinho pra “quem de direito” e as frações já tatuadas e carimbadas no passaporte das menos ricas pra descer de grupo.

 

Ano que vem tem mais. Aliás, meu palpite é que a gente estique o carnaval até 2020, assim, o prefeito fica esperando a festa acabar pra voltar de seu retiro espiritual anual na Europa. Deixa com a gente, Criva, ‘nóix dá conta’. Rá!

 

Ps: Uma menção honrosa, minha solidariedade à Unidos do Jacarezinho, que não bastasse ter perdido seu presidente – nosso querido compositor e amigo Barbeirinho do Jacarezinho (Quintal do Zeca), ainda  amarga um rebaixamento, para o grupo C, da Intendente Magalhães. Força, Jaca! Esteja em bom lugar, Barbeiro!

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