Rio Antigo (Como nos velhos tempos) – EsmiuSAGA(tiba)

De Nonato Buzar e Chico Anysio. Fizeram uma homenagem nostálgica ao Rio de Janeiro da primeira metade do século 20. A canção me gerou algumas curiosidades, isso desde que ouvi pela primeira vez, lá em meados dos anos de 1990, na gravação impecável de um LP de Alcione – que Mamãe Sagatiba havia comprado num camelô-antiquário (vintage, pra hoje em dia) no calçadão de São João de Meriti. Então, algumas coisas eu já conhecia, a maioria, por alto, então, chegou o momento de deixar a preguiça de lado e partir para uma investigação cultural. Vamos esmiuçar essa letra.

“Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo com crianças na calçada
Brincando sem perigo, sem metrô e sem frescão
O ontem no amanhã (…)”.

Esse início é bem a ideia geral da letra, querer que daqui pra frente o Rio volte a ser aquele espaço de ebulição cultural e cotidiano deslumbrantemente simples. A simplicidade do dia-a-dia e as belezas de tudo isso.

 “Eu que pego o bonde 12 de Ipanema (…)”.

andredecourt's photo from 2/18/04

Bonde, o principal meio de transporte coletivo de antigamente, antes da eletricidade,  sua própria linha foi inaugurada por volta de 1902 – ainda por tração animal (burro) – sendo eletrificado nas décadas posteriores. Os ramais passavam por  locais como Praça Gal. Osório, Arpoador, Av. Vieira Souto, usados, no início, mais por comerciantes e aventureiros interessados em desbravar as terras da, então, Villa Ypanema.do bairro da Garota de Vinícius e Tom veria

“Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema (…)”.

Meio que dispensam apresentações, mas vamos lá. Oscarito, nascido na Espanha e vindo para o Brasil com um ano de idade, era de família circense. Grande Otelo, nascido em Minas Gerais, fugiu de um lar desestruturado pelo alcoolismo e violência doméstica, se juntou a uma companhia mambembe e seguiu pela carreira circense. Ao se encontrarem no meio artístico, formaram, entre as décadas de 1940 e 1950, uma das duplas mais famosas da comédia brasileira nas chanchadas – uma espécie de evolução do Teatro de Revista, só que no cinema.

“Domingo no Rian (…)”.

Esse é rico de detalhes. Cinema Rian, inaugurado em 28 de novembro de 1932, em Ipanema em Copacabana (Ficava na Av. Atlântica, entre as ruas Constante Ramos e Barão de Ipanema – Valeu pela correção, Alan Romero), seu nome significava ‘nada’ em francês, e também era o nome de sua proprietária ao contrário, Nair (de Tefé), filha do Barão de Tefé e esposa de Deodoro da Fonseca, o marechal. Pois ela foi considerada a primeira caricaturista mulher do mundo, tendo feito críticas em seus trabalhos aos escândalos do governo e promovendo saraus de música “lasciva e vulgar” (tipo, música popular, como maxixes de Chiquinha Gonzaga), tendo indisposição até com outros grandes da época, como Ruy Barbosa.

“Um pregão de garrafeiro (…)”.

Esse não é um garrafeiro, mas é o mesmo tipo de vendedor ambulante que ia de porta em porta e pessoa em pessoa na rua.

Essa eu cheguei a ver, de certa forma, em forma de vassoureiros, que passavam apregoando suas vassouras pelas ruas. Assim, faziam os garrafeiros, negociando, comprando e vendendo garrafas. Assim fazia também, Seu Madruga (“chapéus, sapatos ou roupas usadas, quem tem?”).

“Zizinho no gramado (…)”.

Jogador de futebol aproximadamente entre 1939 e 1957, foi o maior ídolo do Flamengo antes de Zico, maior ídolo do Bangu, tendo sido, certa ocasião, técnico e jogador simultaneamente, fora ídolo no São Paulo e referência para Gerson (canhotinha de ouro, aquele da lei da vantagem) e Pelé, o Poeta. Também foi destaque na Seleção Brasileira, tendo sido eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 1950 e um dos maiores do Maracanã, tendo seu nome no Hall da Fama do estádio.

“Eu quero um samba sincopado (…)”.

Geraldo'sEm geral, síncope tem um significado que sugere uma modificação no ritmo de algo, seja de respiração, linguística, etc. O Samba, sempre foi sincopado por natureza, mas a marcação “exagerada” do sincopado foi o pulo do gato do gênero, quando deixava de seguir a toada do maxixe e começava a se basear na marcação da percussão. Ouça com atenção músicas como Falsa Baiana (de Geraldo Pereira, precursor do estilo) e repare no modo como a melodia vai seguindo o ‘telecoteco’ dos instrumentos, acentuando uma sílaba junto com a batida.

“Taioba, Bagageiro (…)”.

Bonde TaiobaTaioba, Bagageiro, Caradura, eram nomes dos bondes que carregavam bagagens e passageiros de origem humilde. Eram bastante populares e eram retratados em manifestações do cotidiano popular, como histórias e anedotas.

“E o Desafinado que o Jobim sacou (…)”.

João Gilberto e Tom Jobim.

A canção Desafinado (Tom Jobim e Newton Mendonça) é uma ‘sacada’ porque ela é quase uma metalinguagem, um desabafo sobre a própria Bossa Nova. É uma resposta a críticas sobre o modo diferente de se tocar e cantar.

“Quero o programa de calouros com Ary Barroso (…)”.

Ary Barroso institui o gongo para desclassificar os calouros.Ary Barroso, você já deve ter ouvido falar, ou pelo menos de algumas de suas criações, não? Que foi por causa dele que se instituiu o Dia Nacional do Samba em dezembro você já leu aqui, hein! Bem, o mineiro é o inaugurador do samba-exaltação (é dele Aquarela do Brasil), mas o compositor e advogado também foi apresentador, do programa A Hora do Calouro, que revelou gente como Dolores Duran, Elza Soares e Luiz Gonzaga.

“O Lamartine me ensinando um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso (…)”.

Lamartine BaboLamartine Babo, o famoso Lalá, foi um compositor, tio de Sargentelli – finado “mulatólogo” (argh, que termo indigesto!) –  e autor de várias marchas carnavalescas, como ‘O teu cabelo não nega’ (olha a “mulatologia familiar” por  gerações). Compôs, em UM DIA os hinos não-oficiais – porém muito mais conhecidos – de América (seu time do coração), Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, São Cristóvão, Madureira, Olaria, Bonsucesso, Madureira e Canto do Rio. É que a rádio Trem da Alegria patrocinava o campeonato carioca de 1949 e planejava lançar LPs.

“Quero o Café Nice de onde o samba vem (…)”.

O Nice abrindo.

Bar de grande importância musical, localizado na Avenida Rio Branco, 174. Era onde se comprava, vendia e – diz-se – até se sequestrava música. Era, também, onde músicos defendiam um qualquer transcrevendo melodias em pentagramas para aqueles que não sabiam da teoria musical, por exemplo. Chamado de “o maior mercado de música popular do mundo”, era frequentado por “analfabetos musicais” como – o já citado – Lamartine Babo e aclamados maestros como Pixinguinha. Inaugurado em 18 de agosto de 1928, fechou as portas entre 1954 e 1956.

“Quero a Cinelândia estreando “E o Vento Levou”.

Fachada do Cine Teatro Glória. De propriedade de Francisco Serrador.

Com as obras de abertura da Avenida Central (hoje, Rio Branco), foi formado um largo que abriga a Praça Floriano. Em seu entorno, localizam-se o bar Amarelinho, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional entre outras construções. A região, entre a Avenida Rio Branco e adjacências como a Praça Mahatma Gandhi e a própria Rua do Passeio, foi chamada popularmente de Cinelândia, era um reduto cultural de entretenimento, com o nome idealizado pelo empresário espanhol Francisco Serrador, dono de cassinos, cinemas e hotéis. Sua ideia era que ali fosse a Times Square brasileira. O nome foi tão forte que se mantém, mesmo hoje só tendo restado o Cine Odeon em meio a lanchonetes, bancos e igrejas.

“Um velho samba do Ataulfo, que ninguém jamais gravou (…)”.

Foto DIVULGACÃOO cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves, radicado no Rio de Janeiro, foi o autor de canções como Laranja Madura, Ai que saudades da Amélia (com Mário Lago) e O Bonde São Januário (com Wilson Batista), ironicamente dois parceiros que não se davam entre si. Foi Ataulfo também quem aconselhou Clara Nunes a popularizar mais seu repertório cantando Samba. Dito e feito.

“PRK 30 que valia 100. Como nos velhos tempos (…)”.

Programa humorístico entre os anos de 1944 e  1964, tido como o maior programa de humor de todos por gente como o próprio Chico Anysio. Começou na rádio Mayrink Veiga, mas logo depois foi para a Rádio Nacional. Era escrito por Lauro Borges, que também apresentava, junto a Castro Barbosa, respectivamente sob os personagens Otelo Trigueiro (a voz na qual as abelhas se inspiravam pra fazer o mel) e Megatério Abado D’Alicerce (o português que se orgulhava de falar inglês em várias línguas). Criaram inúmeros tipos, cantores, calouros, repórteres, etc, tudo interpretado pelos dois criadores.

“Um carnaval com serpentinas (…)”.

Corso no carnaval carioca de 1907 em frente à cinelândiaSerpentina, aquele rolo de fita estreito que a gente joga para brincar e decorar as ruas, salões, casas e demais recintos onde se pule carnaval. Foi criada em 1893, um ano depois do confete por um funcionário do telégrafo e que trabalhou nos Correios. Inicialmente era aproveitando cartazes usados, tiras de papel de código Morse e essas coisas. Serpentina remete à folia momesca de uma forma romântica, quando a alegria pura da festa tomava o folião. Muito diferente da comercialização de hoje em dia e da serpentina quase que preterida em prol da maldita espuma em spray.

“Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina (…)”.

Fundada em 1913 pelo presidente argentino Julio Argentino Roca, e passando a ser disputada a partir de 1914, a Copa Roca, hoje, se chama Superclássico das Américas e é disputado em dois jogos (ida e volta) por Brasil e Argentina. Até 1976 o torneio era disputado com regularidade, foi interrompido naquele ano, voltando apenas em 2011. Só pode ser disputado por jogadores que atuam nos próprios países (CBF e AFA), pois não faz parte do calendário oficial FIFA.

“Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa. Eu quero, eu quero porque é bom (…)”

Os Anjos do Inferno

Quatro Ases e um Coringa

Os Anjos do Inferno fora um grupo vocal que criaram o nome do grupo em ironia aos Diabos do Céu, orquestra dirigida por Pixinguinha nos anos de 1930. Junto a eles, surgia o quarteto vocal e instrumental Bando Cearense, depois, com o nome Quatro Ases e um Melé, e, por fim, rebatizado de Quatro Ases e um Curinga. Os dois grupos foram gigantes da era de ouro do rádio brasileiro.

“É que pego no meu rádio uma novela (…)”.

 Aventura Novelas Radio Retro Com a implantação do rádio no Brasil, para popularizar o advento, fora usado o recurso da narrativa folhetinesca, dramatizações literárias interpretadas por atores e sonoplastas (os famosos efeitos sonoros, como a chapa de metal atacada pra simular um trovão). O gênero foi muito popular e só se enfraqueceu com o advento da televisão, quando a radionovela migrou de mídia e se tornou telenovela. Como os custos estavam ficando muito altos, a modalidade foi abandonada após algumas tentativas isoladas de se manter o estilos, nos anos de 1970.

“Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela (…)”.

No Largo da Lapa, já diz o nome, no bairro boêmio carioca, ficava o bar/restaurante Capela, desde 1903 até o final dos anos de 1960, quando foi demolido. Porém, foi reerguido, só que na Avenida Mem de Sá, logo ao lado, com o complemento ‘Nova’ e funciona até hoje.

“Mais tarde eu e ela, pros lados do Hotel Leblon (…)”.

Hotel LeblonOs lados do antigo Hotel Leblon eram cenário que servia de percurso do antigo Circuito Gávea/Trampolim do Diabo. Em 1929, nosso primeiro autódromo foi a Praça Paris, depois, em 1933, iniciou-se o Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro (ou Circuito Gávea), idealizado pelo empresário Francisco Serrador (olha ele aí de novo!). Após a década de 1950 o circuito perdeu força e foi extinto.

“Um som de fossa da Dolores (…)”.

Adiléia Silva da Rocha, nomeada Dolores Duran, por um casal que ajudou muito em inicio de carreira profissional – porque era um nome dramático e elegante, como suas canções, na vertente bolero/samba-canção – foi uma cantora e compositora muito talentosa e popular entre as décadas de 1940 e 1950. A autora de  Por causa de você, O negócio é amar e A noite do meu bem compunha utilizando seus próprios infortúnios amorosos como inspiração, mas também gravava composições alheias, como do próprio Chico Anysio. Faleceu aos 29 anos de infarto fulminante, devido aos anos de bebidas e cigarros que agravaram um problema cardíaco desenvolvido na infância, depois de uma doença.

“Uma valsa do Orestes (…)”.

Orestes Barbosa, jornalista e compositor que, enquanto jornalista, entrevistou João Cândido, Dilermando de Assis (assassino de Euclides da Cunha) e traçou o primeiro perfil de Cecília Meireles, aos 13 anos. Também esteve às voltas em seu trabalho de jornalista com Francisco Alves, Noel Rosa, Cartola, Wilson Batista e Baiaco (da turma do Estácio). Compôs diversas valsas e sambas, grande parte com Silvio Caldas, entre seus sucessos, está Chão de Estrelas, obra prima dos compositores e cartão de visitas de Silvio Caldas.

“Zum-zum-zum dos Cafajestes (…)”.

Bar onde os Cafajestes se reuniam, em Copacabana.

Clube dos Cafajestes, uma galera playboyzada e arruaceira que vivia pra causar balburdia. Fizeram parte do grupo Sérgio Porto (guarde esse nome), Jorginho Guinle, Ibrahim Sued e Ermelindo Matarazzo. Com a morte de seu fundador, uma música foi escrita por Fernando Lobo e cantada por Dalva de Oliveira, em 1951, em homenagem a ele. Ela dizia “Oi zum zum zum zum zum zum zum, tá faltando um…”.

“Um bife lá no Lamas (…)”.

foto de andredecourt en 25/04/06Restaurante Café Lamas, fundado a 4 de abril de 1874, funcionava 24h no Largo do Machado, tendo mudado para a Avenida Marquês de Abrantes – bem próximo – 102 anos depois, em 1976, por causa das obras do metrô. O lugar era freqüentado por diversos jornalistas e intelectuais da época, inclusive era conhecido por ser redutos de vários comunistas também. Era freqüentado por Oscar Niemeyer, Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, Monteiro Lobato, Sérgio Buarque de Holanda, Candido Portinari e Manuel Bandeira.

“Cidade sem Aterro, como Deus criou (…)”.

Praia da Lapa

Lapa em 1902, ainda banhada pelo mar. Sem aterro.

A cidade sem invadir o espaço do mar, da mata, apenas sendo uma localização em comunhão com o meio ambiente seria muito mais bonito e saudável, mas o ser humano faz de tudo pra estar em todo lugar, como se o universo fosse dele. Deixa pra lá… Próximo!

“Quero o chá dançante lá no clube com Waldir Calmon (…)”.

O mineiro (outro? Tem um padrão nesse Rio antigo, hein!) de Rio Novo foi o responsável pela popularização do solovox – pequeno teclado acoplado ao piano, precursor do sintetizador – e por gravar faixas inteiras com o intuito de animar festas, bailes e chás dançantes. Teve suas próprias casas de show onde iniciavam passos artísticos Chico Buarque, João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além de ter tido sua própria banda.

“Trio de Ouro com a Dalva, estrela Dalva do Brasil (…)”.

Trio de OuroFoi um grupo vocal que chegou a ter até Maria de Lourdes Bittencourt, esposa de Nelson Gonçalves, mas sua formação clássica mesmo foi a primeira, com Herivelto Martins e Nilo Chagas (antes, Dupla Preto e Branco) e Dalva de Oliveira. Essa formação se desfez após a conturbada separação de Dalva e Herivelto, em 1950, chegou a sobreviver de forma esporádica até os anos de 1970, mas já não era o mesmo. Ela, em carreira solo, fora aclamada como a rainha do rádio e o rouxinol brasileiro, devido sua afinação impecável.

“Quero o Sérgio Porto e o seu bom humor (…)”.

Sérgio Porto não brincava em serviçoSérgio Porto, nome real do personagem crônico Stanislaw Ponte Preta, foi um cronista, radialista, compositor e escritor. Esse eu vou esmiuçar num texto próprio futuramente – olha eu fazendo promessas de novo – porque sua obra mais conhecida – por mim – é o pitoresco Samba do Crioulo Doido, uma crítica mordaz à obrigação imposta às escolas de samba para falarem sobre a história do Brasil, mas que causava os maiores disparates em termos de coesão de conteúdo. Também escreveu As Cariocas, foi um divulgador de vedetes, ligado ao Teatro de Revista e fazia críticas ferrenhas e bem humoradas à recém instaurada ditadura. Só não viveu até o ato mais crítico, o AI-5. Morreu aos 45 anos de idade de infarto. Foi em homenagem a ele que foi criado O Pasquim.

“Eu quero ver o show do Walter Pinto com mulheres mil (…)”.

Mais um que fez sucesso com o Teatro de Revista entre as décadas de 1940 e 1950. Sua companhia de Teatro de Revista foi muito reconhecida tendo o diferencial de dar importância ao cenário e efeitos e não a um ou outro protagonista. Revelou talentos como Dercy Gonçalves, Carmen Miranda e Assis Valente.

“O Rio aceso em lampiões e violões que quem não viu, não pode entender o que é paz e amor (…)”.

Lampião a gás 300x226 SOBE O SOMA ruas de antigamente não tinham iluminação que não fosse a natural. As primeiras medidas de iluminação pública foram lampiões a óleo de baleia, “azeite de peixe”, como se dizia na época, que fora substituída por lampiões a gás. Porém o gás não proporcionava iluminação satisfatória a menos que se gastasse demais para tanto. Assim, com o tempo, a energia elétrica assumiu. E os violões… bem, deveria ser muito legal ter praticamente a iluminação da Lua e das estrelas e curtir umas serestas, ao cair da noite.

Disco de Alcione onde está a gravação da canção. Eu tenho outro aqui, mas que não achei foto na internet e não sei onde foi parar o vinil.

Conclusão

Bem, reparei em alguns traços em comum sobre tudo o que foi citado pelos autores. Tudo isso que eles reverenciaram teve seu auge entre as décadas de 1930 e 1950, muitos dos talentos se foram relativamente jovens e por situações em decorrência de excessos da vida boêmia, além do grande arco cronológico que foi o estouro popular do rádio (década de 1930) e o advento da TV (década de 1950). Parece que toda a efervescência cultural que causou a saudade dos velhos tempos em Chico e Nonato estava ligada de mais ao rádio, além das transformações na sociedade que isso influenciou, como o deslocamento da família para a sala, o rádio descentralizado como principal atração do entretenimento e noticiário e, convenhamos, muita coisa que não duraria muito mesmo, apenas marcou na memória afetiva. Quantas ondas a gente não lembra como se tivesse sido muito intenso, porém toda a fantasia nostálgica se acaba numa ida rápida no Youtube, Google, etc.?

Nonato Buzar, autor de Verão Vermelho e Irmãos Coragem.

Chico Anysio

Chico Anysio: Dispensa apresentações.

Acho que é por aí, lembrar é bom, mas voltar no tempo com a bagagem que temos seria arriscado, milhares de lembranças e fantasias seriam destroçadas. Um exemplo besta, mas eu ilustra bem, comprei uns DVDs de Changeman e Lionman com um colega e, caras, foi de doer. A memória afetiva me enganou e meus olhos de marmanjo já não embarcavam na história. Nunca mais assisti, hoje mantenho minhas lembranças, mas sem estragá-las com uma viagem no tempo desnecessária. Rá! Até a próxima esmiuSAGA.

Confira a letra e a música aqui.

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Sobre Fernando Sagatiba

Negro, jornalista, sambista, desenhista, sarcástico e um pretenso auto-proclamado observador da problemática contemporânea. Filiado à UNEGRO-RJ.
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6 respostas para Rio Antigo (Como nos velhos tempos) – EsmiuSAGA(tiba)

  1. Renan Moraes disse:

    Muito Bom,Saga…!!!

  2. Fabio. disse:

    Samba belíssimo. Letra e música dignas dos grandes mestres. A Marrom arrebenta nessa gravação com a sua voz musculosa e de grande extensão. Interpretação definitiva.
    Parabéns pelo site.
    Um abraço.

    • Obrigado pelo comentário, Fábio, eu também me arrepio quando ouço essa versão original da Marrom. Realmente, a voz, a interpretação e a letra são uma viagem no tempo e espaço. Grande abraço!

  3. Jocemara Matilde disse:

    Parabéns pela história por trás da história e pela voz da nostalgia que é a única certeza que ficará.
    Jocemara Matilde

  4. Alan Romero disse:

    Excelente texto, verdadeira enciclopédia. Mas permita-me um reparo: O Cine Rian não era em Ipanema e sim em Copacabana. Ficava na Av. Atlântica, entre as ruas Constante Ramos e Barão de Ipanema.

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