Prefeitura do Rio libera rodas de samba da obrigação de alvará

 

Bem, na verdade, são os eventos audiovisuais que ganham desburocratização através do sistema Rio Ainda Mais Fácil Eventos – RIAMFE, da prefeitura carioca, onde produtores culturais foram informados, por meio de audiência pública, neste dia (19/07/2017) sobre os meios de se organizar eventos de forma mais ágil e simplificada.

 

Mencionou-se que os eventos de natureza religiosa não precisarão de consulta prévia ou emissão de autorização transitória – incluindo religiões de matriz africana. Bem como as rodas de samba, que não sofrerão – segundo a prefeitura – e quero muito acreditar que é pra valer – qualquer proibição ou obrigação de alvará para serem realizadas.

 

Em meio a diversos memes, boatos, exageros e conversas sobre orçamento e seu uso no campo do entretenimento, acho que essa é uma questão que merece ser observada. Veja bem, é muito bom pensar que nossas rodas de samba continuam com a possibilidade de sere, pois sabemos – ou deveríamos saber – que o samba carrega uma história e uma cultura muito maiores do que uma mera festinha de bebida e curtição.

 

No mais, gostei disso, acho que a prefeitura não precisa criar polêmicas desnecessárias com eventos ‘mundanos’ pelo simples fato de o prefeito ter outra postura – até porque o prefeito não vira dono da cidade só porque foi eleito pela maioria – e é pra dar a César o que é de César e ao povo o que é de seus orixás, morou?

 

Fontes:

 

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2017/07/19/prefeitura-faz-reuniao-com-produtores-culturais-para-esclarecer-decreto/?from_rss=rio

 

http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-07-19/rodas-de-samba-de-rua-estao-liberadas-de-alvara-da-prefeitura.html

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Crivella promete cortar verba das escolas de samba… Vai prestar?

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Prefeito Crivella está incisivamente minando investimentos em eventos culturais (falo pelo lado do Samba que é o que eu entendo e acompanho). Não quero pensar que é por ele ser um líder religioso dentro da religião dele que ele toma atitudes drásticas que deixam eventos festivos não-religiosos capengando. E o pior é que ainda usa argumentos demagógicos, por exemplo: O corte pela metade na verba distribuída às escolas de samba do grupo especial com o intuito de direcionar essa quantia para bancar o custo diário de crianças em creches particulares conveniadas com a prefeitura. E é sobre isso que eu quero falar.

 

Bem, de bancar evento cultural na rua eu entendo alguma coisa, pois faço parte de dois além das dúzias de pessoas que eu conheço que vivem essa realidade e muitos, diferente de mim, vivem efetivamente de música, de produção, fornecimento de estrutura e serviços relacionados, pois, você sabe, existe todo um universo em torno e que está correndo em areia fofa. Mas vamos falar sobre o universo específico do carnaval carioca. Bem, carnaval, aqui, não é só escola de samba, na verdade, é muito mais carnaval de rua, de salão, shows, enfim…

 

Esse tipo de festa movimenta milhões, bilhões de reais com a freqüência nativa (olha nós aê!) e muita, mas muita coisa mesmo vem de turistas. O turismo fatura muito para a prefeitura e esse é o principal argumento da LIESA (a liga das escolas de samba do grupo especial carioca) para tentar convencer o prefeito religioso conservador a reconsiderar sua decisão. Por outro lado, a conversa do Crivella é que investir na educação é mais relevante e eu já digo porquê acho essa história muito controversa.

 

Bem, baseado no que li, e no que papeei recentemente com amigos leigos, religiosos, músicos, educadores e admiradores tanto de investimentos em causas sociais quanto dee eventos culturais, juntei tudo com algo que eu já ensaiava em escrever e saiu a grande impressão de que o prefeito queria uma desculpa pra passar o cerol no carnaval e derivados. Sim, porque pra investir em educação, ele não falou em construir nada, nem creche, nem escola, nem em material para os que já existem, mas para custear crianças em creches particulares… oi?

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Como seria se o poder público ficasse bancando a iniciativa privada? O que sobraria para o poder público fazer? Será que ele pensa em abdicar dos investimentos no município pra dar uma ajudinha? Tipo, a terceirização voltou com uma maquiagem mais atual, meio que hoje não é rouge, é blush, mas faz a mesma coisa? Essa é uma linha de raciocínio minha, não ouvi ninguém falar isso e é uma espécie de paranóia aquariana minha.

 

O engraçado é que ele vai cortar metade da verba do carnaval pra bancar crianças em creches particulares. Ok! Muito evangélico e muito não-folião achou linda essa ideia e até já promete votar no prefeito na próxima eleição, afinal, quem não fica bem na foto com a política pública da propaganda ‘salvem as criancinha’? É lindo, até o Pelé já mandou esse papo, mesmo que não tenha sido homem pra reconhecer uma filha, nem os netos da falecida.

 

O problema é que se parar pra pensar, o que o carnaval arrecada com turismo é bem superior ao que Crivella promete cortar das escolas de samba. Um dia de desfile no sambódromo lucra muito mais do que o milhão que o político-bispo. Será que não seria mais jogo investir no carnaval e pegar desse retorno financeiro até mais dinheiro pra bancar as criancinhas em creches particulares?

 

Culturalmente, eu nem ligaria muito pra redução de subsídios ao carnaval de sambódromo, isso por questão ideológica. Há décadas que escolas viraram empresas apenas pra capitalizar a folia. O pobre continua pobre e as escolas não reinvestem nelas mesmas enquanto instituições culturais, pra dar uma bola na comunidade, serviço social, etc. Aliás, algumas até fazem sim, mas o foco é botar pena de faisão marciano no biquíni da subcelebridade que tiver mais dinheiro pra aparecer. Luxuoso demais, caro demais, samba de menos e o propósito das escolas já dançou faz tempo.

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Mas tem esse lado do dinheiro. Oras, se é dinheiro que importa, porque não investe 10, pra fazer 1000 em vez de cortar 5 da verba básica? Mesmo que as escolas façam desfiles menos luxuosos, acho que o carnaval ainda assim rende bastante e não há problema em usar isso pra investir em outros campos que precisem. Ou tá rolando uma falha grave de planejamento aí, ou uma nítida má fé com relação ao carnaval.

 

Em todo caso, seja lá o que for, às vezes é preciso deixar a coisa dar bem ruim pra que a opinião popular possa se posicionar e os governantes se mancarem. Por exemplo, muito músico vai encarar dificuldade de trabalho no setor do samba, sobretudo de rua, sendo que a vida de músico, da maioria, é dureza, é correria pra conseguir se sustentar, lucrar já é outra história.

 

Também tenho a opinião de que se as escolas realmente cumprirem de não desfilar, que se apresentem para suas comunidades. Vou adorar ver meu Império Serrano pelas ruas de Madureira, ou mesmo lá no Morro da Serrinha. Imagina o que a escola não ganha se colocar eventos regulares na quadra, na Casa do Jongo, ou na rua?

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Aguardemos cenas dos próximos capítulos. Eu acho que por agora é melhor nem debater muito, porque pode ter blefe aí, pode ter alguma negociação em breve e, no ruim de tudo, a coisa se confirmar, mas até lá, ainda falta uma penca de meses. Mas o camarada já mandou migué pra não ir ao sambódromo e iniciar o carnaval oficial entregando a chave da cidade para o Rei Momo, então, vamos ficar de olho. Quem sabe, daí, a megalomania do carnaval não volta a botar o pé no chão. Oremos.

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Sambas Que Não Passariam: Já Foi Uma Família – Fundo de Quintal

Esta seção vai ser tipo ‘EsmiuSaga’, mas em vez de escolher alguma canção que traga muita informação sem detalhamento (como Rio Antigo, que eu já esmiucei em post passado), vou discorrer sobre o conteúdo de músicas que em seu tempo foram gravadas como ‘normais’, mas que hoje, com a evolução dos meios de comunicação e a conscientização de parte da população mundial (geralmente, a parte oprimida por preconceitos e injustiças), hoje, não passariam nem pela seleção pra um CD. Na verdade, se algum autor tivesse cara de pau de publicar uma obra dessas, certamente ia arrumar problemas em qualquer roda de samba ou seleção de repertório da vida. Em suma, estou falando aqui de letras de teor preconceituoso, conservador e até diretamente ofensivo mesmo. Tipo piadas d’Os Trapalhões sobre homossexualidade, racismo, machismo e outras, que na época até arrancavam risadas, mas hoje tem resposta direta dos grupos atingidos. Sem delongas, só mostrando mesmo.

 

Bem, pra começar, a música – de Arlindo Cruz, Franco e Marquinhos PQD – já sugere o que está por vir no título. Quando se fala ‘já foi uma família’, mesmo sem saber o que a letra tem a dizer, já parece que é algo que era pra ser bonito e tradicional e não é mais. Algo menos trágico que ‘Éramos Seis’, mas na mesma linha nostálgica. E a parada já começa nessa linha mesmo, quando dizem que as coisas estão diferentes de quando o tradicional era a família se reunir numa mesa, domingão, o mais velho contando história e passando adiante os costumes de seu tempo. Ainda na ‘primeira’ da música, já se ‘denuncia’ que estão acabando com essa ‘instituição’, claramente, se referindo à família como algo em perigo diante do presente (vamos considerar 1987, ano de lançamento do disco Do Nosso Fundo de Quintal, que contém a gravação original).

 

E a letra vai explicando com exemplos o que está acontecendo com essa família pra que os autores alertem ao mundo que esse patrimônio da humanidade está caindo em desgraça. Ele começa avisando que o vovô, aquele que sentava à cabeceira da mesa pra ensinar as tradições, agora só quer dar role por aí, na gandaia e tals. Já aí, temos a noção da pegada da música, quando o coro vem meio que constatando, meio que se lamentando que o que se chamava de família, mudou muito, ou seja, se mudou daquele modelo outrora conhjecido, hoje, não é mais. “Mudou bastante, mas já foi uma família”, ou seja, nada de pensar que se mudou, é uma família diferente, não, pro narrador, se mudou, já era, não é mais o que costumava, acabou.

 

Não contente em entregar os novos hábitos de vovô, já vem logo a caguetação sobre vovó, que estaria se relacionando com um rapaz bem mais novo. Novamente, o coro reforça que isso não é mais uma família. A mãe, por ter se dado conta de que não é só uma secretária doméstica do marido, necessariamente, segundo o narrador, se tornou uma radical da causa feminista. E a visão do feminismo é tão estereotipada aqui pelo olhar machista que até misturam o feminismo com guerrilha e anarquia, ou seja, a mãe não só quer igualdade e respeito, como quer acabar com o mundo sócio-político conhecido na bala, ou sei lá com que arma. Mudou bastante… E ainda tem o pai, que sai para casos extra-conjugais e nem se preocupa em esconder as evidências da luxúria externa.

Depois de uma relembrada na primeira, ou seja, na estrofe que determina o tema do partido alto que segue, é avisado que o irmão ‘solta a franga’ e ainda usa um nome feminino na ‘praça’, ou seja, se tornou travesti, ou uma mulher trans que não mudou oficialmente seu nome. Na verdade, pelo modo como é descrito, o irmão, é visto pelo narrador como uma caricatura, desserviço prestado pela mídia e senso comum que desumaniza e evita que a população trans seja vista como cidadã e não mero mote pra piada. Mas, prossigamos, pois a ‘irmã’ joga futebol, numa posição que exige uma postura mais ‘durona’ em campo, mas, ao contrário do irmão, não quer ser lembrada de que é uma mulher. Não é mais uma família, afinal, uma moça jogando bola era se meter nas coisas ‘de menino’. Pô, mana, vai brincar de Barbie e fazer biscoitos pros meninos.

 

Depois de falar que o tio e a tia estão envolvidos com drogas, vem a prima que era bela, recatada e do lar, e agora demonstra gostar de sexo sem fingir ser a santa que a sociedade quer. Julgamento tão cruel quanto o do primo que dança balé. Chega a ser dito que ele ‘ERA’ de fé, ou seja, se vai usar um colant e sapatilha, perdeu a moral com a galera. Depois, é um aviso que vai dar problema com a desunião da turma se pintar motivo de repartir os bens, mas até aí, o patrimônio imaterial já desmoronou moral e bons costumes a baixo, né?

Conclusão

A canção é muito envolvente na musicalidade, na estrutura de partido alto com refrão em coro reforçando a ideia geral do que é detalhado em cada verso. Particularmente, eu gosto muito dessa estrutura, dessa métrica típica de letras em que o Arlindo participa, meio Nei Lopes, de causar duas rimas seguidas antes da rima que combina com o refrão, enfim, se não fosse a letra, a música seria perfeita.

 

Não, não sou moralista, nota-se, mas também não é que eu ache a letra necessariamente ruim, ela seguiu um costume da época, de tratar tudo com uma pseudo-irreverência, mas que ofende dolorosamente pela falta de tato, pela visão egocêntrica, baseada em um padrão falso moralista. Porque falso moralista? Porque nossa sociedade foi estruturada, como conhecemos, pela Europa, em especial, pelo português.

Caras… alguém aqui já estudou um pouquinho só sobre a família real/imperial portuguesa? Já notaram que muito antes dos autores nascerem, aliás, muito antes até que o Brasil pensasse em se tornar uma república, já tinha um irmão tarado, uma mãe ninfomaníaca, um pai guloso, uma avó louca e por aí vai? Isso só pra citar o que é de amplo conhecimento, imagina o que não rolou pelos baixos de panos e atrás das colunas dos bailes da corte real? Sim, danadinhos.

 

Enfim, a letra soa moralista, preconceituosa e não passaria pra um CD em tempos que Marina Íris e Nina Rosa, por exemplo, gravam ‘pra matar preconceito, eu renasci’. Não é que eu seja contra a família tradicional brasileira, mas a noção de família não pode ser medida como um padrão sitcom estadunidense. O tal American Way of Life não atende nem a eles, que dirá de nós. Eu, por exemplo, no ano em que a canção saiu em LPs e K7s nas lojas, já tinha meus pais divorciados e não me sinto criado num lar desestruturado.

Não podemos viver com esse complexo de culpa inventado pelas camadas ricas e religiosas da Europa medieval. Isso impede – e muito – o nosso subconsciente de entender a felicidade como algo que simplesmente satisfaz a nós e não ao modo como seremos julgados pelos outros.

Não rotulemos e nem excluamos só porque a novela mostrou outra estrutura. Novelas são só ficção baseadas no que os autores ricos viveram ou observaram. Quem sabe nós somos nós. Família é família até com duas pessoas só e nem precisam ser do mesmo sangue ou com as mesmas opiniões. E fique com a música em si… A letra, você vê aqui.

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Pode isso? Mocidade Independente co-campeã 2017

 

 Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Mocidade Independente de Padre Miguel é nomeada campeã, ou melhor, co-campeã do carnaval de 2017, junto da Portela. Isso poderia ser só um adendo na história do carnaval de sambódromo pra turista ver e não deveríamos levar tão a sério, pois sabemos que esse universo que orbita a LIESA se importa com tudo, menos com a festa popular de onde se apropriaram, não é verdade? Pois é… não é assim.

Acontece que essa decisão da LIESA mexe com alguns fatores a mais doque simplesmente um não que virou um sim, ou, no caso, um décimo que virou campeonato. Todo mundo sabe que sou imperiano de fé e também, quem esteve em Madureira naquela quarta-feira de cinzas, 1º de março, viu que o papo geral era como depois de tanto tempo, Madureira estava em festa pelo Império e pela Portela e um dos comentários legais era que a escola de Paulo e Claudionor não ganhava sozinha já há quase 50 anos. Bem, isso acaba de ser revogado e tem coisas mais sérias envolvidas além do que diz respeito diretamente à escola da águia altaneira.

Primeiro, ficou uma impressão enorme daqueles momentos que uma criança chora, a tia vai lá e tira o brinquedo da mão de uma pra outra brincar. Sei que a Portela não perde o campeonato com isso, mas tirou muito da graça de ganhar ali na hora. Afinal, quantas vezes já aconteceu de uma decisão posterior alterar um resultado já sacramentado? Não estou discutindo os méritos da Mocidade, mas a verdade é que já vimos demais outras bizarrices no passado que ninguém juntou numa reunião um mês depois pra arbitrar mudanças. Não se volta atrás numa decisão assim. Quantos anos e quantas escolas não se deram bem ou mal por resultados assim e ninguém se importou voltar atrás? Porque agora?

Veja bem, sem qualquer menção de que o tempo voltaria pra mudar uma decisão de jurados, já vimos bastante:

  1. Escola ‘pequena’ dar show, levantar a avenida e ser rebaixada;
  2. Escola grande e desfilar com ala incompleta e sem fantasias acabadas ficando longe dos últimos lugares;
  3. Jurado dar dez pra quesitos defeituosos só porque não precisava justificar a nota máxima;
  4. Pontos tirados por birra de jurado contrariado…

E por aí, vai… Eu citaria aqui pelo menos um exemplo pra cada um desses itens por ano, mas como já escrevi sobre o assunto (dá uma passeada pela seção ‘falando nisso’ e ‘carnaval’ que tu vê), vou apenas lembrar casos como Lucinha Nobre, uma verdadeira baluarte na arte de porta-bandeira, sempre 10 na Mocidade, há alguns anos, defendeu a Inocentes de Belford Roxo e não levou um 10 sequer. Ao passo que Vila Isabel já desfilou com a bateria quase de bermudão e nem suou pra ficar no grupo especial.

Justificativa tosca sobre condições da cabine do jurado, alguns anos atrás.

Já que entrei nessa seara, vamos falar sobre as conseqüências dessa atitude da LIESA. Em primeiro lugar, abriu um precedente perigoso, como a reavaliação de pontos e critérios. Pensa só, é mole dar uma alegria à Mocidade por causa de um décimo… mas será que foi só esse décimo? Digo, se a escola mandou um livro errado pra depois mandar um correto (ou a escola ou a LIESA vacilou) e isso resultou numa nota ‘ruim’, quem garante que a falta desse 0,1 é que decidiu o certame? E se algum outro jurado alterasse a nota com o livro certo? Será que só isso seria alterado? Será que o jurado não acharia algum outro defeito? Enfim… é na base do ‘E se’ que essas divagações funcionam.

 

Você já viu juiz de futebol voltar atrás e decidir por votação dos outros clubes que um gol foi mal anulado ou ilegalmente validado? Já viu final de campeonato voltar porque quem perdeu, de repente, ganhou? E voltam as mesmas indagações: Será que seria só o lance do gol? Será que uma falta antes não marcada não atrapalhou…? E lá vamos nós de novo… Falo isso porque um mísero décimo retroagiu pra beneficiar, por votação e tals… mas este ano também vimos duas escolas provocarem acidentes e uma decisão do tipo ‘vamos juntar e tirar uma presidenta legitimamente eleita porque queremos’. Simplesmente, decidiram que ninguém cairia e agora, que duas são campeãs. Quer dizer… regras e justiça são como a paz mundial: Você até sabe que poderia ter, mas não dá a mínima porque acostumou a viver sem.

 

Novamente, não é contra a Mocidade, pois quem me conhece desde pequeno sabe dos anos em que fui encantado pela Mocidade e sua vanguardista bateria nota 10 (Salve, salve, Mestre André!), não é defendendo a Portela, por bairrismo e aquelas coisas de Paris… a questão é que quando começa a alterar resultados de forma arbitrária, qualquer coisa pode acontecer. E eolha que eu achava que a LIESA estava buscando um caminho justamente ao contrário, em prol de transparência, reaproximação com o povão… mas já vi que vai continuar esse carnaval de sambódromo nutella mesmo, huh?

 

Sim, é um negócio milionário que já ignora há muitos severos anos a cultura de onde se apropriaram pra faturar com turistas e direitos de imagem na TV, mas talvez seja esse tempo, ou é o fim do mundo chegando ou até, quem sabe, a volta de Darth Vader, mas o fato é que a sociedade tem setores que estão descaradamente demonstrando como sunciona o sistema sócio-político geral: Eles podem, eles fazem e você (nós, o povão) que chupe o dedo.

 

No mais, Alladin tinha direito a 3 desejos… quais serão os outros dois?

 

E… Portela, fica de olho, se não, alguém vem e liesa você.

*lesa

Corretor ortográfico safado.

Rá!

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Império Serrano – 70 anos (Camisa do Império Serrano)

 

É, é Império, mas chamamos de ”o reizinho de Madureira” e não bastasse essa pequena idiossincrasia, ainda o chamamos de Menino de 47, dado o ano que nasceu, vanguardista, bem mais tardio que as pioneiras que por aqui ainda desfilam (Portela, Mangueira…) e é com essa pegada que presto essa homenagem ao celeiro de bambas que é o Império Serrano.

 

Foi (quase) tudo lindo neste ano de 2017 (menos o triste episódio da invasão e assalto (à quadra da escola, a poucos dias do carnaval) para o Império. Um samba bonito, o clima da escola envolvente, ensaios animados mesmo que – literalmente – embaixo d’água (eu cantei a pedra de que tanta chuva tentava transformar Madureira em pantanal pra premiar o enredo desse ano, hein! Rá!). Enfim, Império Serrano, no ano em que completa redondos 70 anos, é mais uma vez coroado com o passaporte para o grupo especial.

Sim, sabemos que há uma politicagem das grossas lá e que a coisa não vai se fazer meramente no amor dos integrantes por sua agremiação, mas que se dane, é o Império, o reizinho de tantas vitórias e que cantamos o amor por ele em qualquer lugar. Além do chão fértil pra poesia, partido alto e cultura ancestral. Eu já fiz post enumerando sambas de exaltação ao Império/Serrinha, já mencionei a história da escola… mas esse ano, especialmente, eu, que nunca tinha feito uma canção em homenagem ao reizinho, ousei traçar umas linhas e botar umas melodias e saiu Camisa do Império Serrano.

 

De uma situação inusitada onde mamis Sagatiba usou meu manto sagrado pra apoiar um espelho no chão, já fui escrevendo e cantarolando ‘O despautério é tratar feito qualquer pano a minha camisa do Império Serrano…’. Bem, essa é minha homenagem, daquelas que passa pela mente, de novo, o nó na garganta e o choro ao lado do sambódromo, vendo a escola adentrar a avenida sob pesado foguetório, a alegria incontida de estar na quadra comemorando a vitória, claro, sem contar com os outros trezentos e poucos dias que somos Império nas diversas rodas de samba que vamos nos esbarrando. Isso, ganhando ou perdendo. Enfim, vou deixar aqui o link pro meu canal no Soundcloud e a letra mais abaixo. Minha homenagem ao Império Serrano, apresentação que me cabe no Movimento Cultural Aos Novos Compositores.

Camisa do Império Serrano (Fernando Sagatiba)

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

Por acaso não sabes que aquele manto
Traz o brasão que vem representando
A herança mais linda, bravura ancestral

Casa de Jongo e de Samba, mironga de banto
O canto do negro todo em verde e branco
É folia que vem e vai muito além do carnaval

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

Talvez não entendas, ou fazes que não
Mas evite tocar no imponente pendão
Que alguns dos maiores me inspiraram a ser leal

Só te chamo à atenção pelo ato profano
Pois mexeu com minh’alma, o Império Serrano
Desde Silas e Mano que é resistência cultural

O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano
O despautério é tratar feito qualquer pano
A minha camisa do Império Serrano

 

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Marchinhas Preconceituosas: Banimento sim, Esquecimento não

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Recentemente tem se falado muito, já em contornos de polêmica, sobre o banimento de marchinhas de teor preconceituoso. Meu posicionamento sempre é CONTRA manifestações de comunicação em julgamento, crítica ou ridicularização de grupos já historicamente desfavorecidos. Ou seja, letra de música, piada, personagem de programa de TV, meme da internet, enfim, qualquer coisinha que gere um ‘politicamente incorreto’, vai me ter (UIA!) do exato lado oposto, lá, acenando negativamente com a cabeça e perguntando que m… é essa. Já dei meu papo, ok? Então, acabou, Tio Saga? NÃO! Sonoramente, gafanhoto.

 

Eu sou contra letras que ridicularizem gays, negros, pobres, etc…Daqui não saio, daqui ninguém me tira, por exemplo, é sobre despejo de uma família pobre. Viu como dá pra retratar um momento da história sem ridicularizar? Na verdade, ironizando a situação e o modo como a sociedade trata esse pobre? Tomara que chova é sobre falta de condições básicas – no caso, abastecimento de água – e, da mesma forma que a canção anterior, demonstra um quadro social da época e o autor soube tornar isso numa crônica do cotidiano. Agora, apontar um gay e falar de sua ‘cabeleira’ ou insinuar que uma mulher, por se relacionar romanticamente/sexualmente com mulheres vai se tornar, necessariamente, um homem… bem… aí, eu levanto a voz.

 

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Também tem o caso do racismo/machismo (raci-machismo ou machi-racismo, escolha o que lhe for aprazível ao uso). As pessoas que defendem O teu cabelo, não possuem nada mais que ‘ah, mas ela é antiga,eu já conheço desde pequeno’ ou o clássico ‘vocês veem racismo em tudo’. Tá, mas Mulata Bossa Nova é uma homenagem, apesar do termo ‘mulata’ ser usado ainda, o que por si já é bem incômodo e indigesto, mas vá lá, a letra enaltece a mulher negra. O teu cabelo não, essa diz que o cara pode chegar, dar um plá na moça e largar por aí, como se a mulher negra não tivesse outra serventia se não a de depósito de esperma para a masturbação assistida de algum fetichista. É como dizem, ‘comer uma mulsata, meu bem, não te faz menos racista’.

 

Bem, essa conversa toda de forma quase redundante com outros textos meus internets afora é pra quê? Porque surgiu uma novidade, um ponto de vista interessante que ouvi em conversa com amigos, recentemente. E se as marchinhas não fossem banidas, valendo o argumento de que se forem esquecidas, um dia, corremos o risco de surgirem novamente peças preconceituosas sem que as primeiras estejam lá pra usarmos de exemplo? Sacou a parada? É a máxima ‘aquele que não conhece seu passado, tende a repeti-lo’. Pense em exemplos como o museu da escravidão, lembranças da ditadura, do genocídio judeu, enfim… Como nos sairíamos se não tivéssemos lembranças desse passado? Ficaríamos mais vulneráveis, não é? Pois é isso.

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Em suma, sou a favor do banimento ainda? SOU (falei gritando com o punho erguido – rá!), afinal, há anos que me incomodo em estar num lugar para me divertir e acabo servindo de piada pros outros que não pararam pra pensar na profundidade do que estão cantando. Ninguém repete letra satanista ou funk proibidão com essa liberdade toda, entende? E a coisa piora quando os alvos são amigos meus. Como não vou sair distribuindo bolacha na face de todos os babacas do universo, imagina a frustração que é estar na festa e se aborrecer sem poder resolver, abrindo a cabeça de todos ali.

 

É isso, não sou a favor de essas marchinhas continuarem enchendo a paciência de quem já apanha – em vários sentidos – o ano todo. A gente que faz parte de grupos discriminados não gosta de ser molestado, muito menos em clima de festa, como se fosse engraçado. Faz lembrar que em 2016, meu cabelo estava compridão e escolhi não sair em dia algum de cabelo solto, pra não me indispor com qualquer palhaço de peruca Black fazendo piada do tipo ‘ei, somos irmãos’. Não somos fantasia de carnaval. Abaixo com fantasias de nega maluca, por exemplo. Mulher preta atura muito o ano todo, não tem que se ver em forma de caricatura. Vão se pintar de branco, de perucas loiras. Brancos não são caricaturas, né?

 

march3Mas a novidade é que sou a favor de que elas sejam usadas em escolas, faculdades, palestras de história e todo canto acadêmico ou não, para que, primeiro, as novas gerações aprendam a interpretar e não só reagir com ‘concordo, é o máximo’ ou ‘discordo, é a minha opinião’. Vale muito essas marchinhas serem usadas em aulas de sociologia, como exemplos de como se retratavam cenários antigamente e que hoje não cabe mais, pois os grupos afetados pelas letras têm mais voz, descobriu seu direito ao protesto, ao repúdio do que acha ofensivo ou agressivo. Assim como estudamos períodos violentos e traumáticos, essas marchinhas merecem isso, virar peças de museu pra olharmos/ouvirmos e pensarmos ‘nhé, esse é um passado que não tem que voltar, vamos ficar de olho’.

 

Vamos ficar de olhos e ouvidos bem atentos. E se der m… estaremos de línguas afiadas, pensamento reflexo modo ninja ON e sangue quente nas veias pulsando nossos direitos.

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Maria Sapatão e Zezé serão banidos do carnaval carioca

Marchinhas com conteúdo preconceituoso estão sendo banidas do repertório de alguns blocos e eu vou te dizer porque é importante esse tipo de atitude.

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Primeiramente, fora temer as letras tinham um contexto sim. Ponto. Mas não é por isso que vamos passar a  mão na cabeça. Já escrevi aqui, neste blog, que Lamartine Babo, além de compor os hinos famosos de quase todos os clubes aqui do RJ, era tio de Sargentelli. O que ambos tinham em comum? A “mulatologia”. Veja bem, um, chega com uma música que diz que o cabelo da ‘mulata’ não nega sua raça, e como a cor não ‘pega’, aí, ele pode chegar junto pra dar uns amassos sem compromisso. O outro ficou conhecido por ajudar a propagar a figura da ‘mulata’ como uma peça de exportação, aquele quase guia de turismo sexual e todo aquele lance lá.

 

“Ain, Saga, você tá sendo politicamente correto!”. Não estou não, gafanhoto. Politicamente correto é seguir alguma política dominante e, no momento, a política dominante é a preconceituosa que tira todo o contexto de preconceito pra deixar passar barbaridades como racismo, machismo, homofobia e tals. Politicamente correto seria se eu apoiasse toda essa babaquice em nome do senso comum e de tudo que os mais conservadores acham que é o normal só porque já estava lá quando nasceram e não tiveram competência racional de pensar se fazia sentido, se fazia bem ou não.

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Mas, voltando, tem as músicas machistas/racistas, como O Teu Cabelo Não Nega, mas também tem canções de cunho homofóbico, como Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão. Defensores do preconceito alegam que na época que essas músicas foram compostas, o contexto era outro, que é carnaval, que não há maldade, apenas uma grande brincadeira durante a festa… Olha, É JUSTAMENTE por isso que é tão preconceituoso. Até hoje, pessoas são mortas só por serem gays e esses caras acham que precisam manter a tradição de reduzir a homoafetividade de alguém a um rótulo escroto de gêneros trocados.

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Seria como defender que a escravidão não foi tão ruim assim, porque antigamente era igual aos desenhos Disney, que eram coloridos, cantantes e… opa… Lembra que quando um personagem pegava fogo e explodia, logo ele ficava com nítidos traços afro? A pele preta, lábios grandes, cabelo crespo…? Lembra? Também não tinha maldade, porque você cresceu vendo isso e não entendia a ofensa velada, né? Pois é. Antigamente, foram compostas músicas falando em bater em mulher, como que num bicho de estimação malcriado, mulher era tratada como a empregada com obrigações de servir na cama e na mesa e essas coisas.

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Sou muito a favor dessa revisão. Se o Cordão do Bola Preta, a liga da Sebastiana ou da Folia Carioca não se mancam e acham que essa discussão não é importante, que continuem assim, com contas a pagar, perdendo espaço para blocos muito menos tradicionais que nem samba ou marcha tocam. Vão se afundando até caírem no ostracismo, até porque, seu público atual é bem novo, relativamente, é a galera que vai quase que atrás de uma micareta. Querem se apegar ao tradicional sem separar o que pode seguir e o que é pra ficar pra trás, que o façam. O que não falta é bloco pequeno e mais novo promovendo festas mais atuais, com cara do RJ de hoje e não do tempo que um cara podia bater numa mulher pra sustentar a pose de machão, ou agredir gays porque eles mostram que o mundo não é tão simplório quanto queria.

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Eles levantam sempre a questão do que é tradicional. Escolas de Samba há muito que já perderam a essência, gêneros musicais se modificaram por inteiro, tudo pra ir alcançando algum contato com o público, aí, vem essa gente pra dizer que tudo tem que ser como antigamente, quando os que são desrespeitados hoje, eram muito mais desrespeitados. Só falta botar um porta-estandarte na mão do idiota do Bolsonaro e Danilo Gentilli de musa com uma faixa dizendo “Carnaval é igual piada, a gente usa pra ofender e agredir como se fosse um salvo-conduto acima do bem e do mal”. NÃO, NÉ?! Piada, carnaval, letra de música, nada disso pode burlar a lei. São peças de comunicação e estão sendo usadas diretamente pra passar uma mensagem. Isso não é culpa nossa, não escrevemos isso… mas perpetuar é concordar.

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O curioso é que ninguém fala em como era legal e inocente o tempo em que casais faziam 15 filhos, mais oito fora de casa, curtindo carnavais sem iluminação, carros velhos, condução precária… Ah, e… Atenção defendedores do preconceito, lá vai um dilema pra reflexão: Antigamente, era tudo essa festa ou apenas as partes ofendidas não tinham voz pra responder? Pensa, desgraça, pensa!

Fonte: Extra Online

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